A última canção do beco
abril, 2008 at 12:31 am 7 comentários

Por Emiliano Mello
“Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.”
(“Poema do Beco”, de Manuel Bandeira, publicado em Estrela da Manhã,1936)
Fica na Rua Moraes e Valle, escondido num canto da Lapa. É um beco que nasceu à sombra das sagradas paredes do Convento do Carmo, da secular Ordem dos Carmelitas. Beco das sarças de fogo, de paixões sem amanhãs. Chama-se Beco do Rato, assim nomeado por servir de “desova” de objetos roubados no passado.
Era onde os gatunos faziam a festa. Hoje é onde acontece, desde 2005, uma das rodas de samba mais famosas do Rio.
A fama do local vem de muitos anos, entretanto, e é fruto dos freqüentadores ilustres que pelo Beco passaram. Chiquinha Gonzaga, autora da primeira marcha carnavalesca (“Ó Abre Alas”, 1889) era um deles. Os compositores Sinhô, Noel Rosa e Ernesto Nazaré também. Madame Satã lá era respeitado e temido. O dândi João do Rio, cronista de fina pena, era encantado pelo lugar. Portinari também.
E o poeta Manuel Bandeira, que morou por 20 anos naquele recanto.
Foi lá que Bandeira escreveu seus famosos livros Estrela da Manhã e Lira dos Cinquent`anos, nos quais cita o Beco do Rato. Neste último, publicou o comovente “A última canção do beco”. Sobre a produção do poema, o poeta recorda:
“De repente a emoção ritmou em redondilhas, escrevi a primeira estrofe, mas na hora de vestir-me para sair, vesti-me com os versos surdindo na cabeça, desci à rua, no Beco das Carmelitas me lembrei de Raul de Leoni, e os versos vindo sempre, e eu com medo de esquecê-los (…) Chegando ao meu destino, pedi um lápis e escrevi o que ainda guardava de cor… De volta à casa, bati os versos na máquina e fiquei espantadíssimo ao verificar que o poema se compusera, à minha revelia, em sete estrofes de sete versos de sete sílabas.”
Da próxima vez que levar a cabrocha à roda do Beco do Rato, lembre-se de Bandeira.
E para entrar no clima, O SAMBA disponibiliza para você, com exclusividade, “A última canção do beco”, narrado pelo próprio Manuel Bandeira. Ouça aqui.
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1.
Camila | abril, 2008 às 12:45 pm
Pena não conseguir ouvir o poema (deu erro!).
Mas que bom poder curtir o Beco do Rato, adoro… As quintas, o Beco é o melhor programa da cidade, lá tudo é encanto!
2.
Mariana F | abril, 2008 às 1:26 pm
Aqui funcionou! Deu pra ouvir o poema direitinho oba!!! \o/
Eu não vou muito ao beco do rato porque acho o lugar muito cheio…não sabia que o beco tinha tanta história linda por trás. Me deixou instigada a voltar mais vezes.
3.
leandro | abril, 2008 às 5:55 pm
poultz imagina como não devia ser sensacional a lapa naquela época….. só cabra féra
4.
Anônimo | abril, 2008 às 6:36 pm
eu não gosto da roda do beco do rato e tenho dito!
5.
beariz | agosto, 2008 às 9:29 pm
olha visitei o rio agora em 2008 e fui visitar o beco do rato ….genteeeeeeeeeee vcs nã sabem oque estão perdendo.volto para o carnaval e concerteza levarei amigos lá.
6.
fabio barreto (bananda) | março, 2009 às 2:38 pm
io só uma pequena correção o beco citado por bandeira e o das carmelitas que fica no fim da moraes e valle que hoje ja não é mais um beco , ja o beco do rato na epoca do bandeira não era era beco era uma rua que depois da costrução do predio passou a virar beco. esta historia que o manol bandeira morou ali fui eu que inventei na epoca que fundei a roda de samba pra dar um clima.pois conhecia o poema. e contei a historia da rua pro dono do beco. peço desculpas pelo equivoco que causei . parabens pelo blog de exelente qualidade.
7.
sdbfgu | junho, 2010 às 5:38 pm
te odeio