Pedro Holanda quer ganhar o mundo com samba

setembro, 2010 at 1:07 am 2 comentários


Por Thales Ramos Foto: Divulgação

Na próxima segunda-feira, dia 27, o cantor Pedro Holanda lança seu primeiro disco “Demorô”, no Trapiche Gamboa. Filho da geração que participou da revitalização da Lapa, o cara aposta num trabalho autoral. Com isso ele espera ter seu trabalho exposto e fortalecer a leva recente de sambistas rumo ao reconhecimento.

Blog sorteia um par de ingressos para o primeiro leitor (a) que enviar um email para blogsamba@gmail.com. Leiam regulamento no post abaixo.

“Tem pouco espaço para trabalho autoral, mas se eu não mostrar minha música, quem é que vai mostrar?”, diz ele.

Em seu primeiro disco ele não fica preso somente ao samba. E repreendendo rótulos, compôs frevo e forró. Apostando na brasilidade do disco ele espera ter o trabalho reconhecido fora do Rio de Janeiro, onde fez carreira tocando com grupos como Batifundo, Orquestra Guanabara, Anjos da Lua e Orquestra Republicana. 

“O Meu disco é da Lapa, mas quero ser do mundo também”.

Pedro bateu um papo conosco, leiam abaixo.

Você fez um samba chamado “Plano Cruzado”(medida econômica no Governo José Sarney) há mais de 20 anos, foi sua primeira composição? Desde quando você compõe?

Eu tinha 12 anos quando fiz “Plano Cruzado”. Meu primeiro instrumento foi o piano e mais ou menos nessa época comecei a tocar violão. Eu viajava nas férias e não tinha como praticar piano, o violão me dava essa comodidade. Eu acho que já tinha feito umas 2 músicas de rock, mas o samba veio junto. Meu pai ouvia muito Tom Jobim e choro. Lá em casa se escutava de tudo, mpb, rock…Meu pai era baiano e minha mãe de Fortaleza, deu uma mistura boa. Mas um garoto de 12 anos fazer um samba, realmente não era uma coisa muito normal.

Você foi um dos caras que participou do processo de revitalização da Lapa, no seu disco tem uma música chamada “Na Lapa” que parece a história dessa época..

A Lapa teve várias fases. Nos anos 40 teve a época das grandes orquestras e depois morreu. Aquela música do Chico Buarque, “Homenagem ao malandro”, fala sobre isso. O cara vai a Lapa e não reconhece o lugar. Quando a gente começou a tocar lá, a Lapa era um lugar obscuro e perigoso, ninguém ia lá. A gente começou a tocar no Democráticos e estava abandonado. A canção é sobre isso, um recorte dessa fase da Lapa.

O disco é de músicas autorais, a época de fazer trabalhos só com sambas da antiga já passou?

Eu acho que as pessoas tem muita aversão a coisa autoral, mas isso está mudando. Não tinha tanto isso, parece coisa de piada, as pessoas sempre querem ouvir aquela do português, que já conhece. E tem pouco espaço para trabalho autoral. Mas se eu não mostrar a minha música quem é que vai mostrar? Na roda de samba chega alguém e pede alguma música conhecida. Ou seja, aparece gente nova, mas as músicas são velhas.

Aqui no Rio tem surgido muitos cantores (as) e grupos de samba nos últimos anos, falta espaço no rádio e na televisão?

Falta sim, mas está mais do que era. Eu vejo que o rádio tem mais abertura, como na MPB FM que tem o “Samba Social Clube”. Na época que fiz o “Plano Cruzado”, só tocava rock. A rádio está abrindo para isso, a televisão menos.

No disco você dialogo com outros estilos, como foi a experiência?

Tem forró, frevo, para mim é uma coisa natural. As pessoas tem muito essa coisa de rótulo e eu procurei fazer um disco bem brasileiro. É de samba sim, mas tem outras coisas diferentes. MPB é o que? Música brasileira. O samba acaba ficando num gueto, só Lapa. Aí acaba que o artista fica conhecido apenas no Rio de Janeiro. A Teresa Cristina agora ficou mais conhecida, mas quando ela vai fazer shows, ainda se referem a Teresa da Lapa. O Meu disco é da Lapa, mas quero ser do mundo também.

E o nome do disco?

Já toco há muito tempo e as pessoas sempre me perguntavam quando eu ia lançar um cd. “Demorô” é uma gíria que remete a coisa boa. As pessoas falam isso e transmitem algo bom. O título do disco também faz menção ao tempo que demorei para gravar. É um trabalho independente, bancado do próprio bolso. E o artista vai pagando do trabalho, aos poucos.

Serviço:
Trapiche Gamboa
Rua Sacadura Cabral, 155 – Praça Mauá
Data 27/09
Horário: 20h Ingreso: R$ 15

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Promoção: par de ingressos, show de Pedro Holanda Onde tem Samba: Tabuleiro da Baiana

2 Comentários Add your own

  • 1. Ciça  |  setembro, 2010 às 10:39 pm

    Linda entrevista! O Trapiche vai ferver na segunda, faça chuva ou faça sol! Até lá!

    Responder
  • [...] já foram personagens aqui no blog. Daniel Pereira, Pedro Ivo (parceria com Marcus Monteiro) e Pedro Holanda. Os dois primeiros são amigos do peito e de [...]

    Responder

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