Reis do morro
março, 2010 at 2:40 am 1 comentário
Por Thiago Dias
Se Vagner Love e Adriano são investigados hoje pela relação com traficantes, a história envolvendo sambistas e o crime vem de muito mais longe. Foi até imortalizada na voz de Bezerra da Silva e nos versos de Beto Sem Braço e Serginho Meriti em “Meu bom juiz”: “Vou provar que lá no morro ele é rei, coroado pela gente”, cantava o mestre da malandragem em homenagem a José Carlos Encina, o Escadinha, um dos fundadores do Comando Vermelho.
A última semana ficou marcada no mundo da bola por duas notícias envolvendo o Flamengo: o “Fantástico” exibiu imagens de Vagner Love cercado por homens armados no baile funk da Rocinha, enquanto o jornal “O Dia” revelou que Adriano comprou uma moto para a mãe do chefe do tráfico na Chatuba.
Em outubro de 1996, o mesmo “O Dia” publicou reportagens sobre o envolvimento de sambistas e escolas com traficantes no Rio de Janeiro. Recentemente, o jornalista Bruno Filippo publicou na página “O Dia na Folia” a íntegra da matéria “O tráfico de outros carnavais”, de 20 de outubro daquele ano, assinada por Ricardo França. “As fotografias que mais chamaram a atenção dos agentes da DRE foram as de Escadinha durante um show de pagode na prisão. Frequentador assíduo dos ensaios do Império Serrano, o traficante aparece esfuziante, vestindo uma camisa estampada colorida, arriscando passos de samba e posando para fotografias ao lado de Beto Sem Braço e Almir Guineto. Até o malandro do bom partido, Bezerra da Silva — com uma bolsa à tiracolo — foi fotografado ao lado do ex-chefe do tráfico do Morro do Juramento.”, diz o texto da reportagem.
O nome de Beto Sem Braço, que morreu em 1993 vítima de tuberculose, é o mais citado: “Laudemir Casemiro, o Beto Sem Braço, desfilava com desenvoltura entre o mundo do tráfico e as sucessivas vitórias no samba do Impéro. (…) A polícia sempre acompanhou, de longe, os passos de Beto Sem Braço e suas amizades no mundo do crime. Em setembro de 1990, encontrou o nome e o telefone dele na agenda do seqüestrador Washington de Oliveira, o Ostinho , filho de outro criminoso, Francisco Viriato de Oliveira, o Japonês — que, por sua vez, é amigo de Escadinha , em Bangu I”.
No estudo “Hegemonia e resistência: imprensa, violência e cultura popular – ‘Pois este homem não é tão ruim como você pensa’” (dissertação de pós-graduação da UFF), o sociólogo Alexandre Magno Gonzalez de Lacerda também levanta a relação de alguns compositores com criminosos, com base em reportagens publicadas em jornais cariocas. O texto cita até uma matéria de “O Globo” que acusa Beto Sem Braço de ter dado um churrasco em seu sítio para comemorar a histórica fuga de Escadinha da prisão usando um helicóptero em 1 de janeiro de 1986. O sambista negou, em seu depoimento, a história.
Há pouco tempo, um dos cantores mais populares do país foi parar atrás das grades: Belo, preso em 2002 acusado de envolvimento com o tráfico no Rio depois de ter sido flagrado em conversas telefônicas. O caso ficou famoso pelos “tênis AR” do ex-vocalista do Soweto, já em liberdade.
A Estação Primeira de Mangueira, também já foi envolvida em escândalos policiais. Uma comitiva da escola chegou a participar da festa de casamento de Fernandinho Beira-Mar, o que gerou uma crise política na agremiação e a renúncia do presidente Percival Pires. Pouco depois, o ex-chefe do tráfico no morro, Francisco Paulo Testas Monteiro (Tuchinha), ganhou a disputa de samba enredo em 2008 e assinou como Francisco do Pagode. No mesmo ano, a polícia acusou que a quadra da agremiação tinha uma passagem secreta para traficantes entrarem no camarote. Tudo foi negado pela direção da Verde-e-rosa.
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1.
TIBÉRIO | março, 2010 às 6:09 pm
e viva a favela!!!!!