Posts filed under ‘Discos’
Pedro Holanda quer ganhar o mundo com samba
Por Thales Ramos Foto: Divulgação
Na próxima segunda-feira, dia 27, o cantor Pedro Holanda lança seu primeiro disco “Demorô”, no Trapiche Gamboa. Filho da geração que participou da revitalização da Lapa, o cara aposta num trabalho autoral. Com isso ele espera ter seu trabalho exposto e fortalecer a leva recente de sambistas rumo ao reconhecimento.
Blog sorteia um par de ingressos para o primeiro leitor (a) que enviar um email para blogsamba@gmail.com. Leiam regulamento no post abaixo.
“Tem pouco espaço para trabalho autoral, mas se eu não mostrar minha música, quem é que vai mostrar?”, diz ele.
Em seu primeiro disco ele não fica preso somente ao samba. E repreendendo rótulos, compôs frevo e forró. Apostando na brasilidade do disco ele espera ter o trabalho reconhecido fora do Rio de Janeiro, onde fez carreira tocando com grupos como Batifundo, Orquestra Guanabara, Anjos da Lua e Orquestra Republicana.
“O Meu disco é da Lapa, mas quero ser do mundo também”.
Pedro bateu um papo conosco, leiam abaixo.
Você fez um samba chamado “Plano Cruzado”(medida econômica no Governo José Sarney) há mais de 20 anos, foi sua primeira composição? Desde quando você compõe?
Eu tinha 12 anos quando fiz “Plano Cruzado”. Meu primeiro instrumento foi o piano e mais ou menos nessa época comecei a tocar violão. Eu viajava nas férias e não tinha como praticar piano, o violão me dava essa comodidade. Eu acho que já tinha feito umas 2 músicas de rock, mas o samba veio junto. Meu pai ouvia muito Tom Jobim e choro. Lá em casa se escutava de tudo, mpb, rock…Meu pai era baiano e minha mãe de Fortaleza, deu uma mistura boa. Mas um garoto de 12 anos fazer um samba, realmente não era uma coisa muito normal.
Você foi um dos caras que participou do processo de revitalização da Lapa, no seu disco tem uma música chamada “Na Lapa” que parece a história dessa época..
A Lapa teve várias fases. Nos anos 40 teve a época das grandes orquestras e depois morreu. Aquela música do Chico Buarque, “Homenagem ao malandro”, fala sobre isso. O cara vai a Lapa e não reconhece o lugar. Quando a gente começou a tocar lá, a Lapa era um lugar obscuro e perigoso, ninguém ia lá. A gente começou a tocar no Democráticos e estava abandonado. A canção é sobre isso, um recorte dessa fase da Lapa.
O disco é de músicas autorais, a época de fazer trabalhos só com sambas da antiga já passou?
Eu acho que as pessoas tem muita aversão a coisa autoral, mas isso está mudando. Não tinha tanto isso, parece coisa de piada, as pessoas sempre querem ouvir aquela do português, que já conhece. E tem pouco espaço para trabalho autoral. Mas se eu não mostrar a minha música quem é que vai mostrar? Na roda de samba chega alguém e pede alguma música conhecida. Ou seja, aparece gente nova, mas as músicas são velhas.
Aqui no Rio tem surgido muitos cantores (as) e grupos de samba nos últimos anos, falta espaço no rádio e na televisão?
Falta sim, mas está mais do que era. Eu vejo que o rádio tem mais abertura, como na MPB FM que tem o “Samba Social Clube”. Na época que fiz o “Plano Cruzado”, só tocava rock. A rádio está abrindo para isso, a televisão menos.
No disco você dialogo com outros estilos, como foi a experiência?
Tem forró, frevo, para mim é uma coisa natural. As pessoas tem muito essa coisa de rótulo e eu procurei fazer um disco bem brasileiro. É de samba sim, mas tem outras coisas diferentes. MPB é o que? Música brasileira. O samba acaba ficando num gueto, só Lapa. Aí acaba que o artista fica conhecido apenas no Rio de Janeiro. A Teresa Cristina agora ficou mais conhecida, mas quando ela vai fazer shows, ainda se referem a Teresa da Lapa. O Meu disco é da Lapa, mas quero ser do mundo também.
E o nome do disco?
Já toco há muito tempo e as pessoas sempre me perguntavam quando eu ia lançar um cd. “Demorô” é uma gíria que remete a coisa boa. As pessoas falam isso e transmitem algo bom. O título do disco também faz menção ao tempo que demorei para gravar. É um trabalho independente, bancado do próprio bolso. E o artista vai pagando do trabalho, aos poucos.
Serviço:
Trapiche Gamboa
Rua Sacadura Cabral, 155 – Praça Mauá
Data 27/09
Horário: 20h Ingreso: R$ 15
Bambas de berço
Por Thiago Dias
Começou nesta quarta-feira, dia 14, a gravação do CD de um grupo com DNA nobre: Bambas de Berço, que tem como integrantes filhos de sambistas consagrados, como Arlindo Cruz e Esgoleba. A banda se reuniu no estúdio Cia. dos Técnicos, em Copacabana, e iniciou o trabalho, que deve dar origem também a DVD e série de shows com convidados especiais como Diogo Nogueira e Maria Rita, também herdeiros de bambas.
Como produtor dos meninos, nada mais nada menos que Arlindo Cruz. O “sambista perfeito” está empolgado com o projeto e confia no taco de Arlindo Neto, seu filho, para fazer bonito. O jovem já tem algumas parcerias com o pai gravadas e segue caminho também nas escolas de samba (neste ano, minha União da Ilha desfilou com um samba seu).
Em breve, será a vez de Arlindo entrar em estúdio para iniciar a gravação de seu novo CD. O sambista tem 28 músicas guardadas para selecionar o repertório.
Bezerra canta o candidato safado caô caô

Por Bruno Villas Bôas
Ano que vem é ano de eleição. Então aqui vai uma lição do saudoso Bezerra da Silva. “Candidato Caô Caô”, na voz dele. O político fez de tudo: subiu o morro sem gravata, tomou cachaça, fumou bagulho. Comeu em lata de goiabada como prato, bebeu água da chuva. Só que no terreiro o guia estava incorporado e entregou: “esse político é safado”. Cuidado na hora de votar. Ouça o samba no player do blog (caixinha verde aqui na lateral do lado direito do blog) e confira a letra abaixo. Como saber se o candidato é safado? Coloca o nome dele na busca desse site e veja o resultado: www.excelencias.org.br
Candidato Caô Caô
(Walter Meninão e Pedro Butina)
Ele subiu o morro sem gravata
Dizendo que gostava da raça
Foi lá na tendinha
Bebeu cachaça
Até bagulho fumou
Jantou no meu barracão
E lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Para a próxima eleição
Ah! E lá usou!
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Para a próxima eleição…
Eeeeeeeeeeeeh!
Ele fez questão
De beber água da chuva
Foi lá no terreiro
Pedir ajuda
E bateu cabeça no gongá
Mas ele não se deu bem
Porque o guia
Que tava incorporado
Disse esse político é safado
Cuidado na hora de votar…
Também disse:
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia
Lhe bater
Podes crer!
As mulheres de Neguinho
Por Emiliano Mello
Samba sem mulher é apagão em Itaipu. Não rola. Fora que ela é inspiração de 99% das canções. E como é bonito de se ver a cabrocha quebrando o quadril ao sabor do batuque, vagabundo levando no gogó enquanto a plateia bate na palma da mão. Saravá jongo! Saravá!
Pode faltar cerveja. Mas mulher pisando nos astros distraída, não.
E Neguinho da Beija Flor, que sabe das coisas, não marcou bobeira. Fez logo *O* hino à figura feminina que tanto nos arrebata. Uma ode à essa feiticeira dos corações embriagados, do peito em chamas e da miséria masculina.
Ouça no player do blog (caixinha verde ao lado) “Mulher, Mulher, Mulher”, novo sucesso de Neguinho. O clipe que abre o post é cortesia do bamba Thiago Dias. Tem versão funk no site do Neguinho. A letra você acompanha aqui.
Ê pandeirão!
Meu medo maior é o espelho se quebrar
Das 100 maiores músicas brasileiras, escolhidas pela revista Rolling Stone, 32 nasceram no samba. Ou são sambas autênticos ou de gêneros que se relacionam com ele, como choro, marchinha e bossa nova. Ou seja, na terra do carnaval, até uma revista com nome gringo e inspiração rock`n roll se rende ao ritmo criado no quintal da Tia Ciata.
Destaque para as duas páginas que abrem a matéria: os primeiro, segundo e terceiro lugares do ranking são de Chico Buarque, Tom Jobim e Pixinguinha, representantes de três gerações de sambistas geniais que circularam por todos os lados da MPB.
A lista tem ainda Jorge Ben, Cartola, Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa, João Bosco, Aldir Blanc, Caetano Veloso, Noel Rosa, Martinho da Vila, Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Mas há uma grande – e imperdoável – injustiça: faltou a dupla João Nogueira/Paulo César Pinheiro.
Havia espaço no ranking para pelo menos uma composição dos dois: Espelho. A história da vida de João está entre os maiores sambas da história. Não há quem não se arrepie ao pensar no pai de anel no dedo e dedo na viola. Sorria e parecia mesmo ser feliz.
Confira os sambas e sambistas da lista da Rolling Stone:
1 – Construção (Chico Buarque)
2 – Águas de março (Tom Jobim)
3 – Carinhoso (Pixinguinha/Braguinha)
5 – Mas que nada (Jorge Ben)
6 – Chega de saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
9 – Canto de Ossanha (Baden Powell/Vinicius de Moraes)
12 – Aquarela do Brasil (Ary Barroso)
13 – As rosas não falam (Cartola)
14 – Desafinado (Tom Jobim/Newton Mendonça)
15 – Trem das Onze (Adoniran Barbosa)
17- O mundo é um moinho (Cartola)
18 – Sinal fechado (Paulinho da Viola)
27 – Garota de Ipanema (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
34 – Brasil pandeiro (Assis Valente)
36 – O bêbado e a equilibrista (João Bosco/Aldir Blanc)
41 – Manhã de carnaval (Luis Bonfá/Antônio Maria)
42 – Sampa (Caetano Veloso)
53 – Brasileirinho (Waldir Azevedo/Ruy Pereira Costa)
57 – Conversa de botequim (Noel Rosa/Vadico/Francisco Alves)
58 – Apesar de você (Chico Buarque)
67 – A banda (Chico Buarque)
73 – Wave (Tom Jobim)
75 – Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)
76 – Samba de verão (Marcos Valle/Paulo Cesar Valle)
84 – Rosa (Pinxinguinha/Otávio de Souza)
85 – O barquinho (Bôscoli/Roberto Menescal)
86 – Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues)
89 – A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito/Alcides Caminha)
91 – Felicidade (Lupicínio Rodrigues)
94 – O mar (Dorival Caymmi)
95 – Último desejo (Noel Rosa)
96 – Disritmia (Martinho da Vila)
Daniel Pereira lança seu “Ganha Pão”
Por Thales Ramos
Quem gosta de samba bom e procura sempre ouvir coisa nova, não pode perder o lançamento do cd “Ganha Pão”, de Daniel Pereira, quinta-feira no Asa Branca. Eu já escutei e afirmo: é muito bom.
Conheci Daniel há dois anos atrás numa roda de samba do Feijão de Corda, em Niterói. Fiz um amigo. Sempre enfrentei as rodas de samba em busca de aprendizado e entretenimento. Com o repertório dele conheci muita coisa boa e voltei escutar outras tantas, que não ouvia há muito tempo. Suas canjas e shows sempre foram corajosas nesse quesito, com sambas de breque e muito Bezerra da Silva.
Em janeiro do ano passado o cantor-jornalista (ou seria o contrário) nos concedeu uma entrevista e com um texto matreiro do camarada Emiliano Mello, foi recorde de comentários no blog. Leiam aqui.
É com felicidade e respeito que indico a vocês “Ganha Pão”. Quinta-feira lugar de bamba é no Asa Branca. Sucesso, meu velho!
Serviço: Espaço Cultural Asa Branca
Av. Mem de Sá, 17 – Lapa
Ingressos: R$12 (antecipado)
R$20 (na hora)
*O cd “Ganha Pão”, custa R$7. Para escutar a bolachinha envie email para danielpereira.blog@gmail.com ou compareça nos shows, onde sai por R$5.
‘Fases do coração’, melhor cd de samba deste ano

Por Bruno Villas Bôas
O cd novo do Moyseis Marques ficou bom demais. O cara realmente canta muito e escolhe repertório como poucos. Já tem por aí na internet pra baixar, mas vale comprar para incentivar o trabalho dele, que ficou show de bola.
Algumas músicas me chamaram mais a atenção: “Entre os girassóis”, “Oitava cor” (aquela do Fundo de Quintal…), “Cartas do metro” e “Fases do Coração”. Tem outras, mas essas me prenderam aqui. Estou ouvindo direto.
Se quiser uma palhinha para conferir antes de comprar, tem no Myspace dele (http://www.myspace.com/moyseismarques).
O nome do cd é “Fases do coração”.
Esse cd do Moyseis Marques está um pouco mais pagode, sem nenhum demérito. O primeiro cd tinha mais gafieiras e aquela música do Paulo César Pinheiro, “Nomes de favelas”. Excelente, por sinal. Quem ouviu o “Lamento do samba” do Paulinho Pinheiro certamente foi tragado por essa faixa.
Pra mim, o melhor cd de samba do ano até aqui. Discorda? Então comenta.




