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Essência de Candeia

Antônio Candeia Filho, o Candeia, não cita em seu “Testamento de Partideiro”, mas o Quilombo é o seu maior legado na Terra. Ao fundar a escola, ainda em 1975, já alertava para o que vemos hoje no carnaval: o sambista de mero coadjuvante nos desfiles. “Do jeito que está, não tem mais volta”, lamenta Candeinha, atual vice-presidente da agremiação e seguidor fiel das palavras do mestre.

Mesmo sem nunca ter colocado os pés na quadra do Quilombo em Fazenda Botafogo –morreu antes da mudança –, Candeia parece sempre estar presente lá. Além de um busto em sua homenagem, os amigos não deixam sua memória desaparecer. Como Pedro Carmo, o “Português”, que cansou de carregar o compositor para casa depois de algum goró.

“Ele era sinistro. Teve um ano que a gente não tinha dinheiro para comprar pano para as fantasias e estava um desespero na quadra. O negão chegou, olhou o pessoal nervoso e saiu. Logo depois voltou cheio de pano. ‘Candeia, onde você arrumou isso?’, perguntei. ‘Eu sou o Candeia, porra!’, ele falou. Ele era assim, não tinha tempo ruim não”, lembra.

Segundo seu Pedro, que sabe todos as músicas do Quilombo de cabeça, também foi Candeia o primeiro a unir dois diferentes sambas em um para formar o samba-enredo de um carnaval da escola – o que virou moda atualmente.

De calça jeans e chinelo, sempre com o cabelo penteado, o “Português” viaja no tempo. Lembra do desfile do Quilombo na Sapucaí, em 1978, quando Candeia foi contra a idéia. Conta, orgulhoso, que ensinou a letra do samba de um carnaval a Clara Nunes e Alcione minutos antes da escola entrar na avenida Rio Branco.

Seu Pedro lembra e ri do dia em que a esposa de Martinho da Vila, Ruça, expulsou João Nogueira de uma ala porque o compositor chegou bêbado à escola. E diverte-se ao revelar que deixava o cargo de segurança dos shows de artistas famosos para esbaldar-se na pista com as mulheres.

Mais sério, porém com tantas boas lembranças quanto seu Pedro, Candeinha resume com uma frase do ator Jorge Coutinho, o presidente do Quilombo, o que move essa gente de bem a lutar pela escola: “Se eu não fizer nada, quando eu chegar lá no céu o que eu vou dizer para o Candeia?” Pois é, mesmo lá em cima, o negão é sinistro.

Clique aqui para ler o “Testamento de Partideiro”

POR BRUNO VILLAS BÔAS, THALES RAMOS E THIAGO DIAS

8 Comentários Add your own

  • 1. Guilherme Santini  |  maio, 2007 às 7:39 pm

    Salve Candeia!!

    Responder
  • 2. keila cristina magalhaes e costa  |  julho, 2007 às 1:07 pm

    nossa!!!
    que bacana esse blog.
    a-d-o-r-e-i!
    parabéns,ficou lindo,lindo,lindo!
    vou estar sempre por aqui
    beijo.

    Responder
  • 3. walter sargento  |  agosto, 2007 às 6:14 am

    nossa gente!!!!isso aqui e td de bom.como e bom saber mais e + e + e + das historias do grande mestre…
    ja adicionei a favoritos, terei cadeira cativa aqui….valeu….

    Responder
  • 4. Alex  |  setembro, 2007 às 5:06 pm

    Gostei do blog e peço que falem mais de CLARA NUNES.

    Obrigado

    Responder
  • 5. irene santana Compositora  |  junho, 2009 às 1:55 pm

    adorei!!! sou fã de Candeia estarei sempre presente aqui!! muita cultura!!

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  • 6. Compositora Andréa Alves  |  julho, 2009 às 6:04 pm

    Conheci Candeia na voz de Mariza Monte e senti uma emoção indescritível….Muito lindo….me fez lembrar meu pai que infelizmente já faleceu!Por aí vcs podem imaginar o quanto me tocou!!Isso só demonstra que os poetas não morrem….passados tanto tempo..e ainda assim emocionam os nossos corações!!!salve Candeia!!!

    Responder
    • 7. Anônimo  |  agosto, 2009 às 1:11 am

      UUUUUU

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  • 8. KEL RJ  |  novembro, 2009 às 1:57 am

    Krak!! Descobri ele por acaso. Ele é muito bom.

    Responder

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