Archive for novembro, 2008

Uma reedição, várias citações

sambenredo

Por Thiago Dias

Confesso que depois que o “Menina, quem foi teu mestre?” perdeu a disputa no Salgueiro, os sambas-enredo de 2009 perderam a graça para mim. Mas depois de ouvir cinco vezes cada um da nova safra, já posso falar que tenho um preferido: Imperatriz.

O CD do próximo carnaval é marcado pela série de citações a obras passadas ou compositores marcantes. Gosto disso. E talvez esta seja a razão da minha preferência pelo hino da escola da Leopoldina, que traz o enredo “Imperatriz… só quer mostrar que faz samba também”.

Apesar de ser uma referência a Noel Rosa, o tema é em homenagem aos 50 anos da agremiação. O enredo acaba envolvendo também todo o bairro de Ramos, onde passei boa parte da minha infância (estudei sete anos no Instituto Pio XI, pertinho da Rua Professor Lacê). O samba já começa com um “ei, ei ei, ei, ei”, que parece que vai continuar com um “olha, meu amor” dos velhos tempos do Cacique. Bela lembrança.

Entre citações a sambas antigos da escola, é no refrão que está a melhor sacada do carnaval 2009:

“Se você fala de mim, não sabe o que diz
Muito prazer, sou a Imperatriz”

Os compositores Josimar, Jorge Arthur, Valtenci, Di Andrade e Carlos Kind entenderam a brincadeira que Rosa Magalhães fez com o nome do enredo, ao recordar Noel Rosa, e usam um trecho da mesma “Palpite infeliz” para criar em cima da idéia original. Criatividade. Genial.

Na Portela, a parte mais bonita da música de Ciraninho, Diogo Nogueira, Júnior Escafura, Wanderley Monteiro e L.C. Máximo está no verso de Monarco:

“São vinte e uma estrelas que brilham no meu olhar
Se eu for falar da Portela não vou terminar”

A Mangueira usa o portelense Paulinho da Viola para enfeitar seu refrão e homenagear Jamelão, a “voz do samba”. A criação é de Lequinho, Gilson Bernini, Junior Fionda e Gusttavo:

“A voz do samba é verde-e-rosa
E nem cabe explicação”

Se em 2005 a Porto da Pedra copiou um samba inteiro da União da Ilha (“Festa Profana”), desta vez a escola de São Gonçalo pegou só um trechinho do histórico “O amanhã” para falar de curiosidade:

“Como será o amanhã Que
Deus me permita ser só alegria”

Por fim, há o Império Serrano, que vai reeditar o manjado “A lenda das sereias e os mistérios do mar”, que em 1976 ficou em sétimo e chamava-se “A lenda das sereias, rainhas do mar”. A nova gravação está muito acelerada, para variar. Escute no player no menu à direita a música original, em uma versão muito mais bonita por sinal…

novembro, 2008 at 5:48 pm 5 comentários


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