Paulo da Portela como você nunca viu e ouviu
abril, 2008 at 1:25 pm 1 comentário

Por Thiago Dias
Provavelmente, você já ouviu falar de Paulo da Portela. Mas, quase certamente, você nunca o ouviu. Chegou a hora.
O jornal/site O Samba conseguiu a cópia das duas únicas gravações existentes de Paulo da Portela cantando. As faixas nos foram gentilmente repassadas por Luis Carlos Magalhães, professor de carnaval na universidade Estácio de Sá e produtor de um documentário em homenagem ao centenário do “professor”.
As gravações fazem parte do acervo do pesquisador José Ramos Tinhorão, que em seu livro sobre a história da música popular brasileira classifica Paulo da Portela como “legendário”.
“O Tinhorão cita os principais compositores, artistas e cantores do Brasil, mas a única vez que usa um adjetivo é para o Paulo”, conta Luis Carlos, que reuniu ainda a obra do mestre em três CDs. “Um legítimo pirata, mas absolutamente invendável. A intenção é tirar das gavetas e registrar de uma forma unificada a obra musical conhecida dele”, explica.
As duas músicas que Paulo canta nessas faixas históricas são de Heitor dos Prazeres, um dos principais responsáveis de sua saída da Portela em 1941: as emboladas “Tia Chimba” e “Vou te abandonar”, de um álbum de 1930 da gravadora Brunswick. Você pode escutá-las no player do menu à sua direita, em uma caixinha verde. Divirta-se.
Mas as raridades do bamba não param por aqui. O Samba também teve acesso a um documento raro da Portela e, consequentemente, da história das escolas de samba: um caderno, de 1935, com letras de músicas de compositores portelenses, como Paulo, Ventura e Alcides, o malandro histórico. Tudo escrito a mão pelo arquivista Oswaldo dos Santos.
“Infelizmente, perdemos muitas coisas em incêndio e mudanças”, lamenta Umberto Alves, sobrinho-neto do “professor” que guarda esta e muitas outras relíquias, as quais pretende transformar em livro.
O caderno é marcado por curiosidades. Além das músicas, há receitas de culinária, com caligrafia bem diferente da de Oswaldo dos Santos. Umberto não sabe como elas foram parar lá, entre as composições. Na maioria das páginas, há o carimbo com o nome da Portela, então grafada “Portella”. O endereço da quadra era “Estrada da Portella, 302”.
Entre as letras, destaque para “Cidade Mulher”, do sensível verso “Cidade, quem te fala é um sambista / Anteprojeto de artista”. Vale lembrar que 1935 foi o ano do primeiro desfile oficial das escolas, vencido pela Portela.
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1.
Gabriel Cavalcante | abril, 2008 às 6:17 pm
Muito bom disponibilizar isso para o público.
Eu já conhecia essas duas gravações, e o interessante é que no LP, não aparece Paulo da Portela, mas sim Paulo Oliveira.
O “fessor” sem dúvida foi a pessoa mais importante para o samba, criou a sua melhor forma, ensinando na Portela o que ele via no Estácio, só que da sua maneira.
Até!