O futuro do pretérito

dezembro, 2007 at 4:16 pm 2 comentários

Divulgação

Por Thiago Dias

Há quem os critique por serem brancos e morarem na Zona Sul do Rio de Janeiro, por mais que essas características não sejam normalmente alvos de preconceitos. Há quem os chame de saudosistas demais, por gostarem de cantar Cartola, Jackson do Pandeiro. Há ainda quem os considere opostos ao Revelação, apesar de levarem o mesmo tipo de música. Você pode até concordar com tudo isso, mas não dá para negar que o Casuarina já escreveu seu nome entre os melhores grupos cariocas de samba da atualidade.

“Escreviam que nós éramos os representantes do novo samba da Lapa. No início nos preocupávamos em ser tachados assim, mas agora temos até orgulho disso”, diz Gabriel Azevedo, pandeirista e vocalista. “Hoje, tem até concurso de talento lá. Quando começamos, era tá lento”, brinca Daniel Montes, fera no violão de sete cordas.

Agora, a meta é romper as fronteiras do tradicional bairro. “Já tocamos em São Paulo, Recife e Brasília. É pouco, mas onde tocamos nós voltamos”, afirma João Cavalcanti, também vocalista. Mas eles estarão de volta à Lapa na terça-feira, dia 11, quando retomam a roda de samba na Fundição Progresso. “Estamos tocando muito em pé, shows. Vamos matar a saudade da roda”, diz Gabriel.

Os leitores do blog O SAMBA se deram bem: podem concorrer a cinco pares de ingressos para o show desta terça-feira, somados a cortesias para baixar duas faixas inéditas da banda na internet. Quer participar? Então responda a seguinte pergunta ao e-mail blogsamba@gmail.com: qual música do compositor Aluísio Machado, membro da Velha Guarda do Império Serrano, foi gravada pelo Casuarina em seu primeiro disco? A resposta está aqui pelo site, é só procurar em posts anteriores.

O respeito por Aluísio Machado é apenas um exemplo da relação da garotada com os bambas. “A geração da Lapa, como ficamos conhecidos, era muito criticada por ser saudosista. E essa crítica era pertinente”, lembra Gabriel. O primeiro CD, lançado em 2005, foi só de regravações. “Se há samba bom sendo feito ao nosso redor, temos que mostrar. Agora, nosso disco é mais autoral”, completa, falando sobre o repertório do recém-lançado “Certidão”.

É fácil perceber as influências dos bambas no som, e na estética, do grupo. Há um designer, Diogo Montes (irmão de Daniel), responsável pela identidade visual deles, desde o site aos discos. O que surpreende é o discurso aberto sobre a geração de sambistas dos anos 90, que é criticada na mesma proporção que tocou nas rádios.

“Ouvíamos muito, ninguém aqui renega”, revela João Fernando (bandolim). “Acho que foram até fundamentais para a minha formação musical. As letras geralmente não eram das melhores, mas havia arranjos e melodias muito bons”, analisa João Cavalcanti, principal compositor da banda e filho do consagrado Lenine.

Gabriel cita ainda uma história curiosa para mostrar que deles não parte o preconceito que um dia já sofreram. “O Anderson Leonardo tocou com a gente uma vez. E ficou receoso, não sabia como ia ser a reação do público. Preparou até um repertório de clássicos, e ele sabe coisa pra caramba! Quando chegou no palco, a galera foi à loucura quando cantou Dança da Vassoura. Ele se soltou e mandou a gente esquecer o que tinha combinado”, conta, aos risos.

Misturando passado com presente, na esperança de ser lembrado do futuro, o Casuarina só quer fazer o seu batuque. Seja na Zona Sul, na Zona Norte, fora do Rio ou até na Cidade do Samba, onde a banda está presente no projeto de Zeca Pagodinho dividindo o histórico “Aquarela Brasileira” com Leci Brandão. O que prova que o preconceito sofrido algum dia veio de quem não importava.

“A galera que toca samba, que vive do samba, sempre nos recebeu muito bem”, diz o cavaquinista Rafael Freire, dono da casa na rua Casuarina. Nome que já está escrito no samba.

Ouça abaixo trecho da música Certidão, do Casuarina

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Do Sal a Oswaldo Cruz Resultado da promoção do Casuarina

2 Comentários Add your own

  • 1. Jorge Augusto  |  dezembro, 2007 às 2:28 pm

    Há grupos melhores, como o Galocantô… mas até que o som deles não é horroroso.

    Responder
  • 2. My Thor  |  dezembro, 2007 às 3:22 pm

    Fui no show desses caras recentemente. Cantam bem, tocam bem. Gostei das músicas autorais também. Tão de parabéns

    Responder

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