O sensato destino de Almir Guineto
setembro, 2008

Por Thiago Dias, Emiliano Mello
e Thales Ramos. Foto de Ari Kaye
Tupã, município a 520 quilômetros da capital São Paulo, tem cerca de 65 mil. Um deles sabe bem o valor que tem o silêncio de uma pequena cidade: Almir Guineto, que há cinco anos trocou a batucada dos grandes centros pela paz no interior paulista. O compositor jura que agora só bebe água, tenta parar com o cigarro e que não cai mais nas tentações como antigamente.
“Ninguém é de ferro. Descobri isso com a idade”, diz o sambista, de 61 anos.
Na década de 80, Almir Guineto chegou a fazer cinco shows por noite, 67 por mês. “Era uma ignorância”, resume o sambista, que não tem a mesma badalação de 20 anos atrás, mas segue como um dos artistas mais lembrados nas rodas, com sucessos como “Pranto que chorei”, “Insensato destino”, “Caxambu”, “Mel na boca”, “Conselho”, “Lama nas ruas”, entre diversos outros.
Leia aqui a entrevista exclusiva
O exílio o afastou do público carioca, que sente falta da presença do bamba. Mas ele nem pensa em voltar a morar na terra natal. Almir deixou o Rio de Janeiro e o morro do Salgueiro cedo. Em 69, já morava em São Paulo para tocar cavaquinho com os Originais do Samba. A ida para o interior veio após o casamento com Cristina, neta de uma líder de escola de samba em Tupã.
“É a cidade dos aposentados. Todo mundo me pergunta como eu deixei a praia para morar lá. Mas a gente descobre que dá para se adaptar a qualquer lugar. Não saio mais do mato não”, afirma
Boi, amendoim e Almir Guineto. Estas são as três estrelas de Tupã. A mudança representa também o início de um novo estilo de vida do cantor. Nos anos 80, quando o pagode estourou no Brasil, ele ficou marcado por faltar a muitas apresentações. Hoje, reconhece que “ficar bêbado todo dia” não vale mais a pena.
“Tinha uma época que o pessoal só entrava no show depois que eu e o Zeca (Pagodinho) já estávamos na casa. A gente faltava muito, isso era um absurdo”, admite Almir, em entrevista exclusiva à equipe O SAMBA, em um hotel no Rio.
O compositor garante não sentir saudades do tempo em que era o maior nome do pagode no Brasil, já que “nem podia sair de casa”. Mas, em Tupã, a rotina de autógrafos continua quando anda pelas ruas. Coisa rara, por sinal. “Ele não sai muito de casa não. Fica mais trabalhando, mas parece que ele gosta muito da cidade”, conta o prefeito Waldemir Gonçalvez Lopes.
Na chácara em Tupã, nada de pagodes. Lá reina a tranqüilidade e o samba perde para o sertanejo no gosto popular. “O negócio é cantar para boi”, brinca Almir, se referindo às freqüentes festas de peão boiadeiro da cidade.
A música sertaneja pode ser a preferida na cidade, mas a presença do carioca faz o samba ser respeitado. “Sabemos da obra do Almir, de tudo que ele fez pelo samba. É uma honra tê-lo aqui, pois Tupã não tem celebridades”, diz o prefeito.
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1.
Bruno Silva | outubro, 2008 at 6:17 pm
Salve,salve…..meu amigo
a cada dia que passa vc me surpreende com belas entrevista
parabéns e continue assim.
2.
Roberto Moreira | outubro, 2008 at 3:45 pm
viva o rei partideiro!