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O blog O Samba entrevistou o músico e compositor Guinga no Leblon, em 18 de março de 2007. Ele acabara de lançar seu CD “Casa de Villa” e preparava-se para uma série de shows no Brasil e no exterior.

Guinga, você tocou com Cartola. Como ele era?
- Cartola era um cara sério, educado, respeitoso, cumpridor dos deveres, altamente profissional, humilde. E um gênio!

Como você o conheceu?
- Em 1973 existia um teatro aqui em Ipanema que se chamava Teatro Santa Rosa. Nessa época, eu fui contratarado para ser músico num show chamado “Vem quem tem, vem quem não tem”, que reunia Joel do Bandolim, João Nogueira e o Roberto Nascimento, um compositor brasileiro que agora está fora do Brasil. Eu nem sabia que o Cartola participava do show. Logo no primeiro ensaio, ele apareceu com o seu violãozinho e começamos a tocar. Eu aprendi as músicas dele e comecei a acompanhá-lo ao violão durante o espetáculo. Foram três canções, “Acontece” era uma delas: “acontece que nosso amor…”[cantarola]. Ele adorou o acompanhamento.

E como foi essa convivência?
- Ficamos em cartaz durante dois meses, nós passávamos os dias juntos. Ele conversava muito comigo. Um dia, me convidou para ir na sua casa para comer um frango que a Dona Zica havia feito. Eu fui com a Fátima, minha mulher, que na época era minha namorada.Ficamos amigos mesmo, de eu frenquentar a sua casa. Quando o ele ficou doente, foi morar em Jacarepaguá e eu o visitei umas duas vezes. Eu convivi com o Cartola durante uns quatro anos.

Depois de “Vem quem tem, vem quem não tem”, vocês voltaram a trabalhar juntos?
- Sim, nós gravamos juntos. Sabe o disco que tem o Cartola com a Dona Zica na capa, “O mundo é um moinho”? Eu participei desse disco e da gravação original da música que dá nome ao LP.

E a sua amizade com o Nelson Cavaquinho?
- O Nelson eu tive uma intimidade, assim, que beirava a esculhambação. A gente saía pela madrugada, ele ficava embriagado, ia ver as prostitutas. Ia nos bares de travestis ver shows, tocava músicas junto com os travestis… Quando amanhecia, o dia claro, ele queria ir para a praça Tiradentes. Tinha um botequim lá onde ele ficava bebendo até o meio-dia.

Virado?
- Viradaço. Aí, meio-dia a gente levava ele pra casa, lá na Avenida Brasil, na entrada da Dutra, no Jardim América. Ele morava numa vila.

Quem mais andava com vocês?
- Paulinho Pinheiro (Paulo César Pinheiro), João Nogueira, Beth Carvalho, Eduardo Gudin de São Paulo e o ator Carlos Vereza. Carlinhos Vereza era muito amigo do Nelson. O Carlinhos Vergueiro também. Mas aqui no Rio saía muito eu, o Nelson, Paulinho Pinheiro e João Nogueira. Nós quatro juntos. Toda segunda-feira a gente se encontrava no Teatro Opinião. Domingo, às vezes, nós iamos almoçar na casa dele. Nelson era engraçado pra caramba. Era a maior figura.

No Programa Ensaio, da TV Cultura, você disse que o Nelson Cavaquinho nunca te ouviu tocar…
- Ele pedia para eu tocar e levantava, ia ver as plantas. Ele era autocentrado (risos). Ele se referia a si próprio na terceira pessoa, “o Nelson”. Quando chegava uma mulher ele dizia: “minha filha não tenha medo do Nelson”. (risos)

Você tocou também com o João Nogueira…
- Eu comecei a tocar com Alaíde Costa, depois Beth Carvalho, João Nogueira, Clara Nunes e Cartola. Aí eu enjoei. Vi que não dava dinheiro e me formei em odontologia. Tocava para me sustentar, né cara? Tocava para comprar meus materiais de odontologia, que eram caros na época. Eu vim de uma família pobre.

Então isso tudo foi antes de entrar para a faculdade?
- Isso. Eu comecei a tocar com 17 anos. Toquei com Oberdan Magalhães, Hélio Delmiro e com a Banda Black Rio algumas vezes.

A gente observa que não há muitos sambas na sua discografia. Por quê?
- Eu tenho uns quatro ou cinco. Nunca fui sambista, mas acho que os sambas que fiz saíram direito. Eu acho que tenho medo, tenho respeito. Mas o samba está na minha alma.
Veja, eu era muito amigo do Candeia, ia na casa dele todo dia. Quer ver uma coisa engraçada? Quando se fala em raiz, sempre citam o seu nome, não é? Mas você sabe o que o Candeia gostava muito de ouvir? Aquela “Take five”, do Dave Brubeck. Ele era maluco por essa música. O cara pode ter um estilo, mas ele é influenciado por tudo que está aí. Você não pode restringir seu universo.

Por outro lado, notamos uma presença bem forte do choro na sua obra.
- Pois é. Tenho mais intimidade com os choros, ouvi muito Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim….

E por falar nisso, conta como foi o seu encontro com o Pixinguinha.
- Eu tinha 16 anos. Encontrei o Pixinguinha numa padaria, me aproximei e disse: “eu conheço o senhor”. Aí ele me respondeu, olhando meio “assim”. Então eu cantarolei uma música do seu repertório e ele ficou impressionado e, no fim, tirou um bolo de papel embrulhado de dentro do bolso e me mostrou. Sabe o que era? Um monte de letras que o pessoal na rua dava para ele musicar. “Rosa” foi um popular que deu pra ele. Já pensou se ele não fosse uma pessoa humilde? A gente estaria privado de uma obra-prima como essa.

Vamos falar sobre o novo disco. “Casa de Villa” tem sido definido como um disco mais nu. Você concorda com isso?
- No “Casa de Villa” eu priorizei mais o violão, tirei um pouco do excesso das cordas. Nesse disco você ouve melhor os acordes do violão, sem muita interferência de outros instrumentos. Optei por uma gravação que ressaltasse justamente isso, minha maneira de tocar. É, de certa forma, um disco mais minimalista, mais cru. Claro que tem também sopro, mas tudo na medida.

É uma tentativa de se aproximar mais do Guinga ao vivo?
- Justamente. Procurei trazer para o disco como sou ao vivo. Nem sempre é possível levar uma orquestra inteira para tocar comigo nos shows.

“Baião de Lacan” e “Choro pro Zé”, por exemplo, são músicas que você toca nos shows e não canta, fica só no instrumental. Neste álbum você canta em oito faixas. No show você também cantará?
- “Baião de Lacan” e “Choro pro Zé” são músicas que fiz, mas que são de outro tom. Agora não. Neste disco eu fiz músicas para eu cantar. Eu to investindo mais no cantor agora também. Eu sempre fui taxado como um compositor instrumental, isso não é verdade.

Como é o seu processo criativo?
- O processo de criação é comum, não tem nada demais. Eu faço as músicas e mando para os letristas. Eu acho mais fácil assim. Quando eu comecei a compor, muito jovem ainda, eu comecei a musicar letra, mas vi que aquilo dava muito trabalho. Eu não sei fazer isso, acho muito difícil. Para mim, é mais fácil fazer a música, a melodia, primeiro. Se eu posso ter menos trabalho, por que eu vou trabalhar mais, não é verdade? (risos)

Desde o “Noturno Cobacabana” você tem investido na relação com novos compositores como Mauro Aguiar, Simone Guimarães e Francisco Bosco (filho de João Bosco). Como tem sido essa relação com esse pessoal da nova geração?
- Muito boa. No “Casa de Villa” eu retomo a parceria com a Simone e o Mauro. O caso do Francisco Bosco foi engraçado. Um dia eu estava caminhando com o pai dele na praia e ele me disse que o garoto estava escrevendo. Aí cheguei em casa e fiz a música. À noite estava pronta “Noturno Copacabana”, que deu nome ao disco. Tem também o Thiago Amud e o Edu Kneip. O Edu era meu paciente, agora é meu parceiro.

Então, às vezes, acontecia de o pessoal aparecer querendo fazer tratamento e, “do nada”, oferecer uma parceria?
- Acontecia, sim! Chegavam com desculpa de querer fazer entrevista pra faculdade e, quando eu via, já estavam sentados com o violão na mão e tal. (risos)

No “Casa de Villa” você compôs a letra de “Maviosa”. Seria o início de um Guinga letrista?
- Ah, aquilo foi uma brincadeira… Eu não sou letrista… Vocês gostaram da música? Não sei… quem sabe, quem sabe… (rindo e abrindo os braços com cara de gaiato).

Olhando a sua agenda de shows, a gente nota você toca muito no exterior. Você chega a trabalhar mais lá fora do que no Brasil?
- Hoje eu acho que meio a meio. Já conheci a Europa quase toda. Só na Itália eu fiz 17 turnês, conheço a Itália de ponta a ponta. Agora estou com um empresário na Europa e um nos EUA. Aliás, dois na Europa. Eu vou aonde o público me quer. Eu gosto de tocar, de trabalhar. Aonde tiver público que aprecie o meu trabalho, eu vou. Mês que vem, por exemplo, eu irei participar do Festival de Tunis, na Tunísia.

Falando em Itália, como foi a repercussão do disco “Graffiando Vento”, com o clarinetista italiano Gabrielle Mirabassi no país?
- Muito boa. Os italianos gostam muito da minha música. Esse disco eu fiz há dois anos e só foi lançado na Europa. Pouca gente conhece no Brasil. Daqui a alguns meses será lançado o segundo com o Gabrielle, uma espécie de “Graffiando Vento” 2. O disco já está gravado, só estamos esperando os acertos finais. A “Biscoito Fino”, minha atual gravadora, deve lançá-lo junto com o primeiro aqui no Brasil.

Algum outro projeto no exterior?
- Bom, há dois jornalistas espanhois querendo produzir o meu primeiro dvd. Ainda estamos no começo, estamos conversando, acertando os detalhes do projeto. No momento é o que eu posso adiantar para vocês.

David Byrne, do Talking Heads, declarou que ficou muito impressionado com o seu show de estréia em Nova Iorque, no Joe’s Pub, em 2005. Ele notou, porém, que havia poucos brasileiros na platéia. Como foi tocar pela primeira vez na cidade?
- O show foi muito bom, o Joe’s Pub é um lugar bem legal para tocar. Na platéia só tinha uma brasileira, é verdade. Era a Lúcia Guimarães, jornalista do Manhattan Connection. Na verdade isso é até bom. Eu ir para os EUA e só ter brasileiro na platéia não é muita vantagem. Eu sou brasileiro, eu moro aqui. Já para os americanos é mais difícil me ver tocar. E eu quero que eles conheçam a minha música, a minha obra.

A que você atribui esse aparente “desinteresse” dos brasileiros a respeito de um compositor importante como você?
- À falta de informação.

Você tocou em Los Angeles também, não foi?
- Toquei com a Filarmônica de Los Angeles. Veja só, eu nunca recebi um convite para tocar com a Orquestra Sinfonica Brasileira. Mas, veja você, fui convidado para tocar com a Filarmônica de Los Angeles… Também toquei com a de Londres..

E o que a crítica achou?
- Cara, não vou nem te dizer. Não quero ser cabotino, sabe? Ficar falando de mim mesmo. Depois procura na internet. Veja a crítica do “Los Angeles Times”, por exemplo.

Como músico, qual é a sua relação com o cinema e a TV? Você é muito procurado para fazer trilhas sonoras, sendo um compositor que navega por varios estilos de musicas e com uma forte raiz brasileira?
- Tem uma musica minha na trilha de “Caramuru, O Rei do Brasil”. Fora isso, não tenho mais nada nesse sentido. Não sou chamado para fazer trilhas”. Eu gostaria muito, eu me interesso por esse tipo de trabalho também.

Você é um compositor genuinamente carioca e canta o Rio de Janeiro em todas as suas canções. No entando, quase não o vemos tocar na cidade. Por que será?
- O Rio de Janeiro regrediu muito culturalmente. Aqui não há mais espaço para o artista. Eu nunca pisei no Citibank Hall, no Vivo Rio… É muito difícil. Houve uma sucessão de governos desastrosos que não deram apoio à cultura. O futebol do Rio não é mais divulgado fora daqui. Eu estava em Teresina, no Piauí, abri o jornal e não havia uma linha sequer sobre o futebol carioca. Se tem um compositor que é carioca legítimo, sou eu. Nasci em Madureira e morei em Jacarepaguá, Tijuca, Sulacape, Vila Valqueire e agora moro no Leblon. Olha o nome dos meus discos: “Delírio Carioca”, “Suíte Leopoldinha”, “Noturno Copacana”, “Casa de Villa”… Eu amo o Rio mas, ironicamente, aqui é o lugar onde eu menos tenho espaço.

Como você enxerga essa questão cultural e qual a conseqüência disso para a divulgação da sua música?
- Isso passa pelos produtores. A música está nas mãos dos produtores, são eles que decidem o que o público vai ouvir. Tem muita gente em cargo errado por aí. Mas a cultura não tem dono. Vocês estavam falando do Rio, a prefeitura do Rio nunca me chamou para fazer nada. O César maia não me conhece. O presidente Lula parece que não se preocupa com a cultura, só apóia projetos assistencialistas. Ele diz que governa para o povo. Ora, o povo gosta de cultura… Daqui a pouco o Lula vai fazer o “Caverna Família”, o “vale-tigre”, é uma pena.

Conta um pouco sobre essa descoberta da sua música por essa nova geração através da internet; há, inclusive, um myspace em sua homenagem…
- Myspace? O que é isso? Esse troço ajuda? (risos). Rapaz, eu não sei mexer em nada de internet, mas acho muito bom isso. O artista que não tem um site hoje não é ninguém. Eu vendo muitos shows através da minha página, principalmente para o exterior. Eu quero tocar. Eu gosto de tocar. Onde me chamarem eu vou; tanto aqui, quanto lá fora, não tem problema. Mas é claro que eu quero tocar mais aqui no Brasil. Mas deixe estar. O público jovem me adora, cara, me explica isso se eu não toco em rádio? Eu quero é divulgar minha obra. Eu tô aí.

TEXTO POR THALES RAMOS E EMILIANO MELLO. FOTO: BRUNO VILLAS BÔAS

17 Comentários Add your own

  • 1. Andréa N.  |  março, 2007 às 3:14 pm

    Excelente entrevista, Thales. Que bate-papo delicioso. Parabéns! Vou divulgar lá no blog.

    Responder
  • 2. Daniel Cardoso  |  março, 2007 às 3:20 pm

    Guinga è um genio!!! simplesmente espetacular… sou fâ incondicional dele… !!!!

    Responder
  • 3. Elis*  |  março, 2007 às 3:44 am

    Delícia….
    …eu que não conheço o trabalho do Guinga tive vontade de conhecer melhor…
    vontade de ouvir “Casa da Villa”, ouvir “Noturno Copacabana”, ouvir “Delírio Carioca”, ouvir “Suíte Leopoldina”………
    Parabéns! beijinhus*

    Responder
  • 4. Marcio Tapajós  |  março, 2007 às 1:21 pm

    ..

    Beleza pura!!!

    GUINGA !!! GUINGA !!!

    Quem quiser vê-lo tocar na gravação da música “Que Nem Manequim” [Mauricio Tapajós e Paulo César Pinheiro], do cd “Mauricio Tapajós – Sobras Repletas”:

    Excelente a qualidade das matérias.
    Um abraço

    ..

    Responder
  • 5. Ava Araujo  |  março, 2007 às 6:03 pm

    Muito bacana a entrevista! Leve e com muito bom humor sempre, uma característica do Guinga! :) Parabéns aos dois pela entrevista e texto!
    Abraço grande, Ava Araujo

    Responder
  • 6. Ava Araujo  |  março, 2007 às 6:04 pm

    E o blog é lindo!
    Já ia saindo sem dizer isso! Mas já vou voltando sempre a partir de hoje. :)

    Responder
  • 7. zeca barreto  |  março, 2007 às 9:58 pm

    é o melhor do mundo e pronto…

    Responder
  • 8. Luis Otávio  |  março, 2007 às 11:25 pm

    Texto e fotos também. Valeu!

    Responder
  • 9. Fulano Sicrano  |  março, 2007 às 12:05 am

    Se é pra ajudar a divulgar o trabalho dele, estamos aí! Segue o link:

    http://umquetenha.blogspot.com/2007/03/guinga-casa-de-villa-2007.html

    Linda entrevista, lindo trabalho o do blog.

    Responder
  • 10. Vanesca  |  março, 2007 às 9:03 am

    É uma pena mesmo que músicos brasileiros de talento não tenham espaço dentro do próprio país. Parabéns pela entrevista! Adorei conhecer um pouco mais do Guinga. Ele deve ser mesmo uma figura!

    Responder
  • 11. William Rogério  |  março, 2007 às 4:26 am

    Guinga é simplesmente sensacional!!!!! Sou fã dele, tenho todos os discos, coleciono suas músicas gravados por outros autores, fui no seu show em BH com Paula Santoro,…
    Um dois maiores compositores do planeta, estou certo que, aos poucos, ele vai ficar conhecido no Brasil. Que tal um lobby pra ele ser capa de revista semanal? Seria o máximo!
    Abraços e parabéns pela entrevista…

    Responder
  • 12. Lula  |  março, 2007 às 8:09 pm

    ótima entrevista Thales! Parabéns pelo bom gosto !

    Responder
  • 13. Lucas Júnior  |  abril, 2007 às 10:35 pm

    Guinga é um cara simples mesmo. Tem muita estrela por aí que não falaria com um blog. Gostei da entrevista. Abraços, Lucas

    Responder
  • 14. Marcelo  |  junho, 2007 às 2:33 pm

    Queria que o Guinga fosse meu tio! Que cara fantástico! Simples, humilde e ao mesmo tempo um dos maiores gênios da música atual! Values Thales!

    Responder
  • 15. Augusto Silveira  |  julho, 2007 às 9:23 pm

    Bela e oportuna entrvista com Guinga. Se o medio e grande publico ainda nao está ouvindo, nos e Deus tamos ouvindo; azar d’eles. Que grave logo esse DVD. E tem mais: o canto do Guinga é do tamanho ou maior que seu violao; confiram e parabens

    Responder
  • 16. Eugenia  |  julho, 2007 às 8:04 pm

    esse é fera…

    Gostei do blog! Vou voltar…

    Responder
  • 17. Marcos cabeça  |  julho, 2007 às 10:45 am

    o melhor, sem duvidas, gostei do blog tb, parabens! ateh!

    Responder

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