A sensatez de Mestre Buka
março, 2008 at 4:47 am 5 comentários

Por Thales Ramos
Foto Bruno Villas Bôas
“Tenho 26 mil dias e 600 e poucas mil horas.” Mestre Buka não calcula a idade de forma convencional, conta os dias. Tem 30 anos de Barra da Tijuca e um respeito conquistado com muito suor e samba. Bem agasalhado, com uma infinidade de cordões e anéis, fuma seu inseparável cachimbo enquanto conversa.
“Ele tem muita história no samba. Eu tenho mais de sessenta e ele me viu pequeno”, observa Ivan Milanez, da Velha Guarda Show do Império Serrano. No seu trailer Oxumaré, na Barra da Tijuca, passaram artistas como Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Marquinhos Satã, Reinaldo, Ademir Batera e Zeca Pagodinho.
Quando chegou ao bairro, ainda não havia a infra-estrutura de hoje em dia. “Na Barra não tinha nada. Não tinha luz, nada”, diz o mestre. Mas, se por um lado, a estrutura melhorou, por outro atraiu gente indesejada: “Para trabalhar está pior, tem muita concorrência.”
Outra dificuldade apontada por ele foi o preconceito: “Não havia preconceito racial, mas social. Uns podiam tudo, outros não.” Mas o trabalho de Mestre Buka foi reconhecido pela própria comunidade. Em 2006 foi embaixador da Banda da Barra, ao lado de Dercy Gonçalves.
O estado e a prefeitura também reconheceram o reduto do mestre. Desde 2003, o Oxumaré foi tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural, segundo ato da deputada Jurema Batista, e ele foi agraciado com a Medalha Pedro Hernesto, a pedido do vereador Jorge Mauro.
Mestre Buka é de família portelense e sua vida nas rodas começou no clube Cinquentinha, em Irajá, onde Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz eram figuras fáceis. Quando ficou desempregado foi convidado pelo irmão a trabalhar no quiosque na praia que, segundo ele, não é só um espaço comercial ou de ponto de encontro.
“Lá é um espaço de resistência da cultura negra. É um espaço espiritual, onde tem Oxumaré plantado”, afirma. Quem quiser conferir a roda de samba de sexta-fera, basta passar na Praia do Pepê, na Barra, altura do Posto 2, número 4.
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1.
Andrea N. | março, 2008 às 3:37 pm
Thales, raramente comento aqui, mas leio sempre, atraves do Bloglines. Esse blog eh um espetaculo! Parabens! E Viva o mestre Buka!
2.
Tibério | março, 2008 às 3:30 am
Parabens!! Sempre divulgando o samba e seus grandes integrantes…
um abraço
3.
Ana Maria | maio, 2008 às 3:31 am
Adorei ver essa página falando do meu querido amogo Buka. Desde 1986 frequento o Oxumare, e sou uma das privilegiadas em ter participado dos maravilhosos pagodes na praia, alias, ele, nosso Buka quem começou com ess idéia. Muito legal. Prabéns.
4.
Arno | setembro, 2008 às 11:38 am
Yes – I really can confirm that. It’s a place with a special spirituality surrounded by a modern world. Keep on. This is really important. Arno
5.
Edison Cruz | dezembro, 2011 às 3:12 am
este point é show desde 1980