No tempo de Noel
março, 2008 at 3:41 pm 6 comentários

Por Emiliano Mello
Como mostramos no post anterior, o mundo do samba é recheado de provocações, polêmicas e brigas. De propósito, deixamos de fora a maior delas, que rendeu alguns clássicos da nossa música popular brasileira, para um texto exclusivo: Noel Rosa x Wilson Baptista. Confira:
O concurso promovido pelo jornal “Mundo Sportivo”, de Mário Rodrigues Filho – irmão do grande Nelson e, hoje, nome do Maracanã – apontava pela primeira vez a escola de samba vencedora do carnaval carioca. Falo de 1932. Deu Mangueira na cabeça. Mas de todas as transformações culturais ocorridas na década de 1930, a explosão do rádio talvez tenha sido a mais importante.
Neste tempo, Noel Rosa vivia pelos cafés e cabarés da Lapa. Fim de noite, voltava a pé para Vila Isabel, não raro acompanhado de Nássara, Orestes Barbosa e outros boêmios. O poeta teve vida breve, no entanto. Mas a tuberculose não o impediu de construir uma obra monumental, ainda mais quando se observa o curto período em que se dedicou a criá-la: de 1929 (“Queixumes”) a 1937 (“Chuva de Vento”). Pode-se dizer que começou no crack da bolsa de NY e terminou no Estado Novo, de Getúlio. Segundo Almirante – parceiro de Noel no “Bando de Tangarás” e responsável pelo levantamento de toda a sua obra –, foram exatas 228 composições.
“Rapaz folgado” é uma delas. E foi composta em resposta à provocativa “Lenço no pescoço”, de Wilson Batista, um jovem até então desconhecido vindo do interior do Rio. Era o começo de uma extraordinária batalha musical. Iniciada em 1932, a briga entre Noel Rosa e Wilson Batista duraria três anos, com rimas cada vez mais cruéis de Wilson. Quando compôs “Frankenstein da Vila”, em referência ao defeito físico de Noel (o maxilar afundado em decorrência do parto a fórceps), o poeta encerrou a batalha com “Deixa de ser convencido”. E tocou a curta vida para frente.
Anos depois, em 1951, Almirante (já ostentando o epíteto de “a mais alta patente do rádio”) apresentou o programa “No Tempo de Noel Rosa”, pela rádio Tupi/RJ. As canções de Noel dividiam espaço com entrevistas feitas por Almirante, que recebia no estúdio pessoas que haviam convivido com poeta. Wilson Batista foi uma delas. Já grande na música, Wilson contou (e cantou) pessoalmente aos ouvintes o motivo daquela batalha antológica.
E é claro que O SAMBA disponibiliza para você este momento. Basta ir ali do lado no nosso player e clicar na faixa “No Tempo de Noel” para ouvir o trecho do programa em que Wilson Batista fala sobre a polêmica com Noel Rosa. A pepita de ouro traz ainda a estrofe esquecida de “Feitiço da Vila”, mostrada pela primeira vez no rádio. É emocionante.
Lembrando que a Rádio USP/FM restaurou todos os programas e disponibilizou on line gratuitamente para quem quiser escutar. São 21 programas de meia hora cada. Não é preciso dizer que se trata de papa-finíssima. É só chamar no play e viajar ao tempo de Noel.
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1.
Raphaela | março, 2008 às 2:30 am
Nossa, que preciosidade maravilhosa….. jamais pensei q poderia ouvir o programa do Almirante. Saudade do tempo q eu não vivi…. Obrigado galera do samba!
2.
João | março, 2008 às 4:30 am
Eu acho que o Wilson Batista foi um sujo com Noel, muito covarde usar o defeito físico pra ataca-lo
3.
raul | março, 2008 às 2:43 am
que resgate maravilhoso! e pensar que no brasil as pessoas não valorizam a cultura.. vida longa pro samba é meu dom!!!
abraços, raul
4.
Tibério | março, 2008 às 8:22 pm
Desenterra rapaziada!!!!!!
5.
Carla | março, 2008 às 5:25 am
Noel tevevida curta mas deixou uma grande obra que marca a música brasileira até hoje. Os grandes gênios são atacados em vida e exaltados quando morrem
6.
karla | maio, 2008 às 4:09 pm
i love my smille