Divas de lá e de cá
junho, 2008 at 9:20 pm 8 comentários
Por Emiliano Mello
Fala-se bastante desta nova geração de cantoras que têm no samba a grande fonte de inspiração. Talvez uma das mais talentosas seja Teresa Cristina, sobre quem Monarco chegou a declarar que “essa menina é coisa muito nossa, é coisa séria”. Claro que o leitor está livre para discordar. A lista é grande, e inclusive já fizemos uma enquete aqui no blog sobre o assunto.
A formação destas cantoras passa invariavelmente pelas rodas de samba informais espalhadas pelos subúrbios e comunidades Brasil adentro. O caminho é mais ou menos o mesmo: freqüentam rodas e mesas como espectadoras no início, em seguida arriscam canções nos intervalos, suas vozes conquistam os bambas, ganham moral e seguem carreira.
Há outra frente menos conhecida, no entanto. São as brasileiras que fazem carreira no exterior, cantando em pequenos pubs, em tímidas reuniões de amigos até chegarem aos grandes palcos. Consolidadas lá fora, voltam à antiga colônia fazendo o velho caminho dos conquistadores ultramarinos de antanho. Cá, passam a trilhar os pequenos palcos, nem sempre receptivos às “forasteiras”. Muitas sequer conseguem espaço no Brasil e retornam. Poucas brilham.
As jovens cantoras Céu e Mariana Aydar fazem parte do grupo das que foram bem recebidas de volta ao País. Apesar da formação – tanto social quanto profissional – bem diferente das suas conterrâneas, as damas têm em comum a música brasileira (sobretudo o samba) como inspiração e alicerce sobre os quais constroem suas carreiras.
Mariana é formada pela renomada Berklee College of Music e lançou seu primeiro disco, “Kavita 1”, em 2006. O álbum foi produzido por BiD – do clássico “Afrociberdelia”, do Chico Science & Nação Zumbi (um dos discos mais importantes da década de 90) e Duani, multinstrumentista do Forróçacana. A ligação de Mariana com a música brasileira vem de berço, através da sua mãe, a produtora Bia Aydar. As parceirias com João Donato, Leci Brandão, Chico César e Seu Jorge mostram que a moça sabe onde pisa. Atualmente, Mariana se divide entre os shows do primeiro disco e as pesquisas para o segundo trabalho.
Céu começou cantando em casas noturnas de Nova York e chegou a compor trilha para o cinema (Cidade Baixa, de Sérgio Machado). Em 2005, foi convidada para participar do JVC Jazz Festival, em Paris, onde acabou fincando residência. No mesmo ano, lançou seu disco de estréia, “Céu, La promesse du Brésil”(independente), na Europa. Não demorou para ser fisgada pela major Warner, que o lançou em seguida aqui. Produzido por Antonio Pinto (da trilha de “Cidade de Deus”), o disco mescla composições próprias com interpretações bem particulares, como em “O ronco da cuíca” (João Bosco e Aldir Blanc). Ano passado chegou ao posto mais alto da Billboard americana, feito somente alcançado por Astrud Gilberto em 1963, com “Garota de Ipanema”.
Mariana e Céu fazem parte da geração criada sem preconceitos musicais, que vê a música como arte universal, livre das amarras de estilos, rótulos, fronteiras e guetos. Seus trabalhos mesclam o tradicional ao moderno, com delicadeza, sem agressão aos estilos. Trabalham com a sutileza inerente às mulheres, sem medo de experimentar. O resultado é música para os ouvidos.
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Veja aqui o dueto entre Céu e Mariana Aydar. Música: “Mais um lamento” (Céu/Danilo Moraes).
Veja aqui Mariana Aydar, Marcelo D2 e Mr Catra cantando “Zé do Caroço” (Leci Brandão), brincando numa versão funk.
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E você, o que acha? O samba não deve ser mexido? Dê sua opinião ali embaixo nos comentários.
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1.
Camila | junho, 2008 às 10:26 pm
Como canta o Paulinho: “Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim…”
2.
André | junho, 2008 às 7:49 pm
Olha vou te confessar que gostei das gatinhas mas acho que aqui no Rio elas não vingam não, a galera aqui é mais raiz q nos outros lugares.
3.
Rafael | junho, 2008 às 10:43 pm
Mais do que raiz, tem uma galera do Rio que é muito preconceituosa em termos de samba.
4.
Rodrigo G5 | junho, 2008 às 1:52 pm
Concordo com o Rafael quando diz que a galera aqui do Rio é muito preconceituosa no tocante ao samba. O samba deve ser mexido sim. Sempre, e muito. O que não se pode jamis é perder o respeito por ele. Se não mexermos e experimentarmos nunca sairemos de onde estamos e viveremos sempre do mais do mesmo. As novidades não são bem recebidas pelos “puristas do samba” e isso de certa forma trava o desenvolvimento do gênero. O tempo passa, o mundo evolui e se a gente não se ligar o nosso amado samba ficará para trás.
5.
Paulo Vicente | junho, 2008 às 3:12 pm
A galera do Rio de Janeiro é bem marrenta quando se fala em samba. Tem um pessoal que se diz raiz e não admite que se faça qualquer intervenção no samba, odeiam até a bossa nova e partem pro ataque pra cima da Maria Rita de graça. Negozinho fala com propriedade do samba como se fossem donos absolutos do gênero. Samba não tem dono não. Se fosse assim Paulinho da Viola não tocava amarradão com Marcelo D2! Enquanto os “tradicionalistas” ressentidos tocam na Lapa a troco de 20 reais, os que tem a cabeça aberta tão aí levando o samba pros 4 cantos do mundo mostrando que o samba transcende qualquer briguinha de ressentidos.
6.
Flávio | julho, 2008 às 8:21 pm
Não sei… eu acho que o caminho não é esse. Não acho que sambista tem que ficar entocado, mas eu acho que colapsar a harmonia (e consequentemente a melodia) nessa onda meio lounge não é o caminho pra evoluir o samba.
7.
DANIELLE | agosto, 2008 às 6:50 pm
NÃO DEVERIA POR QUE ESTOU MUITO FELIZ COM ESSE SAMBA
8.
dicto | dezembro, 2009 às 1:37 pm
Não mexa no samba. Deixe ele mexer com a gente.