Archive for junho \30\UTC 2008
Terreiro Grande, maior ainda nos cinemas
Por Thales Ramos e Bruno Villas Bôas
Uma das maiores novidades do samba em 2007, os paulistas do Terreiro Grande terão seu trabalho reconhecido nas telas do cinema. O responsável pelo projeto, Zeca Buarque Ferreira, espera que até o final do ano o documentário sobre o grupo já esteja finalizado.
O cineasta, que foi assistente de direção de Nelson Pereira dos Santos e Hugo Carvana, e atualmente produz uma série de videos sobre o movimento Sem Terra, teve seu primeiro contato com os sambistas por conta do primeiro show deles com Cristina Buarque, sua mãe. “Quando fomos fazer o lançamento do cd, no Teatro FECAP (SP), resolvi começar a rodar o documentário, mesmo sem dinheiro. Sabia que o que teríamos ali, jamais se repetiria”.
A pré-produção do disco “Cristina Buarque e Terreiro Grande – Ao vivo” foi importante na concepção do filme. O trabalho foi fruto da cessão do áudio do show pela FECAP. A alta qualidade do som foi o estalo para a idéia do cd. “Com esse material nas mãos, comecei a correr atrás para garantir a produção do disco. Nesse processo fui conhecendo melhor as pessoas e a história do Terreiro Grande”, explica Zeca, garantindo que sua praia é o cinema, não a música.
Por enquanto, ele já tem 15 horas de gravação no balaio e mais algumas por filmar. As imagens mostrarão os bastidores do grupo e a expectativa em torno do primeiro show, além do cotidiano dos integrantes do Terreiro Grande, o show na Ilha de Paquetá (RJ) e uma entrevista com Cristina. A parte musical – que o diretor promete ser intensa – foca menos no show e mais nas rodas. Decisão acertada, já que o potencial do grupo é justamente esse, ao vivo e sem microfones. “Quero colher mais imagens do dia a dia deles, ambientes de trabalho e claro, mais rodas de samba”.
Como todo cineasta brasileiro, Zeca anda esbarrando na falta de apoio financeiro para seu projeto. Mas tem conseguido alguns apoios no peito e na raça, embora também ponha algum do bolso. Através de algumas produtoras (DGT Filmes e Quero-Quero Filmes), conseguiu equipamento. Com três câmeras emprestadas, filmou o show que pode render um dvd ou um programa de tv. Fora isso, agregou uma equipe técnica que vai da fotografia até a finalização, que abraçou o projeto.
Ele agora corre atrás das leis de incentivo para mais financiamento, assim poderia inclusive se dedicar mais ao filme que, por enquanto, lhe toma apenas as horas vagas. “Eu acho o Terreiro Grande um dos fenômenos mais interessantes e ricos da cultura brasileira em muito tempo. Estou tentando via leis de incentivo, editais etc. Vamos ver se alguém se interessa.”
5 comments junho, 2008
Divas de lá e de cá
Por Emiliano Mello
Fala-se bastante desta nova geração de cantoras que têm no samba a grande fonte de inspiração. Talvez uma das mais talentosas seja Teresa Cristina, sobre quem Monarco chegou a declarar que “essa menina é coisa muito nossa, é coisa séria”. Claro que o leitor está livre para discordar. A lista é grande, e inclusive já fizemos uma enquete aqui no blog sobre o assunto.
A formação destas cantoras passa invariavelmente pelas rodas de samba informais espalhadas pelos subúrbios e comunidades Brasil adentro. O caminho é mais ou menos o mesmo: freqüentam rodas e mesas como espectadoras no início, em seguida arriscam canções nos intervalos, suas vozes conquistam os bambas, ganham moral e seguem carreira.
Há outra frente menos conhecida, no entanto. São as brasileiras que fazem carreira no exterior, cantando em pequenos pubs, em tímidas reuniões de amigos até chegarem aos grandes palcos. Consolidadas lá fora, voltam à antiga colônia fazendo o velho caminho dos conquistadores ultramarinos de antanho. Cá, passam a trilhar os pequenos palcos, nem sempre receptivos às “forasteiras”. Muitas sequer conseguem espaço no Brasil e retornam. Poucas brilham.
As jovens cantoras Céu e Mariana Aydar fazem parte do grupo das que foram bem recebidas de volta ao País. Apesar da formação – tanto social quanto profissional – bem diferente das suas conterrâneas, as damas têm em comum a música brasileira (sobretudo o samba) como inspiração e alicerce sobre os quais constroem suas carreiras.
Mariana é formada pela renomada Berklee College of Music e lançou seu primeiro disco, “Kavita 1”, em 2006. O álbum foi produzido por BiD – do clássico “Afrociberdelia”, do Chico Science & Nação Zumbi (um dos discos mais importantes da década de 90) e Duani, multinstrumentista do Forróçacana. A ligação de Mariana com a música brasileira vem de berço, através da sua mãe, a produtora Bia Aydar. As parceirias com João Donato, Leci Brandão, Chico César e Seu Jorge mostram que a moça sabe onde pisa. Atualmente, Mariana se divide entre os shows do primeiro disco e as pesquisas para o segundo trabalho.
Céu começou cantando em casas noturnas de Nova York e chegou a compor trilha para o cinema (Cidade Baixa, de Sérgio Machado). Em 2005, foi convidada para participar do JVC Jazz Festival, em Paris, onde acabou fincando residência. No mesmo ano, lançou seu disco de estréia, “Céu, La promesse du Brésil”(independente), na Europa. Não demorou para ser fisgada pela major Warner, que o lançou em seguida aqui. Produzido por Antonio Pinto (da trilha de “Cidade de Deus”), o disco mescla composições próprias com interpretações bem particulares, como em “O ronco da cuíca” (João Bosco e Aldir Blanc). Ano passado chegou ao posto mais alto da Billboard americana, feito somente alcançado por Astrud Gilberto em 1963, com “Garota de Ipanema”.
Mariana e Céu fazem parte da geração criada sem preconceitos musicais, que vê a música como arte universal, livre das amarras de estilos, rótulos, fronteiras e guetos. Seus trabalhos mesclam o tradicional ao moderno, com delicadeza, sem agressão aos estilos. Trabalham com a sutileza inerente às mulheres, sem medo de experimentar. O resultado é música para os ouvidos.
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Veja aqui o dueto entre Céu e Mariana Aydar. Música: “Mais um lamento” (Céu/Danilo Moraes).
Veja aqui Mariana Aydar, Marcelo D2 e Mr Catra cantando “Zé do Caroço” (Leci Brandão), brincando numa versão funk.
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E você, o que acha? O samba não deve ser mexido? Dê sua opinião ali embaixo nos comentários.
8 comments junho, 2008
Fiel, rabugento, irreverente e imortal
Por Thales Ramos
Jamelão foi um dos maiores cantores de samba de todos os tempos. O maior intérprete (ele não admitia ser chamado de puxador) de samba-enredo de todos os tempos, o mais antigo. O mais fiel. Neguinho da Beija-Flor também é fiel, no entanto, Jamelão tem mais tempo de fidelidade.
Já escutei dizer, mas não confirmei, que Jamelão teria puxado samba em outra escola em um carnaval. Mas um homem que em mais de cinqüenta anos de relação, dorme uma só noite fora de casa, não pode ser chamado de infiel. Foram 57 anos de amor à Mangueira. Talvez por isso, no carnaval de 99, ele não teria deixado um “intruso” deitar em sua cama. Nesse ano, a Mangueira desfilaria com o enredo “O século do samba”. Alexandre Pires gravou com o mestre no cd e aparecia ao lado dele, nas chamadas da televisão. Mas no dia do desfile, Jamelão fechou a porta na cara do mineirinho.
Com fama de rabugento era o terror das reportagens na concentração dos desfiles. Era comum deixar os repórteres com cara de tacho, depois de suas repostas atravessadas. Indagado pelo global Ari Peixoto, sobre ser o único puxador a não desfilar no chão, foi seco e direto: “Malandro é o gato que come peixe e não vai à praia”. Desconcertado e ao vivo, Ari, se limitou a dizer, “esse é o Jamelão, sempre irreverente”. Outra vez, após a apuração dos resultados e com a verde e rosa, fora dos desfiles das campeãs, ao ser consultado sobre o resultado, disse: “Algum bichinho saiu da arca de Noé”, uma alusão a zebra.
O que poucas pessoas não lembram (ou sabem) é que ele também foi um grande intérprete de samba-canção. Por ser uma figura com identificação tão forte com as escolas de samba, esse lado de sua carreira foi meio esquecido. Lupicinio Rodrigues, “o rei da dor-de-cotovelo”, por exemplo, teve em Jamelão o maior intérprete para suas músicas. Assim como esteve também esteve a frente da Orquestra Tabajara durante um bom tempo.
Voltando aos desfiles. Jamelão afirmava que quem puxava alguma coisa era puxador de carro, carroça ou de fumo, por isso recusava a alcunha de puxador e afirmava sempre que podia que era intérprete, sempre com sua marra habitual, claro. Além de desfilar apenas em cima do carro de som, outra mania de Jamelão era cantar com elásticos na mão. O carnavalesco Max Lopes diz que era superstição do cantor, porém, em 2003 Jamelão dá uma versão mais bem humorada sobre o assunto no programa da Hebe, como podem ver no video acima. “É simpatia mesmo. Porque quando me dão o dindin eu já tenho elástico pra prender”.
Depois, em rede nacional Hebe lhe propõe um selinho. Lembrando a esposa que estava em casa, o baluarte recusou. Era fiel ou não era?
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A elegância do samba de Walter Alfaite

Por Equipe O Samba
Foto de Bruno Villas Bôas
Mestre do samba e da elegância, Walter Alfaite fez na segunda-feira, dia 9, um show ao vivo para o encerramento do documentário “A elegância do samba”, que presta homenagem à geração de sambistas que começaram a fazer sucesso depois dos anos 60. A gravação foi no Lapa 40º.
O show atraiu a presença de bambas como Beth Carvalho, Elton Medeiros, Dorina e Luis Carlos da Vila. O ex-jogador Junior também apareceu por lá, assim como Carlinhos de Jesus. A casa ficou lotada e muita gente assistiu ao show de pé.
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Papel de parede
POR EQUIPE O SAMBA
Leitores d’OSAMBA, lançamos hoje a coleção de papéis de parede “Samba com alma”. Os dois primeiros são dos mestres Monarco e Wilson Moreira.
Para conferir, só clicar aqui.
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