Samburá

outubro, 2008

Por Thiago Dias. Foto de Bruno Villas Bôas

Com “Sambista Perfeito”, Arlindo Cruz consolidou sua carreira solo. Era o que ele esperava, como contou em conversa com O SAMBA minutos antes de subir ao palco do Teatro Rival há quase um ano para lançar o CD. O bamba tocou nas rádios, foi indicado a prêmios e confirmou o que dissemos em novembro: virou pop e vai lançar em breve um “Ao vivo MTV”. Bem diferente de 15 anos atrás, quando gravou sozinho pela primeira vez. Mas tão bom quanto.

“Arlindinho”, primeiro LP do compositor depois que saiu do Fundo de Quintal, tem algumas preciosidades de Arlindo que aos poucos vão sendo esquecidas. Uma delas é um exemplo do que o imperiano fez de melhor ao lado de Franco: “Tô a Bangu”. A letra brinca com nomes de bairros do Rio e mostra como o doutor faz falta ao mundo do samba.

Na época, Arlindo e Franco viviam fase ímpar. Sucesso no FDQ, o “Urso” decidiu se arriscar sozinho e regravou hits como “Castelo de cera” e “Só pra contrariar”. Não estava com a voz tão boa, mas com a inspiração em alta. Assim como Franco, que estava em seu auge: tricampeão de sambas na União da Ilha, incluindo as obras-primas “Festa Profana” (1989) e “De bar em bar, Didi um poeta” (1991), ou, como ele chamava, “Porres 1 e 2”.

“As melhores músicas do Arlindo foram com o Franco. Ele estudava muito, pesquisava antes de escrever. O próprio Arlindo uma vez me confidenciou que o Franco foi seu melhor parceiro. Depois, o Sombrinha”, diz o jornalista Hilton Mattos, amigo de Arlindinho e pesquisador da obra do compositor.

Também com a assinatura da dupla, com o apoio de Marquinhos PQD, o disco, carinhosamente chamado de “Da capa azul”, traz “Zé do Povo”, que também brinca com a sonoridade de palavras para sentidos diferentes. Com Geraldão, os dois fizeram “Peixe demais pro meu samburá”. Cá entre nós: “samburá” só entraria mesmo em um samba de Franco.

No “Sambista perfeito”, a última parceria dos compadres gravada por Arlindo antes da morte prematura de Franco: “Quem gosta de mim”, que conta a história do imperiano. Procurando a tal afirmação, Arlindo lembra seu passado na letra e diz saber quem são as pessoas que gostam dele. Hoje, pelo visto, todo mundo.

Escute no menu à direita “Peixe demais pro meu samburá” e “Tô a Bangu”.

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