O mistério do samba em azul e branco

setembro, 2008 at 2:18 am 1 comentário


Bruno Veiga/Divulgação

Por Emiliano Mello e Thales Ramos

Na última sexta-feira estreou “O mistério do samba”, longa de Lula Buarque de Holanda e Carolina Jabor sobre o cotidiano e a riqueza arística da Velha Guarda da Portela. Além dos imortais portelenses Jair do Cavaquinho, Monarco e Tia Surica, o filme traz depoimentos de Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola e Marisa Monte, todos destacando a importância da Velha Guarda em suas formações musicais.

Por e-mail, o blog entrevistou o diretor Lula Buarque de Holanda, que nos falou, entre outras coisas, do plano de uma possível exibição do longa no bairro de Oswaldo Cruz.

Produzido em conjunto pela Conspiração Filmes e Phonomotor, “O mistério do samba” é fruto de quase 10 anos de pesquisa e 200 horas de filmagem. Alguns críticos brasileiros já se anteciparam em apontar o documentário como o “Buena Vista Social Club brasileiro”. Lula Buarque, no entanto, avisa: “Quando fizemos as primeira filmagens o Buena Vista ainda não tinha sido filmado.”

O SAMBA: Vocês colheram material junto aos bambas da Portela por quase 10 anos. Como foi organizar tudo e montar em pouco mais de uma hora de filme?

LULA BUARQUE: – Nós começamos as filmagens sem um roteiro, filmando intuitivamente o que nos parecia mais emocionante. Quando conseguimos o patrocínio da Natura para finalizar o projeto, ficamos cinco meses limpando o material na ilha e reduzimos para oito horas de material num primeiro momento até chegar a três horas de bruto. Neste momento começamos a definir o roteiro e as novas cenas que seriam filmadas. Com mais 30 horas de material , ficamos mais quatro meses até chegar ao corte final.

No total, foram mais de 200 horas de gravação, o que nos deixa curioso a respeito do material que ficou de fora. Certamente há muita preciosidade no baú. A respeito desse material inédito e de valor histórico, há planos para levá-lo ao conhecimento do público? Quais?

- Um dos pecados mais comuns no cinema é o excesso. Nos preocupamos em fazer um filme com um ritmo instigante e não podíamos usar tudo. No DVD vamos usar bastante coisa que ficou de fora. O resto do material vai ficar na “adega” da Conspiração.

A imprensa vem apontando o “Mistério do samba” como uma espécie brasileira de “Buena Vista Social Club”, de Win Wenders. Até que ponto a comparação procede? Essa necessidade de comparar produções nacionais à estrangeiras te incomoda?

- Na verdade os dois filmes são primos. Quando fizemos as primeira filmagens o Buena Vista ainda não tinha sido filmado. O fato de filmar mestres das duas culturas foi uma sincronicidade. A comparação é natural

O samba atravessou o século passando por diversas transformações: do namoro com o Jazz, na bossa nova, até as recentes fusões com a música eletrônica e até com o hip hop. Qual seria o mistério dessa música que se faz cada vez mais atemporal e universal?

- No caso do nosso filme o mistério que sugerimos revelar é a simplicidade. Como aquele cotidiano de Oswaldo Cruz se transforma em poesia. O samba tem uma força de raiz , de base da nossa cultura. Nada parece ser capaz de exterminá-lo. A fusão com outros ritmos faz parte do seu poder transformador.

Por que um gênero musical que é a base da música brasileira ainda é marginalizado a ponto de não haver, como mostra o filme, o registro de muitas das canções pesquisadas?

- A Marisa fala que fazer a produção de um disco como o Tudo Azul faz parte de sua missão como cidadã. Não podemos esperar que o estado resolva todas as nossas deficiências. O filme, esperamos, vai estimular em muitas pessoas, este desejo de preservar o que está quase esquecido.

Vocês têm em mente expor o filme em Oswaldo Cruz, para as pessoas que moram lá?

- Num futuro próximo vamos exibir o filme no Portelão para a comunidade portelense. Possivelmente em um Domingo logo após a feira das Iabás, organizada pelo Marquinhos de Oswaldo Cruz.

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1 Comentário Add your own

  • 1. Eduardo Carvalho  |  setembro, 2008 às 3:55 pm

    Amigos de O Samba.
    Soun jornalista, colunista do co-irmão de vcs Tudo de Samba. A última coluna é, a própósito, sobre o filme. Tenho um blog tb de samba (além da minha atividade profissional como jornalista), mas isso não vem ao caso.
    Quero pedir, por favor, que não deixem de me avisar quando souberem que o filme será mesmo exibido em Oswaldo Cruz (quando tiver data), ok?
    Um grande abraço, o site tá show.
    Eduardo Carvalho.

    Responder

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