O velho Camunga
dezembro, 2007 at 4:07 am 8 comentários
Por Thales Ramos
Foi enterrado, no dia 25 de dezembro, o flautista Cláudio Camunguelo. Sambista bamba, Camunguelo foi daqueles que se reconhecia de longe que era bamba. Quem passava por ele, mesmo fora de um ambiente de samba, fazia um comentário do tipo: “só pode ser sambista”.
Não vou ocupar o espaço biografando o artista. Qualquer um que queira saber quem ele foi e o que representava basta passar cinco minutos buscando na internet. Vou escrever aqui os contatos que tive com ele e das influências dele sobre mim.
O conhecia de nome. Tínhamos amigos em comum que me contavam histórias impagáveis sobre ele. Como das festas que promovia em sua casa, abrindo as portas para amigos e universitários curiosos pelo seu universo. Mas há dois anos comprovei o que até então pra mim era um tanto distante.
Eu estreava no dia nacional do samba, o popular “samba no trem”. Um camarada me apresentou a Camunguelo e a sua esposa, Cris, uma mãe-de-santo imponente, alta e com belo sorriso nos lábios.
Junto com amigos, passamos o dia juntos. Na Pedra do Sal, antes de partir pra Central do Brasil, sentamos e tomamos algumas cervejas. Ele contou casos de Paulo da Portela, nos emprestando algumas lições de vida, enquanto esperávamos a chuva passar. No ônibus pra Central – onde se apresentaria – todos cantavam “Peixeiro Granfino”, enquanto Camunguelo versava em cima, cena que se repetiria no trem para Oswaldo Cruz, onde ele presenteou toda nossa “caravana” com bilhetes de passagem.
Camunguelo era então o primeiro sambista que eu desfrutava de uma companhia mais íntima. Eu admirava sua simplicidade e a maneira com que tratava a todos. Cada roda que passava, fazia questão de dar a sua canja. Num bar de esquina e som precário, alta madrugada em Oswaldo Cruz, o então aspirante Diogo Nogueira pegou o microfone e disse: “Primeio queria dizer que é um prazer estar no mesmo local que Camunguelo”.
Na hora de ir embora, me deu um abraço e disse: “Garoto, obrigado pelo dia. Felicidades pra nossas famílias e pros seus estudos”. Eu, que nem era mais estudante, tive a certeza de sair dali aprendendo muita coisa. Depois disso, o encontrei muitas vezes nos sambas. Ele nunca me reconheceu, mas também nunca me recusou um abraço.
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1.
Pedro Ivo | dezembro, 2007 às 5:03 pm
esse vai fazer muita falta!!
2. Cláudio Camunguelo (1947-2007) | Sovaco de Cobra | dezembro, 2007 às 11:49 pm
[...] O velho Camunga, por Thales Ribeiro em osamba.net [...]
3.
Luiz Aranha | dezembro, 2007 às 4:27 pm
Feliz de quem pôde conviver com o ser humano e com o músico Camumguelo…Eu tive essa glória. Talvez agora dêem-lhe a importância devida.
4.
Vitor Rebello - GRANES Quilombo | dezembro, 2007 às 2:57 am
Camunguelo é uma pessoa querida que vai fazer muita falta na vida de muita gente. Mesmo convivendo com ele durante os últimos anos de sua vida acredito que vi muito pouco do “otário com sorte” mais malandro que já conheci. Nunca foi demais ouvir Camunguelo cantando suas ironicas e divertidas canções. Fará muita falta.
5.
Vitor Rebello - GRANES Quilombo | dezembro, 2007 às 3:00 am
Ah sim! Este vídeo foi feito no último – último mesmo – aniversário do coroa lá no Quilombo de Camdeia. Naquela época ele estava sem sua famigerada flauta e teve que se contentar com o tantã. Este fato raro é só pra quem conviveu com o Camunga.
6.
Ary | janeiro, 2008 às 8:11 pm
Perda irreparável. Quem conheceu esse cara, sabe o que estou falando. Além de excelente músico, tinha o carisma que pouco se vê por aí. Tenho certeza que todos que o conheceram, quando pisarem em qualquer roda de SAMBA do Rio de Janeiro lembrará da figura de CAMUNGUELO.
Salve, salve Camunguelho!!!
Descanse em paz e vá com DEUS…
Abs
Ary
7.
Cabral | janeiro, 2008 às 6:41 pm
Foi ótimo, legal ver esse clip, video como queiram. Fiquei nesses segundos ao ver essas imagens, um pouco fora do corpo. Conheci o grande Camunguelo através do meu compadre Luiz Carlos da Vila, na quadra da Portela, quando rolou uma premiação por lá e o Luiz foi convidado. No balcão daquele bar lateral, estava o Claudio, aproximamos e ele logo fez uma graça com o Luiz Carlos, o Luiz me apresentou a ele, e ele sem olhar para mim, voltou-se para o balcão e já estendeu um copo de cerveja em minha direção. Encolheu a testa junto aquele nariz e boca, e disse “Se voçe é amigo do Luiz Carlos da Vila, voçe também já é meu amigo”, me conquistou e em outros encontros falamos de tudo e de todos, grande Claudio, desejo onde estiver, muita paz.
8.
JHUKA | fevereiro, 2008 às 7:28 pm
POXA CAMUNGA VAI FAZER MUITA FALTA NO MUNDO DO SAMBA!!!!
CAMUNGUELO UM MALANDRO COM SORTE!!