Archive for março, 2008

Está aceito o argumento

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Por Equipe O Samba
Foto de Bruno Villas Bôas

Uma polêmica do mundo do samba está encerrada: Paulinho da Viola não fez “Argumento” para Benito di Paula. A revelação é do próprio Paulinho, que recebeu a equipe de O SAMBA em sua residência, quinta-feira, para a entrevista que será capa da próxima edição do jornal O SAMBA É MEU DOM.

Na última semana, apresentamos uma série de brigas, polêmicas e provocações envolvendo sambistas. Uma das mais famosas é entre Paulinho e Benito. Desde o lançamento de “Argumento”, corre a lenda que ela seria uma ironia a Benito, por cantar samba de gravata, terno e piano. Paulinho explica: “Claro que não é para ele, eu nunca faria isso com um colega”.

Acreditamos em Paulinho, por toda sua história. Mas Benito, na época, não acreditou. Tanto que fez uma música em resposta ao portelense. “Era uma letra agressiva”, diz Paulinho. Segundo a lenda, a música de Benito seria “Não me importa nada”, que tem frases como “você me aborrece com opiniões” e “olha o campo verde, é todo seu, rapaz”.

O mestre conta que ficou perplexo ao saber que comentavam que “Argumento” era uma provocação a Benito. “Essa história estava rolando, mas eu não sabia. Até que um dia fui a um programa de televisão, ao vivo, na Bahia, e o apresentador me fez esta mesma pergunta, se ‘Argumento’ era para o Benito. Eu fiquei assustado. Ele até me mostrou a letra da música que o Benito fez em resposta. Eu disse que não existia essa história, que era mentira”, lembra.

Alguns anos depois, Paulinho e Benito se encontraram. Fizeram as pazes. E mais uma lenda morreu.

Veja aqui a letra de “Argumento”.
Veja aqui a letra de “Não me importa nada”.

março, 2008 at 4:07 am 11 comentários

No tempo de Noel

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Por Emiliano Mello

Como mostramos no post anterior, o mundo do samba é recheado de provocações, polêmicas e brigas. De propósito, deixamos de fora a maior delas, que rendeu alguns clássicos da nossa música popular brasileira, para um texto exclusivo: Noel Rosa x Wilson Baptista. Confira:

O concurso promovido pelo jornal “Mundo Sportivo”, de Mário Rodrigues Filho – irmão do grande Nelson e, hoje, nome do Maracanã – apontava pela primeira vez a escola de samba vencedora do carnaval carioca. Falo de 1932. Deu Mangueira na cabeça. Mas de todas as transformações culturais ocorridas na década de 1930, a explosão do rádio talvez tenha sido a mais importante.

Neste tempo, Noel Rosa vivia pelos cafés e cabarés da Lapa. Fim de noite, voltava a pé para Vila Isabel, não raro acompanhado de Nássara, Orestes Barbosa e outros boêmios. O poeta teve vida breve, no entanto. Mas a tuberculose não o impediu de construir uma obra monumental, ainda mais quando se observa o curto período em que se dedicou a criá-la: de 1929 (“Queixumes”) a 1937 (“Chuva de Vento”). Pode-se dizer que começou no crack da bolsa de NY e terminou no Estado Novo, de Getúlio. Segundo Almirante – parceiro de Noel no “Bando de Tangarás” e responsável pelo levantamento de toda a sua obra –, foram exatas 228 composições.

“Rapaz folgado” é uma delas. E foi composta em resposta à provocativa “Lenço no pescoço”, de Wilson Batista, um jovem até então desconhecido vindo do interior do Rio. Era o começo de uma extraordinária batalha musical. Iniciada em 1932, a briga entre Noel Rosa e Wilson Batista duraria três anos, com rimas cada vez mais cruéis de Wilson. Quando compôs “Frankenstein da Vila”, em referência ao defeito físico de Noel (o maxilar afundado em decorrência do parto a fórceps), o poeta encerrou a batalha com “Deixa de ser convencido”. E tocou a curta vida para frente.

Anos depois, em 1951, Almirante (já ostentando o epíteto de “a mais alta patente do rádio”) apresentou o programa “No Tempo de Noel Rosa”, pela rádio Tupi/RJ. As canções de Noel dividiam espaço com entrevistas feitas por Almirante, que recebia no estúdio pessoas que haviam convivido com poeta. Wilson Batista foi uma delas. Já grande na música, Wilson contou (e cantou) pessoalmente aos ouvintes o motivo daquela batalha antológica.

E é claro que O SAMBA disponibiliza para você este momento. Basta ir ali do lado no nosso player e clicar na faixa “No Tempo de Noel” para ouvir o trecho do programa em que Wilson Batista fala sobre a polêmica com Noel Rosa. A pepita de ouro traz ainda a estrofe esquecida de “Feitiço da Vila”, mostrada pela primeira vez no rádio. É emocionante.

Lembrando que a Rádio USP/FM restaurou todos os programas e disponibilizou on line gratuitamente para quem quiser escutar. São 21 programas de meia hora cada. Não é preciso dizer que se trata de papa-finíssima. É só chamar no play e viajar ao tempo de Noel.

março, 2008 at 3:41 pm 6 comentários

Polêmicas no samba

Arte OSAMBA.NET

Por Thiago Dias

Paulinho da Viola fez “Argumento” para criticar Benito de Paula. Martinho da Vila ficou irritado com uma nota baixa no carnaval e atacou Chico Buarque. Este, por sua vez, não gostou de uma camisa rubro-negra dada por Ciro Monteiro à sua filha e respondeu com um samba bem tricolor. João Nogueira, defendendo o Rio, não perdeu a chance de alfinetar o “iô-iô” Caetano Veloso. Clara Nunes e Beth Carvalho incorporaram o duelo Emilinha x Marlene. Sozinho, Arlindo Cruz conseguiu o sucesso que não tinha com Sombrinha.

Verdade ou mentira?

Estas histórias correm o mundo do samba. Algumas são confirmadas pelos envolvidos. Outras não passam de boatos, nunca comentados pelos protagonistas. Há ainda os que negam veementemente as discórdias.

O blog O SAMBA lista algumas das polêmicas mais famosas entre os sambistas, e você comenta lá embaixo se acha que as histórias são verdadeiras ou não.

Martinho da Vila x Chico Buarque

Em 1967, Chico Buarque foi jurado dos desfiles no Rio de Janeiro. E não gostou muito do samba da Vila Isabel, composto por Martinho da Vila e Gemeu para o enredo “Carnaval das ilusões”. Não deu 10.

A escola acabou em quarto lugar. A nota de Chico não agradou Martinho. Pouco tempo depois, o Zé Ferreira escreveu a música “Caramba”, que dizia: “Malha, malha, malhador/ que não aceita a evolução/ (…) Caramba, nem o Chico entendeu o enredo do meu samba”.

Paulinho da Viola x Benito di Paula

De gravatinha, terno, cabelo comprido e piano, Benito di Paula fazia o povo requebrar com seu samba diferente. Foi logo tachado de brega. Mas fez sucesso. Tanto, que cerca de 20 anos depois, o grupo Revelação estourou nas rádios com “Do jeito que a vida quer”.

Mas, quando surgiu, Benito criou polêmica. Era criticado pelo seu estilo de tocar samba. Coincidentemente, naquela época, Paulinho da Viola lançou “Argumento”. O bamba da Portela dizia: “Tá legal, eu aceito o argumento / Mas não me altere o samba tanto assim / É que a rapaziada está sentindo a falta / De um cavaco, do pandeiro e de um tamborim”.

Paulinho nunca confirmou que o recado era para Benito.

João Nogueira x Caetano Veloso

No histórico disco “Clube do samba”, de 1979, João Nogueira (em parceria com Paulo César Pinheiro), detona um tal de “Iô-Iô” na faixa 11. Há versos assim:

“Você exalta a Bahia, porém nunca mais por lá ficou / E deu pra falar mal do Rio, morando aos pés do Redentor”

“Até no início você parecia que era um bom rapaz / Mas com essa mania de estar todo dia em jornal falou demais”

“Homem que é homem não muda como você mudou”

Baiano, morador do Rio de Janeiro, todo os dias nos jornais e que ainda não se encaixa na definição “homem que é homem”. Muitos dizem que a crítica era para Caetano Veloso.

Escute “Iô-iô” no player do blog, no menu à sua direita, bem aí do lado, na caixinha verde.

Chico Buarque x Ciro Monteiro

Grandes amigos, Chico e Ciro tinham um ponto de discórdia: a paixão por times de futebol diferentes. Buarque é Fluminense, Monteiro era Flamengo. Ambos fanáticos. Em 1969, Ciro resolveu provocar o tricolor: mandou para Silvia, filha recém-nascida de Chico, uma camisa rubro-negra de presente.

Chico não perdeu tempo e fez, em “homenagem” ao amigo, a música “Ilmo. Sr. Ciro Monteiro”, também chamada de “Receita para virar casaca de neném”. Nela, ele diz: “Minha petiz agradece a camisa / Que lhe deste à guisa de gentil presente / Mas caro nego, um pano rubro-negro / É presente de grego não de um bom irmão”. Chico termina afirmando que “nasceu desse jeito uma outra tricolor”.

Mas o papai estava errado: Silvia acabou virando rubro-negra.

Clara Nunes x Beth Carvalho

Para Arthur Xexéo, colunista de O Globo, o duelo entre Clara Nunes e Beth Carvalho fez lembrar a disputa entre Marlene e Emilinha, as divas do rádio. Na biografia de Clara, o autor Vagner Fernandes tenta explicar a rivalidade. Segundo o livro, as duas começaram a se estranhar quando Clara gravou um disco de samba na Odeon. Fez sucesso e gerou ciúme na mangueirense, que havia proposto um LP do gênero antes e não teve a idéia aceita pela gravadora. Beth acabou indo para a Tapecar.

“O que eu conhecia dela era o fato de ser uma cantora de música brega. Ela não tinha nada a ver com samba, era mineira. Eu tinha, sou carioca”, diz Beth no livro, insinuando ainda que a rival era mangueirense e que passou a freqüentar a Portela e a se vestir de branco por imposição do produtor Adelzon Alves.

Arlindo Cruz x Sombrinha

Alguns dos maiores sucessos do Fundo de Quintal levam a assinatura da dupla, como “O show tem que continuar” (com Luiz Carlos da Vila) e “Só pra contrariar” (com Almir Guineto). Em 1993, deixaram o grupo e partiram para a carreira solo. Três anos depois, uniram-se e formaram a dupla Arlindo Cruz e Sombrinha. Lançaram três discos juntos e, em notícia surpreendente, anunciaram a separação em 2002.

Arlindo disse que o acordo foi amigável. “Decidimos nos separar porque seria uma opção mais rentável para os dois. Não em dinheiro, mas em trabalho”, afirmou o compositor do Império Serrano na época. Por outro lado, Sombrinha mostrou-se surpreso e ficou magoado com a decisão. “Nunca fui convidado para participar do pagode que ele organiza na Barra da Tijuca com convidados e parece que perdemos 8 anos de trabalho”, disse.

Hoje, Arlindo bomba com vinheta na Globo e músicas gravadas por Marcelo D2 e Maria Rita. E o Sombrinha, por onde anda?

* * * *

Para quem pensa que acabou há, ainda, uma briga antológica que marcou a história da música popular brasileira. Briga de gigantes. Mas esta, só no próximo post. Aguardem!

março, 2008 at 1:16 am 8 comentários

A sensatez de Mestre Buka

Bruno Villas Bôas/OSAMBA.NET

Por Thales Ramos
Foto Bruno Villas Bôas

“Tenho 26 mil dias e 600 e poucas mil horas.” Mestre Buka não calcula a idade de forma convencional, conta os dias. Tem 30 anos de Barra da Tijuca e um respeito conquistado com muito suor e samba. Bem agasalhado, com uma infinidade de cordões e anéis, fuma seu inseparável cachimbo enquanto conversa.

“Ele tem muita história no samba. Eu tenho mais de sessenta e ele me viu pequeno”, observa Ivan Milanez, da Velha Guarda Show do Império Serrano. No seu trailer Oxumaré, na Barra da Tijuca, passaram artistas como Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Marquinhos Satã, Reinaldo, Ademir Batera e Zeca Pagodinho.

Quando chegou ao bairro, ainda não havia a infra-estrutura de hoje em dia. “Na Barra não tinha nada. Não tinha luz, nada”, diz o mestre. Mas, se por um lado, a estrutura melhorou, por outro atraiu gente indesejada: “Para trabalhar está pior, tem muita concorrência.”

Outra dificuldade apontada por ele foi o preconceito: “Não havia preconceito racial, mas social. Uns podiam tudo, outros não.” Mas o trabalho de Mestre Buka foi reconhecido pela própria comunidade. Em 2006 foi embaixador da Banda da Barra, ao lado de Dercy Gonçalves.

O estado e a prefeitura também reconheceram o reduto do mestre. Desde 2003, o Oxumaré foi tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural, segundo ato da deputada Jurema Batista, e ele foi agraciado com a Medalha Pedro Hernesto, a pedido do vereador Jorge Mauro.

Mestre Buka é de família portelense e sua vida nas rodas começou no clube Cinquentinha, em Irajá, onde Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz eram figuras fáceis. Quando ficou desempregado foi convidado pelo irmão a trabalhar no quiosque na praia que, segundo ele, não é só um espaço comercial ou de ponto de encontro.

“Lá é um espaço de resistência da cultura negra. É um espaço espiritual, onde tem Oxumaré plantado”, afirma. Quem quiser conferir a roda de samba de sexta-fera, basta passar na Praia do Pepê, na Barra, altura do Posto 2, número 4.

* * * *
Mora fora do Rio ou longe dos pontos de distribuição do nosso jornal? Então aproveite a promoção que o chapa Alexandre Inagaki está fazendo e concorra a um exemplar do SAMBA. Você que tem preguiça de buscar o seu na esquina de casa também pode participar. Corra!

março, 2008 at 4:47 am 5 comentários

Sorriso aberto e sem ‘chororô’

Bruno Villas Bôas/OSAMBA.NET

Por Thales Ramos
Foto Bruno Villas Bôas

Os adolescentes do grupo Netos do Samba abriram a roda dos Baluartes do Turiaçu no último domingo (16/3), tendo no banjo e no vocal o filho de Délcio Luiz, ex-Kiloucura e Grupo Raça. Mas, no meio dos meninos, era a pancada do tantã se destacava. O instrumento estava nas mãos de Ana Caroline Lima, tamborinista da Beija-Flor, de apenas 15 anos de idade.

Aos quatros anos, Carol ganhou o primeiro tamborim e foi convidada pelo professor de sua irmã a participar de aulas do instrumento, como ouvinte. Aos 10, foi convidada pelo mestre Paulinho a participar da ala de tamborins da Beija-flor, onde é caçula entre as mulheres.

“Entrei na escola em 2003 e, desde então, só perdi uma vez”, diz ela, orgulhosa dos cinco títulos na escola de Nilópolis. Carol se queixa apenas de ser barrada nos shows da bateria da Beija-Flor. “Fico chateada porque não posso ir, já que sou menor de idade.”

A mãe de Carol, Maria Luiza, foi passista da escola durante 25 anos e hoje desfila em outras alas. Segundo ela, chegou no mesmo ano que Neguinho da Beija-Flor. “O Neguinho só fala comigo por causa da Carol. Ele me conhece de vista faz tempo, mas depois que soube que ela é minha filha, onde me vê fala comigo.”

Se o início de Carol no carnaval coincidiu com cinco títulos da Beija-Flor, a carreira como torcedora não anda tão bem. Sua outra paixão, o Botafogo, amarga uma maré de azar. Provocada sobre o assunto, ela sorri e se diz pé-quente.

“Fui ao jogo contra o River Plate e ganhamos no primeiro jogo da final do carioca (2007), quando empatamos com o Flamengo”.

Antes do clássico contra o Flamengo, ela arriscou um 2 a 0, com gols de Wellington Paulista e Lucio Flávio. O primeiro deixou o dele, na vitória de 3 a 2 do alvinegro. Mas com Carol não tem ‘chororô’. Os botafoguenses têm uma fama mais antiga que a de chorões, a de supersticiosos. Sendo assim, o blog aconselha: levem a menina para General Severiano.

março, 2008 at 4:26 am 2 comentários

Toque de Arte: disco todo no gogó

Divulgação

Por Thales Ramos

O repertório do recém-lançado “Pelos quatro cantos”, segundo disco do grupo Toque de Arte, é quase todo de regravações. Muitos sambas “batidos” e uma impressão de coletânea. São clássicos com “Foi um rio que passou em minha vida” (Paulinho da Viola) e “Aquarela Brasileira” (Silas de Oliveira). O que poderia tirar qualquer mérito autoral do trabalho é, no entanto, a grande surpresa.

Quando escutei o disco faixa-a-faixa, percebi logo que o desafio foi justamente dar nova roupagem aos clássicos, embora Marcelo Eloi, um dos integrantes do grupo e produtor do disco, admita que no trabalho vocal é sempre mais difícil mostrar músicas autorais. “As pessoas querem escutar regravações”, explica.

A homenagem feita por Paulinho da Viola à Portela parece inédita na voz dos quatro integrantes do conjunto. “Essa foi a mais difícil de ser tocada justamente pelo desafio de dar uma roupagem diferente a uma música que todo mundo já conhece”, acrescenta ele.

O trabalho dos caras sofre uma explicita influência do MPB4, constatação que não os incomoda. Tanto é que Magro, integrante do grupo, fez os arranjos do primeiro disco deles. “Ele nos apontou um caminho”, diz Eloi.

Outra característica do disco é o resgate de compositores que andam esquecidos pelo público – como Benito de Paula, de quem gravaram “Retalhos de cetim” – e trazer para o samba canções de outros estilos, como é o caso de “Fato consumado” (Djavan) e “La bele de Jour” (Alceu Valença).

“Benito sempre foi referência pra gente e não é muito cantado nas rodas por não ter tanta batucada. Djavan é um ícone da MPB, queríamos trazer isso para os mais jovens”, acrescenta.

Da parte autoral destacam-se “Pra que não tentar ser feliz” (Marcelo China, Marcio Costa e Fernando Regis) e “Um canto de fé” (Marcio Costa). A segunda talvez seja a mais percussiva do disco e valoriza o “malandro trabalhador”: “Firma a batucada no balcão de boteco / Um copo de cerveja uma canção de lamento / Malandro que sofre mas dá bom exemplo / Pra não deixar a vida se perder no tempo”.

Até pouco tempo, os integrantes do grupo tinham carreiras paralelas e não viviam da música. Mas, segundo Eloi, esses dias estão contados. “Só o Fernando Regis ainda tem consultório dentário, mas a gente vai tirar ele de lá”, conta.

“Pelos quatro cantos” ainda não chegou nas lojas, mas pode ser encontrado no site grupo. http://www.toquedearte.com.br.

março, 2008 at 4:06 am Deixe um comentário

Padrão de qualidade

Por Thiago Dias

“Mãe natureza, estou de mal”, diz Almir Guineto em um comunicado nesta sexta-feira. O partideiro tem motivo para a tristeza: Mestre Louro, seu irmão, faleceu, após sofrer com um câncer no estômago.

Assim como Almir, Louro é uma lenda do Salgueiro. Seguiu os passos do irmão, que deixou a escola para tocar profissionalmente em São Paulo, e assumiu o comando da bateria “furiosa”. Depois de três décadas no Salgueiro, passou pela Caprichosos e pela Porto da Pedra.

Só de Estandartes de Ouro, ele ganhou dez. Neste ano, faturou o de “Personalidade”. Segundo Guineto, o irmão faturou mais de 200 prêmios na carreira. Não é exagero.

Fora do carnaval, Louro ganhava a vida como fiscal da Comlurb, a companhia de coleta de lixo do Rio de Janeiro. Por causa disso, ganhou uma homenagem de Almir. Em seu primeiro disco, Guineto gravou “Gari padrão”, música que fez em parceria com Almir Baixinho e Diogo.

Na letra, Guineto cita o irmão e exalta sua dedicação ao trabalho, dizendo que Louro foi eleito gari padrão da Comlurb. Confira a música no player de O SAMBA (caixinha verde no menu da direita).

Gari padrão
(Almir Guineto/Almir Baixinho/Diogo)

Louro, segundo eu soube
Tu foste eleito gari padrão lá da Comlurb
Ganhaste pasta, ganhaste talco e sabonete
Louro, vai dá sorte no Catete
Mano Louro, nego cheio de vaidade
Sempre com sua vassoura limpando a nossa cidade
Cantarolando, todo dia vai à luta
Trabalha na Praça Mauá, varre até a Tijuca

março, 2008 at 2:08 pm Deixe um comentário

Samba esquisito, quem se arrisca?

Reprodução/nelsonsargento.com.br

Por Thales Ramos

Dono de sambas maravilhosos como “Agoniza mas não morre” e “Encanto de paisagem”, Nelson Sargento é daqueles sambistas que dispensam comentários. A música não é a única praia do cantor. Ele também se arrisca na literatura, pintura e no cinema.

Não faz muito tempo, ele lançou um livro de pensamentos e escreveu dois artigos excelentes para revista Piauí. No cinema, trabalhou como ator em “O Primeiro dia”, de Walter Salles, e teve sua rotina retratada no curta-metragem “Nelson Sargento”, de Estevão Ciavata.

Voltando ao samba. No disco “História e paisagem”, a faixa 7, “Idioma esquisito”, rende boas risadas. Com muito bom-humor, ele diz que “depois de umas e outras”, saiu um samba esquisito, repleto de palavras esquisitas como pratofilônica, protopolágico, atroverático. Procurei algumas no dicionário, não achei nenhuma. Foi tudo obra da cabeça do velho Nelson.

O samba, além de engraçado, é gostoso de ouvir. Nunca o escutei por aí. Deixo aqui esse desafio à rapaziada das rodas de samba. Leiam a letra abaixo e vamos combinar: para cantar isso, só mesmo sendo muito mnemônico (essa palavra existe), não acham?

Veja Nelson Sargento de Estevão Ciavata no Porta Curtas: http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=889

Idioma esquisito
(Nelson Sargento)

Fui fazer meu samba
Na mesa de um botequim
Depois de umas e outras
O samba ficou assim

II

Estrambonático palipopético cibalenítico
Estapafúrdico protopalógico antropofágio
Presolopépipo atroverático batulitétrico
Pratofinâmbolo calotolético carambolâmbolo
Posolométrico pratofilônica protopolágico
Canekalônica
É isso ai
É isso ai
Ninguém entendeu nada
Eu também não entendi

março, 2008 at 12:44 am Deixe um comentário

Paulinho da Viola, o parceiro fiel

Thiago Dias/OSAMBA.NET

Por Thiago Dias

Em seu show “acústico”, Paulinho da Viola mostra que é um parceiro fiel. Dedica um bom tempo para exaltar os músicos e cantoras que o acompanham, como Cristina Buarque, e não deixa de citar os compositores que dividem a autoria de alguns dos seus sucessos. Em Belo Horizonte, no último sábado, deu um show à parte contando a história de belas parcerias.

“Um dia, Eduardo Gudin me passou uma melodia e pediu para que eu colocasse a letra. Vira e mexe, ele me ligava perguntando se a música já estava pronta e eu respondia ‘vai sair, vai sair’. Dez anos depois, vi que estava na hora de fazer a letra”, contou Paulinho, arrancando risos da platéia antes de cantar “Ainda mais”.

O mestre volta no tempo e lembra de Mauro Duarte, seu parceiro em “Foi demais”. “Eu já o conhecia de Botafogo, bairro onde morávamos”, diz, interrompido por um grito de “Fogo!” vindo da platéia, o que mostra que eu não devia ser o único carioca ali. Paulinho elogia o companheiro de Portela, fala um pouco sobre a história do compositor e ainda lembra que Cristina lançou um disco só com músicas de Mauro. Depois, começa “sinceramente, não sabia que seria assim…”.

O show prossegue, apesar da insistência de boa parte dos mineiros em conversar durante a apresentação, o que cria uma quase insuportável mistura de sussurros com “shhhhh” de outros pedindo silêncio. No palco, só o calor parece incomodar Paulinho, que pede desculpa por ter que parar sempre para afinar o violão ou o cavaquinho.

Quando fala sobre “Talismã”, uma das inéditas do DVD produzido pela MTV, revela como acabou virando parceiro do roqueiro Arnaldo Antunes. Um belo dia, na casa de Marisa Monte, Paulinho conheceu o ex-Titã. Gostou do cara. Pouco tempo depois, entrou em contato com a cantora novamente.

“Eu tinha uma melodia que lembrava os velhos sambas de terreiro que fazíamos. Deixei com a Marisa e pedi para ela entregar ao Arnaldo, para ele colocar letra. Foi mais de brincadeira, mas ele levou a sério”, conta o sambista.

Em alguns dias, Marisa avisou que o amigo havia terminado o samba e que ela também entrara na parceria. A mistura ficou bacana. “Talismã” é bem-humorada e fala de amor de uma maneira que se encaixa em um bom samba.

Por fim, uma “quase-parceria”. Enquanto a galera ia ao delírio após “Foi um rio que passou em minha vida”, Paulinho revelou que o “laialaiá” do final da música não é invenção dele. “Na gravação original não tinha isso. Quem colocou foi o Jair Rodrigues, quando a gravou em um disco seu”, lembra.

O “laialaiá” pegou e fez até o dono da música render-se a ele. “Quando acabava a letra, eu me preparava para voltar para a primeira parte no show, mas a galera começa a cantar o ‘laialaiá’. Eu me atrapalhava todo, mas ia junto com o pessoal. Até hoje, quando o Jair me encontra fala: ‘E aí, parceiro’”.

março, 2008 at 2:30 am 4 comentários

Segura a marimba

Por Thiago Dias

Dizem que ele foi o primeiro “entertainer” do carnaval carioca, com cacos descontraídos e belas tiradas durante os desfiles (como está em sua ficha no site SambaRio). Para Aroldo Melodia, não bastava só cantar o samba-enredo na avenida, era preciso levantar o público também.

Ele fez história na União da Ilha. “Domingo”, “O Amanhã”, “Bom, Bonito e Barato”, “É Hoje”, “De bar em bar, Didi um poeta” e a maioria dos principais sambas da escola foram imortalizados na sua voz. Ainda deixou um herdeiro, Ito Melodia, que defende a agremiação hoje em dia.

Também é um compositor de mão-cheia. Autor de sambas-enredo, com parceiros como Didi e Franco, e da mais bonita exaltação à União, o antológico “Azul, vermelho e branco”, levado sempre pela escola antes de começar o desfile e nas gravações dos discos.

Na última semana, recebemos a notícia que Aroldo foi internado mais uma vez, com pneumonia. Ficamos na torcida e o homenageamos com um vídeo achado no youtube, com o início de alguns desfiles da União e da Unidos da Ponte.

Aroldo, segura a marimba!

março, 2008 at 1:13 am Deixe um comentário

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