Archive for fevereiro \29\UTC 2008

O samba reverenciado

Por Thales Ramos

Maria Rita lançou “Samba Meu” no ano passado, bem-sucedido disco que em pouco tempo vendeu 100 mil cópias. O cd é quase todo feito de inéditas e inclui seis músicas de Arlindo Cruz. Mas, evidentemente, que esta não foi a primeira vez que um artista da chamada MPB arriscou-se a gravar um disco de samba.

Sendo assim, selecionei alguns artistas que não são sambistas, mas que em algum momento de suas carreiras resolveram cair no samba e prestar homenagem a grandes mestres.

Tem de tudo um pouco e alguns que prestaram mais de um tributo. Noel Rosa, Geraldo Pereira, Cartola, Moreira da Silva, Paulinho da Viola e Chico Buarque estão entre os reverenciados.

Veja abaixo a lista e sinta-se à vontade para citar nos comentários algum trabalho que tenha ficado de fora.

Ordem cronológica de ano de lançamento.

Cartola 80 anos (1987), Leny Andrade. Uma das mais belas vozes do Brasil canta clássicos do poeta de Mangueira. “As rosas não falam”, “Sim” e “O sol nascerá” presentes no tributo.

4 batutas e um curinga (1987). O tropicalista Jards Macalé junta num bolo só Geraldo Pereira, Lupícínio Rodrigues, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola. Imperdível!

Ismael Silva – Peçam bis – Jards Macalé e Dalva Torres (1988). Nesse projeto da FUNARTE, Jards Macalé e Dalva Torres, cantam clássicos do pioneiro Ismael Silva, fundador do Estácio de Sá e criador da expressão “escola de samba”. O repertório –muito bem selecionado- foi escolhido por João de Aquino e Mauricio Carrilho.

Luz Negra – Nelson Cavaquinho por Leny Andrade (1995). Novamente a grande Leny Andrade valoriza um grande sambista. Nelson Cavaquinho é a bola de vez nesse disco belíssimo.

Café com Leite (1996), Simone. Uma das cantoras mais populares do Brasil presta homenagem mais que merecida a obra de Martinho da Vila. O álbum traz parcerias de Martinho com bambas como Paulinho da Viola, Zé Katimba e Elton Medeiros.

Natural do Rio de Janeiro – Sobre os Sambas de Zé Kéti (1996), Zé Renato. O integrante mais famoso do grupo vocal Boca Livre, homenageia o grande Zé Kéti. Clássicos como “Diz que eu fui por aí”, “A voz do morro” e “Mascarada” estão presentes.

Viva Noel – Tributo a Noel Rosa (1997), Ivan Lins. Compositor com obra reconhecida internacionalmente, Ivan Lins lança esse álbum triplo reverenciando a obra do poeta da vila. São 42 músicas com participações de Chico Buarque, Nei Lopes, Arlindo Cruz, Sombrinha e MPB4.

A alegria continua (1997), Elton Medeiros, Zé Renato e Mariana Moraes. Sim, ninguém precisa dizer que o Elton Medeiros é sambista. Mas esse belo disco traz Zé Renato e Mariana Moraes, a neta do poetinha. Além de trazer muitas músicas de Elton, também têm Paulinho da Viola, João da Baiana, Noel Rosa e outros.

Meu coração é um pandeiro (2000), Cauby Peixoto. Antes tarde que nunca. Considerado por alguns o maior cantor brasileiro, Cauby canta clássicos de Paulinho da Viola, Chico Buarque e até de Benito de Paula. Alguns sambas-enredo presentes: Ilu-ayê (Portela) e Kizomba, festa da raça (Vila Isabel).

Filosofia (2000), Zé Renato. Aqui só são músicas de Noel Rosa e Chico Buarque. Precisa dizer mais? Zé Renato canta muito, aperta o play e cai dentro. “Feitio de Oração”, “Três apitos”, “Rita” e “Homenagem ao malandro”, presentes.

Macalé canta Moreira (2001). Kid Moringueira tem seus clássicos mais engraçados e populares, selecionados por Jards Macalé. Viva Moreira da Silva.

Ney Matogrosso interpreta Cartola (2002). Encontro de gigantes. O mais performático cantor brasileiro empresta a sua voz para exaltar a obra do grande poeta. Maravilhoso.

2 comments fevereiro, 2008

Candeia e o bamba

Por Thiago Dias

Ele já cobriu guerras, tsunami, Copas do Mundo e foi correspondente da TV Globo na Inglaterra durante anos. Seus filhos são até torcedores do Arsenal. Cobrir o carnaval poderia ser um passo atrás para um jornalista marrento. Não é o caso de Marcos Uchôa, que arrebentou neste ano como setorista das escolas de samba do Rio de Janeiro.

A humildade de Uchôa eu já conhecia há algum tempo. Peguei muita carona com ele durante a cobertura do Mundial de Clubes da Fifa em 2006. Eu, um calouro da parte pobre das organizações. Ele, o bamba que fala oito idiomas e anda com desenvoltura em todos os tipos de poderes. Um exemplo: enquanto toda a imprensa esperava no saguão de um hotel em Tóquio, Uchôa era recebido por Ricardo Teixeira e os dirigentes da Fifa para a assinatura da candidatura do Brasil para ser sede da Copa-2014.

Voltando ao samba. Neste carnaval, Uchôa fez várias matérias especiais para os jornais da Globo com as nossas escolas. Destaque para o “Samba no céu”, que reuniu grandes sambistas no Pão de Açúcar, e uma reportagem sobre a vida de Candeia.

Com sutileza e detalhes, Uchôa conta como Candeia foi importante para o Brasil, não só no samba. A luta pela igualdade entre negros e brancos. A Velha Guarda da Portela dá depoimentos emocionados, como o de Monarco, que não teve chance de compor muito com o amigo. “Só lamento que só fizemos um samba juntos”, diz.

Golaço de Uchôa.

3 comments fevereiro, 2008

Wilson Moreira agita galera no Bar da Ladeira

Por Equipe o Samba

Wilson Moreira sentiu-se em casa na festa de lançamento da segunda edição do jornal O samba é meu dom. Nesse vídeo, gravado por Luis Penetra, Wilson canta “Gotas de veneno”, de autoria do próprio e Nei Lopes. Num Bar da Ladeira lotado, com mais de 200 pessoas presentes, o mestre transparece alegria.

Gotas de veneno
(Wilson Moreira e Nei Lopes)

Olha nos meus olhos
Vê quanta tristeza
Vê quantas marcas esse amor deixou
Vê quanta lágrima chorei
Vê quanta dor

Olha meus cabelos
Embranqueceram até perder a cor
Não foram gotas de sereno
Foi mesmo o veneno cruel desse amor

Nunca pensei que um lindo frasco tão pequeno
Pudesse comportar, meu Deus, tanto veneno
Foi dose mortal
Fez tão grande mal
Mas eu quero outra vez
Basta um só olhar
Para reparar
Todo o mal que ela me fez

Add comment fevereiro, 2008

Jornal O SAMBA lança 2ª edição com casa cheia

Bruno Villas Bôas/OSAMBA.NET

Por Equipe O Samba
Foto de Bruno Villas Bôas

A segunda edição do jornal O samba é meu dom chegou às ruas bem apadrinhada: em noite de Bar da Ladeira lotado, Wilson Moreira cantou e encantou na festa de lançamento, na última terça-feira (dia 19/2).

O mestre pretendia mostrar apenas oito dos seus sucessos, mas sentiu-se em casa e brindou os mais de 200 presentes com uma hora de apresentação. “Obrigado”, disse o compositor à equipe deste blog ao final do evento. Nós é que agradecemos.

Não só a Wilson, como também aos outros bambas que compareceram à Lapa para prestigiar o jornal. A roda foi comandada pelo Samba da Amendoeira, que fez a poeira subir. Daniel Pereira, Rodrigo Carvalho (Galocantô), Pedro Ivo (Quilombo de Candeia), Wantuir Cardeal, Anderson Baiaco e Gilmar Simpatia quebraram nosso galho e deram aquela canja durante o evento de lançamento.

Rubem Confete, um dos padrinhos do jornal e personagem da contracapa desta edição, marcou presença. Não fez barulho, mas foi notado. Como sempre é.

Às vezes, nos perguntam se O samba é meu dom vai sobreviver. Às vezes, temos dúvida. Falta tempo, dinheiro, apoio. Mas quando vemos um bar lotado, em plena terça-feira, para prestigiar esta iniciativa, voltamos a acreditar que a bola vai seguir para frente.

Por isso, entendemos o obrigado de seu Wilson, mesmo sabendo que quem deve gratidão aos mestres do samba somos nós.

Confira aqui as fotos da festa.

9 comments fevereiro, 2008

Jornal O SAMBA: segunda edição na roda

almir_mkn_of.jpg

Por Equipe O Samba
Foto de Emiliano Mello

Na foto acima, Ari Kaye, do Jornal do Commercio, colabora com O SAMBA e dispara a sua máquina sobre Almir Guineto.

A imagem é do making of da matéria de capa da nova edição do jornal O samba é meu dom. O Palácio do Catete, onde as fotos foram feitas, ficou pequeno para o carisma de Almir Guineto, personagem que trazemos nesta nova edição do jornal. Almir, que mora há mais de 30 anos no interior de São Paulo, bateu um papo exclusivo com a gente e nós compartilhamos com vocês.

A sessão de fotos nos rendeu até uma bronca da Magaly Cabral, esposa do Sérgio Cabral, jornalista e pesquisador da música brasileira. Dona Magaly, junto a uma comitiva, apresentou-se como esposa do jornalista e, em seguida, como diretora do Museu da República para nos lembrar que deveríamos ter autorização formal para fotografar naquele espaço público. Tinha razão. Após conversarmos, autorizou-nos pessoalmente a seguir com o ensaio.

O jornal traz ainda, entre outras coisas, uma matéria exclusiva com Gloria Bomfim, sambista descoberta por Paulo Cesar Pinheiro e Luciana Rabello que acaba de lançar, aos 50 anos, seu primeiro trabalho. A história da artista, que até há bem pouco tempo trabalhava como diarista na casa de PC Pinheiro, é fascinante.

Tá louco pra pôr as mãos no seu exemplar logo?

Então anota aí:

Dia 19/02 é a festa de lançamento da segunda edição do jornal O samba é meu dom. A bagunça vai rolar a partir das 20h, no Bar da Ladeira, na Lapa, com participação do grande Wilson Moreira e o Samba da Amendoeira.

A poeira vai subir, como de praxe.

Esperamos todos lá com muitos jornais grátis!

Serviço:
Bar da Ladeira
Rua Evaristo da Veiga, 149 – Lapa, RJ
Couvert: R$ 10
Contato: (21) 2224-9828

* * * * *

Aproveitamos para agradecer a Alexandre Inagaki, do premiado blog Pensar Enlouquece, pela deferência ao nosso trabalho.

6 comments fevereiro, 2008

Wilson Moreira batalha para lançar novo disco

Bruno Villas Bôas/OSAMBA.NET

Por Thales Ramos
Foto de Bruno Villas Bôas

Quando Wilson Moreira teve problemas de saúde em 1997, o mundo do samba se reuniu em um show para ajudar no tratamento. Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Zé Ketti e Nelson Sargento foram apenas alguns dos presentes à homenagem. A mídia pouco divulgou o evento, o que não impediu a presença de 1 mil pessoas no Teatro João Caetano, no Rio. Meses depois, Wilson afirmou: “Vencemos a mídia.”

Agora, a batalha do compositor, autor de clássicos como “Goiabada Cascão”, “Judia de mim”, “Deixa Clarear” e “Senhora liberdade”, é voltar a gravar. Mas as grandes gravadoras têm seus medalhões e as independentes exigem investimento do próprio bolso dos artistas. Wilson se diz decepcionado com o mercado e explica que tem dois projetos engavetados por conta da desistência de patrocinadores:

“O samba sempre foi assim, passando por essa dificuldade. Depois que você grava, ainda tem que depender das rádios”, lamenta Wilson Moreira, acrescentando que, apesar das dificuldades, não se permitiu parar de compor. “O compositor não pode parar. Continuo compondo muito. Até hoje me procuram pedindo música.”

Sem gravadora, ele apresenta suas novas composições nas rodas de samba para as quais é convidado. Será o caso do dia 19 de fevereiro, terça-feira, no Bar da Ladeira, quando fará uma participação especial na roda de samba promovida pela equipe do blog “O samba é meu dom”, que lançará no dia a segunda edição de seu jornal.

Os sambas de Wilson são marcados por uma forte exaltação à cultura negra, como nos discos “Entidades”, “Okolofé” e “Arte negra de Wilson Moreira e Nei Lopes”. Ele admite que sua música favorita é “Senhora Liberdade”, feita em parceria com Nei Lopes. Esse samba foi um sucesso na voz de Zezé Motta.

Aposentado como Inspetor de Segurança Penitenciária, depois de também trabalhar como engraxate e guia de cego, Wilson recebeu uma proposta do parceiro e advogado Nei Lopes para fazer uma música na “área” deles. “Eu cantarolei pelo telefone a melodia. Geralmente eu faço a melodia. No dia seguinte, o Nei tinha feito ‘abre as asas sobre mim, oh senhora liberdade’. E depois, veio o resto”, lembra.

“Senhora Liberdade”, que a princípio se chamaria “Violenta emoção”, proporcionou momentos memoráveis ao Alicate, apelido que Wilson ganhou de Xangô da Mangueira por causa do forte aperto de mão. Ele lembra, por exemplo, de uma história que aconteceu em um show no teatro Rival, no Rio.

“As pessoas estavam cantando em coro. Eu, que não levantava o braço por causa do AVC, fiquei parado igual a um Cristo no palco.” Ao ser avisado sobre a ansiedade da rapaziada do Samba da Amendoeira, grupo com o qual dividirá o palco no show do dia 19 de fevereiro, Wilson Moreira interrompe a conversa para mandar um recado:

“Avisa a eles que nós vamos fazer um samba de qualidade na terça-feira. Preparem as cadeiras, meninas, que eu vou cantar muito jongo e afoxé. Alô rapaziada, vamos chegar juntos no dia 19 de fevereiro lá no Bar da Ladeira”. O recado está dado.

9 comments fevereiro, 2008

Quilombo de novo na Avenida

quilombo-90.jpg

Por Thales Ramos
Foto de Bruno Villas Bôas

O Carnaval deste ano marca a volta do GRANES Quilombo à passarela. Mas, calma, ainda não é desta vez que a escola fundada por Candeia tem sua força total na avenida. No sábado, dia 2, ela desfila em dose dupla: primeiro, junto ao bloco Filhos de Gandhi, com concentração na Avenida Rio Branco, a partir das 13h; mais tarde, às 23h, a escola é homenageada no bloco do Barriga, do bairro de Cordovil.

Adquirindo a camisa do Quilombo pode-se participar dos dois desfiles, caso o folião tenha pique de menino. “Estamos muito contentes de voltar a desfilar. Fiquei contente com o que vi no Cordovil, um show de bateria, pessoas sambando de verdade, sem ‘globétes’ na frente da câmera”, diz Feliciano Pereira, o Candeinha, um dos líderes do Quilombo e compositor histórico da escola.

Esse carnaval marca o recomeço das atividades do Quilombo na festa do Momo. Ano que vem, eles prometem por a escola na rua, de forma independente e atenção: vão abrir concursos para escolhas de samba-enredo.

“A última vez que abriram concurso aqui teve mais de 50 inscritos”, gaba-se Paulo José, um dos diretores da agremiação. A expectativa é que tanto dentro quanto fora da comunidade da Fazenda Botafogo – onde se localiza a quadra da escola – apareçam novos compositores identificados com a ideologia Quilombola.

As atividades do Quilombo não se encerram no Centro do Rio. Pós-carnaval, dia 7 no Bar da Ladeira, na Lapa, haverá uma roda de samba comandada pela escola, onde receberão o cantor e compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz. O show marcará a estréia do novo vocalista do grupo, o estudante de letras Pedro Ivo.

“O convite do Quilombo me deixou muito animado, a galera é muito boa”, diz o aspirante a cantor que, desde então, vem se submetendo a continuas sessões do repertório de Candeia e acaba de ser aprovado em duas escolas de música, Villa-Lobos (percussão) e na Escola Portátil de Música (pandeiro).

SERVIÇO: As camisas para o desfile do Quilombo estão sendo vendidas por R$ 15 e podem ser adquiridas pelos telefones: (21) 2270-2030 e (21) 8666-2030.

2 comments fevereiro, 2008


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