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Paulo Moura vai fazer falta…

Lá se vai mais um grande. O desgosto pelas segundas-feira é quase uma unânimidade, em uma que falece um cara como Paulo Moura, o gosto de fel fica ainda mais forte na boca.

Grande clarinetista. Vai fazer falta.

Abaixo vejam o video do músico com a cantora Maysa.

Add comment julho, 2010

Reis do morro

Por Thiago Dias

Se Vagner Love e Adriano são investigados hoje pela relação com traficantes, a história envolvendo sambistas e o crime vem de muito mais longe. Foi até imortalizada na voz de Bezerra da Silva e nos versos de Beto Sem Braço e Serginho Meriti em “Meu bom juiz”: “Vou provar que lá no morro ele é rei, coroado pela gente”, cantava o mestre da malandragem em homenagem a José Carlos Encina, o Escadinha, um dos fundadores do Comando Vermelho.

A última semana ficou marcada no mundo da bola por duas notícias envolvendo o Flamengo: o “Fantástico” exibiu imagens de Vagner Love cercado por homens armados no baile funk da Rocinha, enquanto o jornal “O Dia” revelou que Adriano comprou uma moto para a mãe do chefe do tráfico na Chatuba.

Em outubro de 1996, o mesmo “O Dia” publicou reportagens sobre o envolvimento de sambistas e escolas com traficantes no Rio de Janeiro. Recentemente, o jornalista Bruno Filippo publicou na página “O Dia na Folia” a íntegra da matéria “O tráfico de outros carnavais”, de 20 de outubro daquele ano, assinada por Ricardo França. “As fotografias que mais chamaram a atenção dos agentes da DRE foram as de Escadinha durante um show de pagode na prisão. Frequentador assíduo dos ensaios do Império Serrano, o traficante aparece esfuziante, vestindo uma camisa estampada colorida, arriscando passos de samba e posando para fotografias ao lado de Beto Sem Braço e Almir Guineto. Até o malandro do bom partido, Bezerra da Silva — com uma bolsa à tiracolo — foi fotografado ao lado do ex-chefe do tráfico do Morro do Juramento.”, diz o texto da reportagem.

O nome de Beto Sem Braço, que morreu em 1993 vítima de tuberculose, é o mais citado: “Laudemir Casemiro, o Beto Sem Braço, desfilava com desenvoltura entre o mundo do tráfico e as sucessivas vitórias no samba do Impéro. (…) A polícia sempre acompanhou, de longe, os passos de Beto Sem Braço e suas amizades no mundo do crime. Em setembro de 1990, encontrou o nome e o telefone dele na agenda do seqüestrador Washington de Oliveira, o Ostinho , filho de outro criminoso, Francisco Viriato de Oliveira, o Japonês — que, por sua vez, é amigo de Escadinha , em Bangu I”.

No estudo “Hegemonia e resistência: imprensa, violência e cultura popular – ‘Pois este homem não é tão ruim como você pensa’” (dissertação de pós-graduação da UFF), o sociólogo Alexandre Magno Gonzalez de Lacerda também levanta a relação de alguns compositores com criminosos, com base em reportagens publicadas em jornais cariocas. O texto cita até uma matéria de “O Globo” que acusa Beto Sem Braço de ter dado um churrasco em seu sítio para comemorar a histórica fuga de Escadinha da prisão usando um helicóptero em 1 de janeiro de 1986. O sambista negou, em seu depoimento, a história.

Há pouco tempo, um dos cantores mais populares do país foi parar atrás das grades: Belo, preso em 2002 acusado de envolvimento com o tráfico no Rio depois de ter sido flagrado em conversas telefônicas. O caso ficou famoso pelos “tênis AR” do ex-vocalista do Soweto, já em liberdade.

A Estação Primeira de Mangueira, também já foi envolvida em escândalos policiais. Uma comitiva da escola chegou a participar da festa de casamento de Fernandinho Beira-Mar, o que gerou uma crise política na agremiação e a renúncia do presidente Percival Pires. Pouco depois, o ex-chefe do tráfico no morro, Francisco Paulo Testas Monteiro (Tuchinha), ganhou a disputa de samba enredo em 2008 e assinou como Francisco do Pagode. No mesmo ano, a polícia acusou que a quadra da agremiação  tinha uma passagem secreta para traficantes entrarem no camarote. Tudo foi negado pela direção da Verde-e-rosa.
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1 comment março, 2010

Dos tempos de Noel

Por Thiago Dias

Ainda em um dos primeiros períodos de faculdade, ouvi de um professor em sala de aula uma teoria que jamais saiu da minha cabeça: “Os jornais não publicam suicídios para não incentivar que outras pessoas façam o mesmo”. Isso valeria para quem se joga da Ponte Rio-Niterói e nos trilhos do metrô, por exemplo, o que segundo ele aconteceria toda semana.

E o que isso tem a ver com samba? É uma pergunta que eu faria também se caísse nesse blog agora. Então respondo: a origem dessa teoria vem do início do século passado e envolveu, acreditem, Noel Rosa, o poeta da Vila.

A história está no melhor livro já escrito sobre o sambista, de João Máximo e Carlos Didier: “Noel Rosa: uma biografia”, que serviu de base para o enredo da Vila Isabel neste ano na Sapucaí.

Em outubro de 1927, perto de completar 17 anos, Noel chegou em casa de madrugada após mais uma noitada e deu de cara com uma cena chocante no quintal: sua avó, Bellarmina de Medeiros Rosa, com a cabeça pendurada por uma corda, morta. Vó Bella suicidou-se e o primeiro a ver o corpo foi o então estudante do São Bento.

João Máximo e Carlos Didier mostram que a notícia virou destaque em jornais da época, como “A Noite” e “O Correio da Manhã”. A família de Noel não gostou nada de ver sua intimidade nas páginas policias e reclamou. Coriolano de Góes, chefe de Polícia, também não e enviou um ofício proibindo a divulgação de “certos fatos policiais ocorridos na cidade”.

De acordo com “A Noite”, de 17 de outubro, Coriolano divulgou uma circular aos delegados distritais proibindo-os de passarem à imprensa informações sobre crimes de morte e casos misteriosos. O livro segue lembrando o fato e o texto lembra a teoria do meu professor em sala de aula: “Coriolano considera a divulgação pelos jornais de tais fatos influenciadores de espíritos fracos”.

Sete anos depois, Noel teria mais uma perda por suicídio: seu pai, Manoel, também matou-se. Infelizmente, o acesso à biografia do poeta é difícil. Só há exemplares em sebos e sites especializados, que pedem até R$ 400. Os autores, que atualmente não têm boa relação, já tentaram relançar a obra, mas esbarram em problemas com as sobrinhas de Noel, que alegam invasão de privacidade contra a família. Uma pena.

Add comment março, 2010

Walter Alfaiate precisa de doadores de sangue

Nosso querido Walter Alfaite – a quem devemos muito aqui em O Samba – ainda está internado em estado grave na Unidade Coronariana do Hospital da Lagoa, na Zona Sul do Rio. Ele precisa de doadores de sangue. Quem puder doar sangue deve comparecer ao Hemorio, na Rua Frei Caneca, no Centro. Basta citar o nome do hospital e do paciente, Walter Nunes de Abreu. Todo tipo de sangue pode ser doado para repor o banco. Para quem não sabe, ele sofre de enfisema pulmonar, ineficiência cardíaca e arritmia.

Walter Alfaiate deu entrevista ao blog em outubro de 2007, quando ainda estávamos começando. Leia aqui: O Alfaiate, na linha do samba.

Add comment janeiro, 2010

O estrangeiro rubro-negro do Brasil

Por Bruno Villas Bôas

O blog O Samba é rubro-negro. É 75% rubro-negro (tem um tricolor escamoteado entre nós quatro). E esse foi o ano do Flamengo. Então vai aqui o samba do amigo Alvaro Gribel, músico e letrista de mão-cheia (myspace do Alvaro). O título é “Que falta ele fez na Gávea”. Era 10, agora é 43. Adivinha para quem foi a homenagem? Samba no player do blog (caixinha verde ao lado).

Add comment dezembro, 2009

Roberto Silva, o príncipe do samba

 
Por Bruno Villas Bôas

Quem ouviu alguma vez Roberto Silva cantar sabe que ele é o cara. Tem 71 anos de carreira, 89 de vida e continua na ativa. O próprio Paulinho da Viola disse em um papo aqui com o blog que Roberto Silva é o maior sambista em atividade. E quem há de discordar de Paulinho da Viola? É bom saber argumentar.

Recentemente Roberto Silva gravou quase três horas de papos e histórias no projeto “Depoimentos para a Posteridade”, do Museu da Imagem e do Som. Foi em outubro último, dia vinte e pouco. A imagem que ilustra este post é o momento da gravação, com Paulinho da Viola ao fundo.

E quem tem alguma dúvida de que Roberto Silva é o “príncipe do samba” ouça a recente gravação do mestre de “Jornal da Morte” (Miguel Gustavo) que está no “MTV Apresenta” do Casuarina. Ou o CD “O samba é minha nobreza”, de 2002, em que canta em várias faixas, como “Mãe solteira”.

Roberto Silva gravou originalmente “Jornal da Morte” em 1961. No player do blog (caixinha aqui no menu ao lado) está essa versão original para tocar. O autor Miguel Gustavo conseguiu rimar “retratos do casal” com “decúbito dorsal”. É qualquer coisa de genial.

Thales Ramos já fez um post sobre essa música. Ele também conseguiu bater um papo rápido com Roberto Silva depois de um show, o que deu inveja a muita gente do blog (eu incluso). Tentamos algumas vezes marcar um papo mais longo, mas esbarramos na agenda.

Add comment dezembro, 2009

Meu medo maior é o espelho se quebrar

Por Thiago Dias

Das 100 maiores músicas brasileiras, escolhidas pela revista Rolling Stone, 32 nasceram no samba. Ou são sambas autênticos ou de gêneros que se relacionam com ele, como choro, marchinha e bossa nova. Ou seja, na terra do carnaval, até uma revista com nome gringo e inspiração rock`n roll se rende ao ritmo criado no quintal da Tia Ciata.

Destaque para as duas páginas que abrem a matéria: os primeiro, segundo e terceiro lugares do ranking são de Chico Buarque, Tom Jobim e Pixinguinha, representantes de três gerações de sambistas geniais que circularam por todos os lados da MPB.

A lista tem ainda Jorge Ben, Cartola, Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa, João Bosco, Aldir Blanc, Caetano Veloso, Noel Rosa, Martinho da Vila, Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Mas há uma grande – e imperdoável – injustiça: faltou a dupla João Nogueira/Paulo César Pinheiro.

Havia espaço no ranking para pelo menos uma composição dos dois: Espelho. A história da vida de João está entre os maiores sambas da história. Não há quem não se arrepie ao pensar no pai de anel no dedo e dedo na viola. Sorria e parecia mesmo ser feliz.

Confira os sambas e sambistas da lista da Rolling Stone:

1 – Construção (Chico Buarque)
2 – Águas de março (Tom Jobim)
3 – Carinhoso (Pixinguinha/Braguinha)
5 – Mas que nada (Jorge Ben)
6 – Chega de saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
9 – Canto de Ossanha (Baden Powell/Vinicius de Moraes)
12 – Aquarela do Brasil (Ary Barroso)
13 – As rosas não falam (Cartola)
14 – Desafinado (Tom Jobim/Newton Mendonça)
15 – Trem das Onze (Adoniran Barbosa)
17- O mundo é um moinho (Cartola)
18 – Sinal fechado (Paulinho da Viola)
27 – Garota de Ipanema (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
34 – Brasil pandeiro (Assis Valente)
36 – O bêbado e a equilibrista (João Bosco/Aldir Blanc)
41 – Manhã de carnaval (Luis Bonfá/Antônio Maria)
42 – Sampa (Caetano Veloso)
53 – Brasileirinho (Waldir Azevedo/Ruy Pereira Costa)
57 – Conversa de botequim (Noel Rosa/Vadico/Francisco Alves)
58 – Apesar de você (Chico Buarque)
67 – A banda (Chico Buarque)
73 – Wave (Tom Jobim)
75 – Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)
76 – Samba de verão (Marcos Valle/Paulo Cesar Valle)
84 – Rosa (Pinxinguinha/Otávio de Souza)
85 – O barquinho (Bôscoli/Roberto Menescal)
86 – Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues)
89 – A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito/Alcides Caminha)
91 – Felicidade (Lupicínio Rodrigues)
94 – O mar (Dorival Caymmi)
95 – Último desejo (Noel Rosa)
96 – Disritmia (Martinho da Vila)

5 comments novembro, 2009

Quer mais samba? Sugira uma reportagem

Por Equipe O Samba

Galera, o blog está querendo retomar reportagens bacanas. Queremos sugestão de vocês, leitores. Matérias curiosas, entrevistas com sambistas. Também estamos com umas ideias na cabeça. Vamos botar O Samba pra tocar. Sugiram nos comentários!

10 comments novembro, 2009

Toca do Rato: recanto do samba

Toca do Rato 1

Por Thales Ramos
Foto Rodrigo Peixoto

Ao chegar a pergunta da cabrocha: “É aqui mesmo? Tem Certeza? Não tem nada escrito.” De fato, nada indica que no número 110 da rua Conselheiro Agostinho, Engenho de Dentro, na primeira sexta-feira do mês e na última quarta, se transforma na Toca do Rato, roda de samba organizada por Ratinho, compositor de sucessos como “Vai vadiar” e “Coração em desalinho”.

“Hoje em dia eu não divulgo tanto, ficava muito lotado. Saía nos jornais, internet. Mas os vizinhos começaram a reclamar do barulho, aí já viu”, lamenta.

Ratinho nasceu Alcino Correia e foi criado em Pilares. Pela Caprichosos, escola do bairro, ganhou sete sambas-enredo incluindo um estandarte de ouro em 78, “Festa da uva, no Rio Grande do Sul”. Tem mais de dez músicas gravadas com o parceiro Zeca Pagodinho e outras por Roberto Ribeiro, Jovelinha Pérola Negra, Jorge Aragão, Almir Guineto, Fundo de Quintal, Dorina, Beth Carvalho, Fátima Guedes, Revelação e Ivete Sangalo. Entre os parceiros mais famosos estão Monarco, Mauro Diniz e Zé Luiz do Império. Desde 2004 ele organiza a Toca do Rato, ao lado da sua esposa Dê, que toca a cozinha.

Lá a porta fica aberta e toda boa intenção é bem vinda. Passando pela garagem logo se vê um quadro de Lima Barreto e Guilherme de Brito, indicando que ali é lugar de quem gosta de samba. Seguindo o cheiro do feijão (sexta), do peixe (quarta) e o batuque, chega-se aos fundos da casa onde ocorre o pagode que começa às 14h.

“Horário de vagabundo, não é?”, brinca o anfitrião. Uma placa atrás da bancada do bar tem dizeres que fazem coro com ele: “Se um dia você pensar em trabalhar, senta, pensa, que a vontade passa”. A se reparar também a uma galeria de 10 retratos pintados por Bartholo meu Junior, com sambistas ilustres.

Nas duas vezes em que eu compareci Délcio Carvalho e Luísia Dionísio deram canjas, mas por lá muita gente boa já cantou.”Roberto Silva cantou aqui. Wilson Moreira também. Os maiores públicos foram Luiz Carlos da Vila, que era muito meu amigo, e Marquinhos Santana (ou Satã). No dia do Marquinhos tinha gente em tudo que é lugar”, confirma o dono da casa que também dá suas canjas. Tudo isso registrado nas paredes com grande número de fotos.

A Toca do Rato é um lugar onde se é bem recebido, a comida é muito boa e o clima é informal e tranquilo. Literalmente uma casa de samba, com todos os predicados e um pagode feito por músicos excelentes. A luta de Ratinho agora é transformar o recanto em ponto cultural.

“Isso aqui é um lugar de cultura onde grandes nomes da música passaram. Estou tentando transformar isso aqui em ponto cultural, caso contrário fica difícil continuar”, conclui.

Top 5 de Ratinho:

Coração em Desalinho (com Monarco): Cantada por Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela.

Meiguice Descarada (com David Correa): cantada por Reinaldo.

Vai Vadiar (com Monarco): clip de Zeca Pagodinho

Parabéns pra você (com Sereno e Mauro Diniz): por Alcione e Fundo de Quintal

Loucuras de uma paixão (com Mauro Diniz): Ivete Sangalo e Jorge Aragão

3 comments setembro, 2009

Daniel Pereira lança seu “Ganha Pão”

Por Thales Ramos

Quem gosta de samba bom e procura sempre ouvir coisa nova, não pode perder o lançamento do cd “Ganha Pão”, de Daniel Pereira, quinta-feira no Asa Branca. Eu já escutei e afirmo: é muito bom.

Conheci Daniel há dois anos atrás numa roda de samba do Feijão de Corda, em Niterói. Fiz um amigo. Sempre enfrentei as rodas de samba em busca de aprendizado e entretenimento. Com o repertório dele conheci muita coisa boa e voltei escutar outras tantas, que não ouvia há muito tempo. Suas canjas e shows sempre foram corajosas nesse quesito, com sambas de breque e muito Bezerra da Silva.

Em janeiro do ano passado o cantor-jornalista (ou seria o contrário) nos concedeu uma entrevista e com um texto matreiro do camarada Emiliano Mello, foi recorde de comentários no blog. Leiam aqui.

É com felicidade e respeito que indico a vocês “Ganha Pão”. Quinta-feira lugar de bamba é no Asa Branca. Sucesso, meu velho!

Serviço: Espaço Cultural Asa Branca
Av. Mem de Sá, 17 – Lapa
Ingressos: R$12 (antecipado)
R$20 (na hora)

*O cd “Ganha Pão”, custa R$7. Para escutar a bolachinha envie email para danielpereira.blog@gmail.com ou compareça nos shows, onde sai por R$5.

Add comment agosto, 2009

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