Toque de Arte: disco todo no gogó
março, 2008 at 4:06 am Deixe um comentário

Por Thales Ramos
O repertório do recém-lançado “Pelos quatro cantos”, segundo disco do grupo Toque de Arte, é quase todo de regravações. Muitos sambas “batidos” e uma impressão de coletânea. São clássicos com “Foi um rio que passou em minha vida” (Paulinho da Viola) e “Aquarela Brasileira” (Silas de Oliveira). O que poderia tirar qualquer mérito autoral do trabalho é, no entanto, a grande surpresa.
Quando escutei o disco faixa-a-faixa, percebi logo que o desafio foi justamente dar nova roupagem aos clássicos, embora Marcelo Eloi, um dos integrantes do grupo e produtor do disco, admita que no trabalho vocal é sempre mais difícil mostrar músicas autorais. “As pessoas querem escutar regravações”, explica.
A homenagem feita por Paulinho da Viola à Portela parece inédita na voz dos quatro integrantes do conjunto. “Essa foi a mais difícil de ser tocada justamente pelo desafio de dar uma roupagem diferente a uma música que todo mundo já conhece”, acrescenta ele.
O trabalho dos caras sofre uma explicita influência do MPB4, constatação que não os incomoda. Tanto é que Magro, integrante do grupo, fez os arranjos do primeiro disco deles. “Ele nos apontou um caminho”, diz Eloi.
Outra característica do disco é o resgate de compositores que andam esquecidos pelo público – como Benito de Paula, de quem gravaram “Retalhos de cetim” – e trazer para o samba canções de outros estilos, como é o caso de “Fato consumado” (Djavan) e “La bele de Jour” (Alceu Valença).
“Benito sempre foi referência pra gente e não é muito cantado nas rodas por não ter tanta batucada. Djavan é um ícone da MPB, queríamos trazer isso para os mais jovens”, acrescenta.
Da parte autoral destacam-se “Pra que não tentar ser feliz” (Marcelo China, Marcio Costa e Fernando Regis) e “Um canto de fé” (Marcio Costa). A segunda talvez seja a mais percussiva do disco e valoriza o “malandro trabalhador”: “Firma a batucada no balcão de boteco / Um copo de cerveja uma canção de lamento / Malandro que sofre mas dá bom exemplo / Pra não deixar a vida se perder no tempo”.
Até pouco tempo, os integrantes do grupo tinham carreiras paralelas e não viviam da música. Mas, segundo Eloi, esses dias estão contados. “Só o Fernando Regis ainda tem consultório dentário, mas a gente vai tirar ele de lá”, conta.
“Pelos quatro cantos” ainda não chegou nas lojas, mas pode ser encontrado no site grupo. http://www.toquedearte.com.br.
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