Archive for março, 2008
Mestre dos mestres

Por Thales Ramos
Foto de Bruno Villas Bôas
Marçal, Mug, Marçalzinho, Timbó. Quem sabe de carnaval, conhece esses grandes mestres que fizeram história na bateria da Portela. Mas todos os mestres tiveram seus mestres. E na azul-e-branco de Madureira, o de todos eles é conhecido por Bombeiro. Mestre Bombeiro.
Mais antigo diretor de bateria da escola, são 47 anos de Portela. “Sou o mais velho da bateria. Foram todos meus ritmistas. Marçal e Marçalzinho, Mug e o falecido Timbó”, afirma Bombeiro, apelido colocado por Natal da Portela.
Nascido Ubirajara Vieira Araújo, o “mestre dos mestres” não pensa duas vezes antes de apontar Nilo, atual mestre de bateria da escola, como seu aluno preferido, embora tenha tido entre os seus pupilos ritmistas que marcaram época.
“Tenho mais carinho pelo Nilo, que eu vi garoto, pequeno. Lancei o Nilo no ensaio de rua, da escola”, diz mestre Bombeiro, lembrando que o pupilo tem apenas 28 anos de idade, o mais jovem na função no carnaval carioca.
Mas se Bombeiro é tido como professor de toda uma geração de notáveis, ele aponta mestre Betinho, primeiro mestre de bateria da Portela, como o homem que o lançou. “Ele me viu tocando e disse: ‘o garoto tem que sair’. Foi assim que começou tudo. Fiz o teste na bateria e passei.”
Embora use um aparelho auditivo e com a saúde um tanto debilitada, a lucidez de mestre Bombeiro ainda é necessária para o bom funcionamento da bateria, que em 2008 não recebeu uma nota 10. É dele a responsabilidade pelo andamento da marcação da bateria.
“Quando o Nilo está fazendo um trabalho, eu dou toda atenção. Eu tenho a responsabilidade de ensinar a pancada da Portela”. Quem quer que esteja no comando da bateria da Portela, tem que passar pelo crivo do velho mestre.
Portela homenageia bambas em Madureira

Por Bruno Villas Bôas
A quadra da Portela lotou neste sábado (1/3) para ver Almir Guineto, o rei do pagode, se apresentar ao lado da Velha Guarda Show da escola, na tradicional feijoada da azul-e-branco de Madureira. O partideiro recebeu no dia a Medalha Paulo da Portela, criada para homenagear grandes nomes do samba.
Além dele, também foram agraciados Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Lecy Brandão, Dona Ivone Lara, Noca da Portela, Nelson Sargento, Arlindo Cruz, Neguinho da Beija-Flor, Monarco, entre outros.
Depois da entrega das medalhas, foi comemorado o aniversário do compositor Waldir 59, que completou 80 anos. Ele fez sambas-enredos como “Festa junina em fevereiro”, “Riqueza do Brasil”, “Legado de D.João VI”, “Brasil, panteão de glória” e “Histórias e tradições do Rio quatrocentão”, todos com Candeia.
Não caiu no esquecimento

Por Bruno Villas Bôas
Quando brigou com a Portela em 1941, escola que ajudou a fundar e foi o primeiro presidente, Paulo da Portela compôs o memorável samba “O meu nome já caiu no esquecimento”, em que diz “O meu nome não interessa a mais ninguém / E o tempo foi passando / E a velhice vem chegando / Já me olham com desdém”.
Mal sabia ele que, quase 70 anos depois, seu nome não apenas ainda seria lembrando, mas também sua imagem. No último sábado, o busto de Paulo da Portela foi reinaugurado, desta vez dentro da quadra da azul-e-branco, em Madureira, ao lado do busto de Natal.
Paulo Benjamin de Oliveira (Rio, 18 de junho de 1901 — 31 de janeiro de 1949) foi um dos que mais lutaram para acabar com a imagem preconceituosa que se tinha a respeito dos sambista – de ignorantes e vagabundos. Ele queria que o sambista fosse reconhecido como artista.
A briga ocorreu no carnaval de 1941, depois de uma viagem a São Paulo com Cartola e Heitor dos Prazeres. Eles chegaram ao Rio e foram direto para a Praça Onze, vestidos de preto-e-branco (roupa do Conjunto Carioca, no qual eram integrantes). Combinaram desfilar um na escola do outro. Quando chegaram à concentração da Portela, foram barrados.
O mestre-sala Manuel Bambã foi a pedra no caminho. Ele havia brigado com Heitor dos Prazeres em 1929, para defender seu amigo Rufino, quando chegou a desferir navalhadas. Bambã se valeu de uma determinação do próprio Paulo para barrar o trio: “Só sai pela escola quem veste azul-e-branco”, afirmou.
Claro que o mestre-sala livrou, ao mesmo tempo, Paulo dessa determinação, afinal era a figura mais importante da escola. Tanto que, quando a escola foi fundada, o nome “Portela” ficou conhecido inicialmente a partir do próprio Paulo. Mais tarde, pela “Estrada do Portela”.
Nesse ano, a Portela foi campeã com seu samba “Dez anos de glória” sem a presença de Paulo da Portela, que saiu pela Mangueira, onde foi muito bem recebido pelos amigos de Cartola. Paulo nunca mais desfilou pela Portela. Decidiu levar seu carisma para a pequena Lira do Amor.
Paulo da Portela faleceu em 31 de janeiro de 1949, vítima de um ataque cardíaco. Seu cortejo fúnebre foi acompanhado por cerca de 15 mil pessoas. No sábado, dia 1 de março, nomes como Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Nei Lopes, Zé Katimba estiveram presentes na reinauguração de seu busto.


