“Fala Mangueira!” expõe a favela em verde e rosa
novembro, 2010 at 4:16 am Deixe um comentário
Por Thales Ramos
“Fala Mangueira”, de Frederico Confalonieri e argumento de Sérgio Cabral capta com muita sensibilidade características do Morro da Mangueira em 1981. Música, união, violência, religião, relacionamento, carência, ausência do poder público, quase sempre na voz e opinião do morador mangueirense, que tem narração luxuosa de Grande Otelo. O filme foi postado no youtube por calulinho.
O samba serve como trilha sonora para imagens documentadas na favela e algumas poucas de ficção, como a que abre o filme com “Alvorada” (Cartola/Carlos Cachaça/Hermínio Bello de Carvalho) de fundo e um menino pegando uma manga no lixo, seguido da poética dança do mestre-sala descendo a ladeira. O filme alterna cenas poéticas com a situação lamentável de seus moradores.
“É, a manga é boa mas tá nolixo. Só quem provar dessa manga que pode entender uma favela, o samba, alegria do pobre”.
Os depoimentos e imagens de figuras ilustres e moradores são ponto alto do filme. Tem Dona Neuma falando da solidaridade dos vizinhos, na busca do pão de cada dia, literalmente. Martinho da Vila homenageando Padeirinho. Carlos Cachaça falando da parceria com Cartola. Abdias Nascimento voltando a favela após 45 anos, primeiro lugar onde morou no Rio de Janeiro. Dr. Paulo, um médico que assiste a população, fala de problemas de saúde gerados por “problemas existenciais”.
O espírito da comunidade é exaltado na medida que as lentes priorizam o discurso dos moradores. Uma moradora lamenta a situação em se encontra o carnaval, refém das alegorias e desvalorizando o sambista.
“Estão confundindo samba no pé. Alegoria é terceiro dia de carnaval. Tem que acabar com o quesito alegoria”.
O mérito do filme é justamente manter o tom de denúncia, mas sem perder o sorriso do mangueirense. Seja na feijoada, nos ensaios da quadra lotada ou na expectativa do desfile. “Fala Mangueira!” vale cada frame. O Mangueirense abandonado a própria sorte é apenas um microcosmo do Brasil da época. Da época?
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