Guimarães Rosa e o samba
julho, 2010 at 5:14 am 1 comentário
Veredas no sertão baiano, tão presentes na obra de Guimarães Rosa
Por Thales Ramos
Foto Thales Ramos
“Sagarana”, gravada por Clara Nunes no álbum “Forças da Natureza, celebra o aperto de mãos de um dos maiores escritores brasileiros com o samba. A música de mesmo nome de um livro de Guimarães Rosa, publicado em 1946, virou canção nas mãos de João de Aquino e Paulo Cesar Pinheiro.
A letra é inspirada na maneira inovadora de como o Guimarães Rosa escrevia, como no caso de “Grande Sertão: veredas”. Ganha um ramo de Buritis quem cantar a letra sem titubear!
Sagarana
(João de Aquino/Paulo Cesar Pinheiro)
A ver, no em-sido
Pelos campos-claro: estórias
Se deu passado esse caso
Vivência é memória
Nos Gerais
A honra é-que-é-que se apraz
Cada quão
Sabia sua distinção
Vai que foi sobre
Esse era-uma-vez, ‘sas passagens
Em beira-riacho
Morava o casal: personagens
Personagens, personagens
A mulher
Tinha o morenês que se quer
Verdeolhar
Dos verdes do verde invejar
Dentro lá deles
Diz-que existia outro gerais
Quem o qual, dono seu
Esse era erroso, no à-ponto-de ser feliz demais
Ao que a vida, no bem e no mal dividida
Um dia ela dá o que faltou… ô, ô, ô…
É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa e o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana…
A pois que houve
No tempo das luas bonitas
Um moço êveio:
- Viola enfeitada de fitas
Vinha atrás
De uns dias para descanso e paz
Galardão:
- Mississo-redó: Falanfão
No-que: “-se abanque…”
Que ele deu nos óio o verdêjo
Foi se afogando
Pensou que foi mar, foi desejo…
Era ardor
Doidava de verde o verdor
E o rapaz quis logo querer os gerais
E a dona deles:
“-Que sim”, que ela disse verdeal
Quem o qual, dono seu
Vendo as olhâncias, no avôo virou bicho-animal:
- Cresceu nas facas:
- O moço ficou sem ser macho
E a moça ser verde ficou… ô, ô, ô…
É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa e o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana…
Quem quiser que cante outra
Mas à-moda dos gerais
Buriti: rei das veredas
Guimarães: buritizais!
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1.
Chico Alves | setembro, 2010 às 7:17 pm
Quem escreveu já titubeo e perdeu o ramo de buritis rsrsr
A palavra é distrição e não distinção.
“Cada quão sabia a sua distrição”
Valeu moçada
Chico Alves