Roberto Silva, sem perder a majestade

setembro, 2008 at 1:17 am 7 comentários


Por Thales Ramos

“Treino é treino, jogo é jogo”, disse Roberto Silva, na passagem de som. Parafraseando Didi, o Príncipe Etíope, o Príncipe do Samba acertava os últimos detalhes para sua apresentação no palco do Sesc Niterói.

No jogo, deu tudo certo. Cantando para um auditório lotado, quase todo formado por contemporâneos, ele esbanjou simpatia e disposição. Sempre interagindo com o público, sambou o show inteiro. O público matou saudades e, como sempre, Roberto Silva cantou muito.

O Príncipe do Samba mostrou o carisma que só os grandes cantores têm. Cada música que cantava, sempre sem olhar a letra, fazia uma pausa para se dirigir ao público: “Juracy foi uma música que o Caetano (Veloso) pediu pra gravar comigo, no Casa de Samba”, lembrou.

E, assim, se seguiram Amélia e uma série de clássicos de Nelson Cavaquinho e Ataulfo Alves. Outra história interessante foi a surpresa que Zeca Pagodinho preparou no aniversário de casamento dos pais:

“Ele me ligou e pediu para que eu fosse na casa dele em Xerém. Cheguei escondido para não estragar a surpresa. Quando os pais dele me viram, ficaram muito emocionados”, lembrou.

Depois do show, mesmo com a van de motor ligado, Roberto foi paciente e concedeu uma entrevista rápida ao blog, bem disposto e elegante.

O SAMBA: Paulinho da Viola nos disse em uma entrevista que o senhor é o maior sambista vivo. O que o senhor pensa disso?

ROBERTO SILVA: – Eu o conheço desde pequeno. Eu toquei com o César, pai dele. Uma vez eu estava gravando uma música do Flamengo e ele, garoto, estava lá sentado me olhando. Anos depois ele virou Paulinho da Viola. Isso muito me honra. Ele tem carinho por mim. O Paulinho disse: “Jamais aceitarei o título de príncipe do samba, enquanto o Roberto tiver vivo.” O João Gilberto disse que sou o Rei do Samba, mas não vou aceitar isso. Ser rei dá muito trabalho (risos).

O senhor foi um ícone da época de ouro do rádio. O senhor ainda ouve rádio?

- Ainda escuto. Rádio Nacional, MEC, Roque Pinto. Gosto muito do programa do Osmar Frazão, um programa de pesquisa.

“Jornal da Morte” (Miguel Gustavo), gravada pelo senhor, parece muito atual pela quantidade de jornais sensacionalistas.

- É uma letra muito moderna. Eu cheguei a ser preso na época da ditadura por causa dessa música. A letra “Um escândalo amoroso / Com retratos do casal / Um bicheiro assassinado / Em decúbito dorsal”, é bem atual sim. Canto nos shows e faz muito sucesso. A Pitty gravou, o Nação Zumbi também.

O samba perdeu espaço?

- Não acho. Se você for ver o pagode é uma continuação do samba. O pagode é o filho do samba, eu diria. Eu entro no palco e o pessoal canta comigo. No Nordeste então é uma loucura. Eu faço shows pelo Brasil inteiro e é sempre assim. O público jovem também gosta muito de mim.

E quem o senhor gosta de ouvir hoje?

- Zeca Pagodinho, Casuarina, Quinteto em Branco e Preto, Caetano Veloso e Roberta Sá, entre outros.

No palco, o senhor samba o tempo inteiro. Como mantém a forma?

- Faço minha fisiquinha né? Não fumo e não bebo mais. Tenho uma companheira (aponta a esposa Syone) que vale muito. Ela parece uma injeção de ânimo (risos).

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7 Comentários Add your own

  • 1. Roberto Moreira  |  setembro, 2008 às 2:42 am

    salve sua majestade!

    Responder
  • 2. Fulano Sicrano  |  setembro, 2008 às 12:02 pm

    deliciosa entrevista, com gosto de “quero mais”…

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  • 3. Venâncio Seabra  |  setembro, 2008 às 9:11 pm

    Sensacional entrevista .. grande Roberto Silva!

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  • 4. Cacau Maria  |  setembro, 2008 às 3:04 am

    Foi através do Roberto Silva que nasceu minha paixão pelo samba… Um brinde ao mestre!

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  • 5. Liana  |  setembro, 2008 às 5:20 pm

    MOITOOO BOOOMMMM!!! =))))))

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  • 6. Everton Nunes  |  setembro, 2008 às 1:30 am

    Um dos maiores catores de todos os tempos do Brasil, e o melhor de tudo: Vivo e em plena atividade. Sua voz continua a de 70 anos atraz. Pena que a mídia não lhe reserva o merecido espaço. Reverenciado pelos maiores astros da atualidade mas sem espaço. Parabéns a vcs pela iniciativa. Abraços

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  • 7. Sangue, sangue, sangue « O samba é meu dom  |  dezembro, 2009 às 2:10 am

    [...] ano, Thales Ramos aqui do blog conseguiu bater um papo rápido com Roberto Silva depois de um show (veja aqui a entrevista que deu inveja no resto da galera do blog). Tentamos algumas vezes marcar um papo mais longo, mas esbarramos na [...]

    Responder

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