Mistério sem explicação
setembro, 2008 at 3:01 pm 2 comentários

Por Thiago Dias
“Tinha certeza que a vida ia ser melhor com esses sambas”, diz Marisa Monte a Paulinho da Viola para explicar por que começou a pesquisar as músicas dos compositores de Oswaldo Cruz. Uma frase que martela na minha cabeça desde que deixei a sala 5 do Unibanco Artplex nesta quarta-feira, às 21h35. Essa é a essência de “O mistério do samba”, documentário dirigido por Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor.
Sempre foi difícil explicar a alguém o que sinto quando escuto uma canção de Manacea, por exemplo. Ou de Cartola, que não é da Portela, assim como eu. É como Paulinho resume no filme quando lembra uma roda de samba na Portela: não se explica, só se sente.
Em 1970, o “sucessor de Paulo” sentiu que era preciso registrar aquilo. E produziu o primeiro disco da Velha Guarda da sua escola. Quase 30 anos depois, Marisa foi levada pela mesma curiosidade e nos presenteou com “Tudo Azul”, cuja pesquisa deu origem ao documentário.
Em entrevista ao SAMBA É MEU DOM, o diretor Lula lembra que a cantora considera a produção do disco uma missão de cidadã. Ver “O mistério do samba” é uma obrigação de cidadão. Eu votarei nulo ou até viajarei só para não ter que ir na urna eletrônica. Mas quero ir ao cinema de novo, de novo e de novo ver os mestres na telona.
Como explicar a cena de Monarco lembrando a letra de “Nascer e florescer”, de Manacea, até então nunca gravada? E as histórias de Argemiro, o “velho mais safado” que Zeca Pagodinho já conheceu? Ou a confirmação que Casquinha fez “Falsas Juras” para Tia Surica, sua ex-namorada? Não se explica, só se sente.
Confesso que temi que o filme ficasse mais em cima de Marisa e Paulinho do que das tias e compositores portelenses. Os dois são fundamentais para a preservação e divulgação dos sambas de Oswaldo Cruz e merecem destaque. Mas Lula e Carolina acertam na mão. Marisa e Paulinho vão ao bairro, nos apresentam a cultura local e abrem espaço para a Velha Guarda nos contar sua própria história. As duas estrelas, responsáveis por unir este grupo, até aparecem pouco para o que representam. Deixam o show para Monarco & Cia.
Como em um teatro, a platéia na sala 5 bateu palmas para a Velha Guarda quando as luzes se acenderam. Os portelenses não estavam ali, ao vivo. Mas todos sentiram, sem precisar de explicação, que a vida é sim melhor com esses sambas.
* * * *
Trailer do filme
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1.
Camila | setembro, 2008 às 5:39 pm
o filme é, sem dúvida, de arrepiar qualquer mortal!
2.
Juliana Correia | setembro, 2008 às 11:01 pm
Não sei q tanto ainda se impressionam!
Os morros, as favelas e as VG das escolas de samba são responsáveis por incríveis expressões da nossa cultura.
Será q somente qdo alg q ñ é “do babado” apontar para aquela direção é q se dará a devida credibilidade?