Os carnavais não acabam quarta-feira
fevereiro, 2010 at 3:25 am 4 comentários
Por Thales Ramos
Passada quarta-feira de cinzas meu peito é socado por algumas recordações da festa do Momo. Muitos criticam os foliões, por que nessa época os brasileiros “esquecem” os problemas e caem na festa sem culpa alguma. Mantenho-me fora do círculo dos críticos. São tantos pepinos durante o ano, que acho justo fingir que está tudo bem durante quatro dias do ano.
Voltando as lembranças, enumero aqui, algumas mais importantes e que não por acaso falam mais forte a minha memória. Carnaval é época boa. É o melhor feriado do ano e talvez por isso durante o período aconteçam tantas histórias que ficam marcadas no resto da nossa vida.
Lembro dos meus carnavais na cidade natal da minha mãe, Porciúncula. Meu tio tinha uma escola de samba chamada Unidos da Ponte, onde toda a família desfilava. Uma vez sugeri um enredo sobre futebol e como prêmio desfilei no carro alegórico, ao lado de Friaça, ponta-direita que fez o gol do Brasil na final da copa de 50. Mais velho passei vários carnavais lá e sempre levava uma penca de amigos, dois deles conheceram suas futuras esposas lá. Aconteceu o mesmo com outro camarada na Bahia. Teve um ano que comecei um namoro e no seguinte terminei. Lembro de acordar numa rodoviária de uma cidade vizinha, sem saber muito bem onde estava. Lembro que uma vez me fantasiei de capitão América e que era comum minha coroa costurar com o próprio punho uma fantasia pra mim.
Lembro que quando era moleque eu comprava o cd das escolas de samba e gravava todos os sambas-enredo e o respectivo nome de cada puxador. Todo desfile eu sabia o nome de todos e o que mais eu gostava era o esquenta, onde o intérprete solitário com o cavaco fazia a introdução da escola na Sapucaí.
Não esqueço o carnaval de 93, quando vi Salgueiro fazer o carnaval mais absoluto que eu me recordo. No mesmo ano estreou a Grande Rio no grupo especial e eu ainda morava em Duque de Caxias. Lembro como fiquei emocionado com a comissão de frente da Mangueira, com os componentes com as máscaras de vários nomes do samba, como Pixinguinha, Beto Sem-braço e Candeia.
Lembro de quando vi pela primeira vez a minha Beija-flor ser campeã, empatada com a verde e rosa. Era tradição meu pai comprar a revista Fatos e Fotos, com as melhoras imagens das melhores desnudas do carnaval. Minhas madrugadas eram embaladas pelos bailes picantes do Scala. Lembro que uma vez o Fernando Vanucci disse que a Viviane Araújo era a paroxítona do carnaval, quando ela apareceu de seios de fora, na Vila Isabel. A moça nem era famosa ainda e eu não entendi o que ele quis dizer.
Em 2007 passei meu primeiro carnaval nos blocos do Rio de Janeiro e no meio da imponência do Bola Preta tomando a Rio Branco, surgiu a ideia de fazer esse blog. No mesmo carnaval, junto com mais três amigos deixamos correndo um Palio no meio de uma ladeira no Méier, com fumaça e cheiro de gás muito forte. Desde então nunca mais passei um carnaval fora da capital. O carnaval seguinte foi ainda melhor. Me recordo de passar todo o percurso do bloco Songorocosongo debaixo da chuva e protegendo uma cabrocha com uma sombrinha. Ela ficou seca e eu encharcado. Desde então ela me prende em todos carnavais.
E você? Comente aqui sua lembrança marcante de carnaval.
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1.
diogo | fevereiro, 2010 às 2:42 pm
carnaval é isso aí… viva a maior festa do mundo!!!
2.
Marbel Araújo | fevereiro, 2010 às 2:57 pm
É como uma viagem no tempo ler seu post, é sentir de verdade a minha infância passar por essa tela de computador, pelo simples fato de ler algo sobre você, sim falou de você, porém falou para mim.
Eta saudade de ouvir casos alegres e macabro de Porciuncula, mesmo sabendo que os macabros eram mais de interesse da criançada do que os demais. Tudo agora é engraçado, depois de tantos anos.
3.
Veronica | fevereiro, 2010 às 11:50 pm
Carnaval sempre me emociona…
Acho uma festa democratica, misturada e sem precocentio…
Pular nas s’erias ruas dos muitos engravatados do ano inteiro, tambem faz o carnaval parecer mais m’agico e surreal!
adoro!!
4.
Luana | fevereiro, 2010 às 4:47 pm
Ah, o carnaval de 2008! Foi minha grande descoberta dos lindos blocos coloridos de santa teresa e do centro. Desde então não tenho coragem de passar os dias de folia longe do Rio. Os pontos altos do carnaval sem dúvida foram o bloco Songorocossongo e o malandro que segurou cavalheiramente a sombrinha para que nao me molhasse durante o percurso…;)