Archive for outubro \22\UTC 2008

Luiz Carlos da Vila, o show tem que continuar

Bruno Veiga/Divulgação

Por Equipe O Samba

Geralmente, as músicas mais bonitas nascem depois de um amor desfeito. Uma doce ironia, de como a dor pode depois causar um sorriso. É o caso de “O show tem que continuar”, uma das obras-primas que Luiz Carlos da Vila nos deixou.

O poeta, que foi embora na segunda-feira, dia 20, fez a primeira parte triste por causa de um relacionamento que não deu certo. Dizia assim:

    “O teu choro já não toca
    Meu bandolim
    Diz que minha voz sufoca
    Teu violão
    Afrouxaram-se as cordas
    E assim desafina
    E pobre das rimas
    Da nossa canção
    Se hoje somos folha morta
    Metais em surdina
    Fechada a cortina
    Vazio o salão”

Luiz levou a letra para Arlindo Cruz e Sombrinha completarem a música. O final “Vazio o salão” encucou Arlindinho, como me conta um amigo próximo do imperiano. “O cara já deu um fim triste à história. Sombrinha, como que a gente vai meter uma segunda dando um final feliz?”, perguntou.

A solução encontrada pela dupla foi encaixar o “Se os duetos não se encontram mais” e mudar o rumo daquele amor infeliz. A música entrou para a história. E agora, sem Luiz Carlos, o show também vai ter que continuar.

2 comments outubro, 2008

Samburá

Por Thiago Dias. Foto de Bruno Villas Bôas

Com “Sambista Perfeito”, Arlindo Cruz consolidou sua carreira solo. Era o que ele esperava, como contou em conversa com O SAMBA minutos antes de subir ao palco do Teatro Rival há quase um ano para lançar o CD. O bamba tocou nas rádios, foi indicado a prêmios e confirmou o que dissemos em novembro: virou pop e vai lançar em breve um “Ao vivo MTV”. Bem diferente de 15 anos atrás, quando gravou sozinho pela primeira vez. Mas tão bom quanto.

“Arlindinho”, primeiro LP do compositor depois que saiu do Fundo de Quintal, tem algumas preciosidades de Arlindo que aos poucos vão sendo esquecidas. Uma delas é um exemplo do que o imperiano fez de melhor ao lado de Franco: “Tô a Bangu”. A letra brinca com nomes de bairros do Rio e mostra como o doutor faz falta ao mundo do samba.

Na época, Arlindo e Franco viviam fase ímpar. Sucesso no FDQ, o “Urso” decidiu se arriscar sozinho e regravou hits como “Castelo de cera” e “Só pra contrariar”. Não estava com a voz tão boa, mas com a inspiração em alta. Assim como Franco, que estava em seu auge: tricampeão de sambas na União da Ilha, incluindo as obras-primas “Festa Profana” (1989) e “De bar em bar, Didi um poeta” (1991), ou, como ele chamava, “Porres 1 e 2”.

“As melhores músicas do Arlindo foram com o Franco. Ele estudava muito, pesquisava antes de escrever. O próprio Arlindo uma vez me confidenciou que o Franco foi seu melhor parceiro. Depois, o Sombrinha”, diz o jornalista Hilton Mattos, amigo de Arlindinho e pesquisador da obra do compositor.

Também com a assinatura da dupla, com o apoio de Marquinhos PQD, o disco, carinhosamente chamado de “Da capa azul”, traz “Zé do Povo”, que também brinca com a sonoridade de palavras para sentidos diferentes. Com Geraldão, os dois fizeram “Peixe demais pro meu samburá”. Cá entre nós: “samburá” só entraria mesmo em um samba de Franco.

No “Sambista perfeito”, a última parceria dos compadres gravada por Arlindo antes da morte prematura de Franco: “Quem gosta de mim”, que conta a história do imperiano. Procurando a tal afirmação, Arlindo lembra seu passado na letra e diz saber quem são as pessoas que gostam dele. Hoje, pelo visto, todo mundo.

Escute no menu à direita “Peixe demais pro meu samburá” e “Tô a Bangu”.

Add comment outubro, 2008

Fonte de inspiração


Por Thiago Dias
Foto de Bruno Villas Bôas

Autor do samba-enredo campeão com a Portela em 1966, “Memórias de um sargento de milícias”, Paulinho da Viola passa longe das atuais disputas nas escolas. “Acho que eu não conseguiria fazer um samba para um andamento tão rápido. Nunca nem tentei. Nunca me imaginei fazendo um samba acelerado assim”, disse o mestre à edição de abril do jornal O SAMBA, que agora pode ser baixado aqui no blog pelos amantes da música.

Porém, será difícil os versos de Paulinho ficarem de fora da Marquês de Sapucaí em 2009. Em rápida pesquisa pelas parcerias concorrentes para o próximo carnaval, achamos três letras que usam trechos de músicas do craque. Duas delas na Portela. Uma de sua filha, Eliane Faria, que concorre pela primeira vez na Águia e que teve seu samba classificado para a semifinal do concurso da escola de Oswaldo Cruz. Isso sem contar a disputa na União de Jacarepaguá, que desfilará no Grupo B com o enredo “A toda hora rola uma história, com samba e chorinho de Paulinho da Viola”.

Eliane e os parceiros Alexandre Baia e Jair PQD homenageiam Paulinho no enredo “E por falar em amor! Onde anda você?”, com um verso de “Foi um rio que passou em minha vida”, a maior declaração de amor já feita à azul-e-branco:

    “Meu coração tem mania de amor
    Sem a Portela não sei o que sou
    Vinte uma vezes me fez delirar
    És o meu rio, meu céu e o mar.”

Paulinho gostou. “Eu ouvi o samba e gostei. Dou a maior força e estou na torcida. É um desejo de pai, né? Mas eu prefiro não ir à disputa, porque não costumo mesmo acompanhar a escolha por conta das minhas atividades. Vou continuar acompanhando de longe”, afirmou o mestre ao companheiro Thales Ramos, que agora ajuda também no conteúdo do site amigo “Tudo de Samba”.

Ainda na Portela, Serginho Procópio, Bandeira Brasil, Celso Lopes, Alexandre Fernandes e Charles André buscaram inspiração no mesmo clássico do mestre para falar de amor:

    “Sou portelense, eu sou
    Com muito amor
    Um laço forte que não dá pra desatar
    Na minha vida foi um rio que passou
    E o meu coração se deixou levar.”

Até os mangueirenses se renderam ao filho de César Faria. Os favoritos Lequinho, Gilson Bernini, Clarão e Jr. Fionda beberam de “Sei lá, Mangueira”, a declaração de amor do portelense Paulinho e de Hermínio Bello de Carvalho à verde-e-rosa:

    “Sou a cara do povo, Mangueira
    Eterna paixão
    A voz do samba é Verde-e-Rosa
    E nem cabe explicação.”

Add comment outubro, 2008


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