Archive for dezembro, 2007
Ivan Milanez dá a benção

Por Thales Ramos
Foto de Bruno Villas Bôas
Depois de terminar o primeiro set de músicas, o grupo Samba da Amendoeira cede espaço para o convidado do dia, Ivan Milanez. Daí pra frente, ele toma conta da roda e canta uma série de sambas antigos e recentes, mostrando que desenrola qualquer repertório.
Cria do Império Serrano, é filho de fundadores da escola. Sua mãe, dona Pretinha, foi costureira de alas. “Eu fiz parte da primeira ala de show marcado, de coreografia, entende? Foi a primeira escola que fez isso.” Foi passista, fez parte da bateria e concorreu a sambas-enredo.
“Eu me enturmo muito com as pessoas mais jovens que eu. Sou padrinho do Galocantô e do Samba da Amendoeira”. É mais ou menos por aí. Na década de 90, Ivan, já um sambista experiente – tendo tocado com Roberto Ribeiro e Zeca Pagodinho – foi um dos responsáveis pelo ressurgimento do samba na Lapa.
“O Ivan teve uma grande influência nessa questão da Lapa, sempre estava conosco no samba do Bar do Junior, na Joaquim Silva”, diz Mingo, do Samba da Amendoeira. Segundo ele, no bar figuravam vips como Fernanda Abreu, Luiz Fernando Guimarães e Marcos Palmeira.
Ivan escolhe bem quem merece sua benção. Se o Galocantô já é um grupo com nome na praça – conhecido dele dos tempos “antigos” de Lapa -, o Samba da Amendoeira aos poucos vem ganhando espaço. As rodas do grupo acontecem toda quarta-feira, no Clube Barradas, no Barreto, em Niterói e recebem uma média de 150 a 200 pessoas.
“A idéia original era juntar os amigos para tocar juntos e resgatar o samba da Engenhoca. Deu certo”, diz Phelipe Ornellas (cavaco), que além de Mingo (surdo), divide a roda com Yuri Portela e Monem, ambos percursionistas.
Há um ano juntos, completaram o 4 meses no local sempre recebendo convidados ilustres como Dunga, Orlando Magrinho e Chiquinho Vírgula, compositor de “Insensato Destino” (com Acyr Marques e Maurício Lins), sucesso na voz de Almir Guineto. Chiquinho é parceiro de dois integrantes do grupo – Mingo e Yuri – na música “Se liga menor”, vencedor do primeiro concurso de samba de terreiro de Niterói.
Os apadrinhados de Ivan sonham alto. Projetam no futuro ter um centro cultural na Engenhoca e no próximo carnaval já saem na rua com o bloco “Cordão da Amendoeira”. “A rapaziada aqui está de parabéns. É um prazer ser padrinho deles”, afirma Ivan.
Outro prazer na vida de Ivan é fazer parte da Velha Guarda Show do Império Serrano. Com ele estão Wilson das Neves, Zé Luiz do Império, Aloísio Machado entre outros. Ele afirma que o trabalho deles consiste em exaltar e representar a Velha Guarda da escola.
O velho Camunga
Por Thales Ramos
Foi enterrado, no dia 25 de dezembro, o flautista Cláudio Camunguelo. Sambista bamba, Camunguelo foi daqueles que se reconhecia de longe que era bamba. Quem passava por ele, mesmo fora de um ambiente de samba, fazia um comentário do tipo: “só pode ser sambista”.
Não vou ocupar o espaço biografando o artista. Qualquer um que queira saber quem ele foi e o que representava basta passar cinco minutos buscando na internet. Vou escrever aqui os contatos que tive com ele e das influências dele sobre mim.
O conhecia de nome. Tínhamos amigos em comum que me contavam histórias impagáveis sobre ele. Como das festas que promovia em sua casa, abrindo as portas para amigos e universitários curiosos pelo seu universo. Mas há dois anos comprovei o que até então pra mim era um tanto distante.
Eu estreava no dia nacional do samba, o popular “samba no trem”. Um camarada me apresentou a Camunguelo e a sua esposa, Cris, uma mãe-de-santo imponente, alta e com belo sorriso nos lábios.
Junto com amigos, passamos o dia juntos. Na Pedra do Sal, antes de partir pra Central do Brasil, sentamos e tomamos algumas cervejas. Ele contou casos de Paulo da Portela, nos emprestando algumas lições de vida, enquanto esperávamos a chuva passar. No ônibus pra Central – onde se apresentaria – todos cantavam “Peixeiro Granfino”, enquanto Camunguelo versava em cima, cena que se repetiria no trem para Oswaldo Cruz, onde ele presenteou toda nossa “caravana” com bilhetes de passagem.
Camunguelo era então o primeiro sambista que eu desfrutava de uma companhia mais íntima. Eu admirava sua simplicidade e a maneira com que tratava a todos. Cada roda que passava, fazia questão de dar a sua canja. Num bar de esquina e som precário, alta madrugada em Oswaldo Cruz, o então aspirante Diogo Nogueira pegou o microfone e disse: “Primeio queria dizer que é um prazer estar no mesmo local que Camunguelo”.
Na hora de ir embora, me deu um abraço e disse: “Garoto, obrigado pelo dia. Felicidades pra nossas famílias e pros seus estudos”. Eu, que nem era mais estudante, tive a certeza de sair dali aprendendo muita coisa. Depois disso, o encontrei muitas vezes nos sambas. Ele nunca me reconheceu, mas também nunca me recusou um abraço.
Kid Morengueira, o herói do samba de breque

Por Thales Ramos
Em meados dos anos 90, Furacão 2000, Las Vegas e Pipo’s disputavam a posição de equipe mais popular entre os funkeiros cariocas. Foi nessa época que a Pipo’s lançou a lendária montagem “Jack Matador”, que seria mais uma não fosse por um detalhe: o começo era um sampler de “Na subida do morro”, sucesso na voz de Moreira da Silva, nosso homenageado de dezembro.
“Na subida do morro me contaram…” era a introdução que dava início a “faroéstica” montagem. Coincidência ou não, Moreira da Silva lançou uma inovadora seqüência de músicas nos anos 60, em que usava a linguagem das novelas de rádio, fazendo uma ponte com os grandes sucessos do cinema e de séries como 007 e Os Intocáveis.
Eram seis sambas de breque em que o Kid Morengueira era herói, justiceiro e galã, todos compostos por Miguel Gustavo que, na narração, tinha o nome pronunciado com ares yankees, como na introdução da música “Os Intocáveis”. “Os Intocáveis, dramático filme de Michel (Maiquel) Gustav, com o famoso detetive Kid Morengueira”. Nessa música, o famoso promotor Eliot Ness é colocado como auxiliar do Morengueira e, no final, claro, nosso herói prende Al Capone.
Em “Morengueira contra 007”, além de Moreira da Silva e o agente britânico, estrelam Pelé e Cláudia Cardinale. James Bond dá um flagrante em Pelé, que beijava a estrela italiana. Moreira dá um soco em Bond e livra a cara do rei. Mais tarde, ela confessa ser apaixonada pelo sambista e diz que só esteve no Brasil para seqüestrar Pelé e evitar que ele jogasse contra a seleção inglesa.
Não faltam também referências ao cinema nacional, como em “O rei do cangaço”, inspirado nos filmes que contavam a história de Lampião e Maria Bonita. Nessa canção, Moreira da Silva faz papel de um xerife maroto, apaixonado por uma mulata que corta a cabeça de Lampião.
Os outros três sambas de breque da seqüência são “O seqüestros de ringo”, “O rei do gatilho” e “O último dos moicanos”. Ouçam porque vale muito a pena. Certamente estão disponíveis na internet.
Zé Pentelho, um cara chato pra #!@#*!

Por Equipe O Samba
Quem nunca viu na roda aquele cara chato, que chega querendo mostrar que conhece todo mundo? Atrapalha os músicos, atravessa o samba, mete a mão no copo dos outros… Toda roda tem seu Zé Pentelho, personagem criado pelo cartunista Floriano Carvalho e que ilustra a edição zero do jornal O SAMBA, lançado em dezembro.
O Samba de Franco

Por Equipe O Samba
Foto de Bruno Villas Bôas
Qualquer coisa a escrever agora, em um momento de tristeza, pode parecer piegas, vulgar ou clichê. Só nos resta a homenagem ao mestre Franco, personagem principal do primeiro número do jornal O SAMBA e que nos deixou nesta terça-feira, vítima de insuficiência respiratória.
Só tivemos um encontro com o doutor, em uma entrevista de quase três horas. Com seu jeito cativante, nos sentimos como se fôssemos amigos de longa data. Mas a nossa relação era antiga. Há muito tempo já nos sentíamos íntimos do compositor, pois conhecemos sua obra desde a infância e aprendemos a gostar de samba ouvindo os “porres 1 e 2” da União da Ilha e suas parcerias com Arlindo Cruz.
Este post era para ser de comemoração, celebrando a chegada de O SAMBA às ruas. Nossa idéia era colocar uma música inédita de Franco para os leitores conhecerem e uma nova matéria, diferente da que está na versão impressa (na qual ele é a capa).
Apesar da tristeza, não poderíamos privar os sambistas de ouvi-lo mais uma vez. Então, a música “Voz do meu desejo” (com Leandro Lima), gravada apenas por ele em seu pequeno estúdio, está disponível no blog (no player do menu, à esquerda). Como ele gostava de dizer, é samba de Franco.
Quando lhe contamos por telefone que sua foto estaria na capa, ao lado de Arlindo Cruz, ele brincou: “O Arlindo como meu anjo da guarda”. Hoje, além de ídolo, o doutor é o nosso anjo da guarda.
Ao amigo Franco, fica nossa saudade. Louca.
POR EQUIPE O SAMBA
O encontro de D2 com O Samba

Por Thiago Dias
O som de cavaquinho vinha da sala ao lado, onde Mart’nália dava entrevista. Mas no camarim de um rapper o samba também se sentia em casa. Com o nome do ritmo e a foto de Bezerra da Silva tatuados no braço, Marcelo D2 falava sobre seu amor pelo Flamengo, em conversa ao GloboEsporte.com antes de seu show no Oi Noites Cariocas, quando o rádio chamou: “Sou eu, Arlindo. Estou indo aí. Tem credencial?”. “Pô, parceiro, é só chegar e falar que é o Arlindo Cruz!”, respondeu o ex-Planet Hemp. Era a deixa para tirar da mochila alguns dos primeiros exemplares do jornal O SAMBA, com o “monstro” na capa.
“Aí, Marcelo, queria te mostrar um negócio”, falei, meio cabreiro com a reação dele, entregando ao rapper os jornais. “Porra, que maneiro! Lindão, hein! Ó lá, seu Walter!”, dizia D2, aparentando ter gostado do que via e rindo da foto do Alfaiate.
Por alguns minutos, deixou o Flamengo de lado e ficou folheando as páginas, vendo as fotos, conferindo os personagens e parou no texto sobre sua relação com Arlindinho.
Expliquei como era o nosso projeto e que a versão impressa tinha acabado de sair da gráfica. “Nem o Arlindo viu ainda?”, perguntou. “Não”. “Então vou mostrar pra ele”, prometeu.
Fui embora antes da chegada do compositor. Orgulhoso, peguei o telefone e liguei para um dos amigos que abastece o blog e o jornal para contar a reação de D2, que não faz feio misturando rap com samba.
Se os bambas têm aprovado Marcelo D2, Marcelo D2 aprovou O SAMBA.
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Lembrando que a nossa festa será dia 18/12, no Bar da Ladeira, Lapa. Participe também da nossa promoção e concorra a um par de ingressos! Detalhes no post abaixo.
Jornal: lançamento e promoção!

Por Equipe O Samba
O blog “O Samba é meu dom” rompeu a barreira da grande rede e ganhou uma versão impressa. Cinco mil exemplares com oito páginas coloridas circularão pelo Rio de Janeiro a partir de hoje. Na Lapa, Centro, subúrbio, Zona Sul e Niterói você poderá pegar o seu exemplar e desfrutar, no papel, o que até então só havia na net. Tudo isso a um preço módico de 100 mil réis. Isto é: GRÁTIS
E para comemorar o nascimento do novo jornal carioca, dedicado a tratar exclusivamente da cultura do samba, convidamos você para o lançamento desta edição de número zero. A festa ocorrerá no próximo dia 18, terça-feira, no Bar da Ladeira, na Lapa, a partir das 20h. No palco, o grupo Canja Carioca fará o show, que contará com diversas “canjas” de outros músicos consagrados, como os grandes Walter Alfaiate, Zé Katimba e Zorba Devagar.
Será uma festa do samba, sem frescuras, regada à cerveja de garrafa e boa música. No final do show, será servida uma canja de galinha no capricho para o público – cortesia do grupo Canja Carioca.
Na nossa festa, além de Walter Alfaiate, Zé Katimba e Zorba, teremos ainda as presenças Chico Alves (Unha de Gato), Daniel Pereira (atual campeão do samba do bloco “Imprensa que eu gamo”) Fidélis Marques (autor de “Sorriso de um Banjo”), Tiago Mocotó e Ricardo Mansur, além de outras surpresas. Será uma verdadeira reunião de bambas comandada pelo Canja Carioca, que festeja meio século de Marcos Jabú, cantor e compositor das noites cariocas.
O Bar da Ladeira fica na Rua Evaristo da Veiga, 149, Lapa (em frente aos Arcos da Lapa). Tel.: 2224-9828
Couvert: R$10
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PROMOÇÃO:
Nossa primeira capa traz Franco e Arlindo Cruz, parceiros em inúmeras composições, inclusive do disco novo da Maria Rita. Os dois primeiros leitores que escreverem para o blogsamba@gmail.com dizendo o número exato de parcerias que essa dupla possui ganha um par de ingressos.
Dica: Arlindo acaba de alcançar a marca de 500 composições. Para se chegar ao número correto de parcerias que ele tem com o Franco, basta você dividir 500 por um número ímpar de 1 a 10 que você chegará ao resultado. Sabe matemática? Então mete bronca aí. Dica final: é um número exato, lógico!
Esperamos vocês lá.
Casa de show na Abolição? Sambola

Por Thiago Dias
Imortalizado pelo Revelação nos versos de improviso na música Dora, de Aniceto do Império, o Sambola está de volta à ativa. E a casa de show na Abolição, agora batizada Sambola Hall, promete ser muito mais do que de samba. Para isso, investiu alto: quase R$ 400 mil.
Ponto de encontro de bambas nos anos 80, como João Nogueira e a galera do Cacique de Ramos, o Sambola agora quer ser casa de espetáculos em geral. Nélio Carlos, sócio de José Escafura (o Piruinha), vibra por ter marcado shows de Chico Anysio e Wando no local, que ficou fechado durante um ano e meio.
“Estava tudo depredado. Trocamos da torneira do banheiro ao palco. Gastamos R$ 370 mil na reforma. Uns R$ 250 mil só em aparelhagem de som e luz, que eu garanto que são os melhores da cidade”, disse Nélio ao blog O SAMBA durante a feijoada de reinauguração do Sambola, dia 1º de dezembro.
A festa contou com a presença da madrinha de bateria da Portela, Adriana Bombom, eleita madrinha da casa. No comando da roda, o bom grupo Samba Pra Gente, que não fez feio no repertório e espera lançar um disco em breve pela EMI.
Mais antigo proprietário do Sambola, Piruinha já chegou a ser preso no Rio, acusado de ser um dos chefões do jogo do bicho na cidade. Ele foi um dos alvos da juíza Denise Frossard, que se empenhou na metade dos anos 90 a levar para a cadeia os contraventores, como Castor de Andrade. O auge do Sambola aconteceu uma década antes disso.
No embalo do Cacique de Ramos, a casa promovia shows com os sambistas que estavam se destacando. Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz são nomes de alguns bambas que começaram a se profissionalizar por lá. “Quase todos os grandes sambas do Almir nasceram aqui”, jura Nélio.
Resultado da promoção do Casuarina
Por Equipe O Samba
A música do compositor Aluísio Machado gravada pelo Casuarina é “Minha filosofia”, no primeiro CD do grupo, lançado em 2005. Os vencedores da promoção, que foram os cinco primeiros a responder certo à pergunta por e-mail, são:
Rodrigo Corrêa
Fernando Peixoto
Bárbara Carvalho
Camila Martins
Daniela Speciale
Rodrigo, Fernando, Bárbara, Camila e Daniela ganharam pares de ingressos para a roda de samba do Casuarina no dia 11 (terça-feira), na Fundição Progresso. Além disso, levaram de brinde senhas para baixar de graça na internet duas músicas inéditas do grupo.
Os vencedores já foram contatados para saber como retirar os convites.
Infelizmente não podemos premiar todos que enviaram e-mails. Fica para a próxima promoção! Obrigado pela participação.
O futuro do pretérito

Por Thiago Dias
Há quem os critique por serem brancos e morarem na Zona Sul do Rio de Janeiro, por mais que essas características não sejam normalmente alvos de preconceitos. Há quem os chame de saudosistas demais, por gostarem de cantar Cartola, Jackson do Pandeiro. Há ainda quem os considere opostos ao Revelação, apesar de levarem o mesmo tipo de música. Você pode até concordar com tudo isso, mas não dá para negar que o Casuarina já escreveu seu nome entre os melhores grupos cariocas de samba da atualidade.
“Escreviam que nós éramos os representantes do novo samba da Lapa. No início nos preocupávamos em ser tachados assim, mas agora temos até orgulho disso”, diz Gabriel Azevedo, pandeirista e vocalista. “Hoje, tem até concurso de talento lá. Quando começamos, era tá lento”, brinca Daniel Montes, fera no violão de sete cordas.
Agora, a meta é romper as fronteiras do tradicional bairro. “Já tocamos em São Paulo, Recife e Brasília. É pouco, mas onde tocamos nós voltamos”, afirma João Cavalcanti, também vocalista. Mas eles estarão de volta à Lapa na terça-feira, dia 11, quando retomam a roda de samba na Fundição Progresso. “Estamos tocando muito em pé, shows. Vamos matar a saudade da roda”, diz Gabriel.
Os leitores do blog O SAMBA se deram bem: podem concorrer a cinco pares de ingressos para o show desta terça-feira, somados a cortesias para baixar duas faixas inéditas da banda na internet. Quer participar? Então responda a seguinte pergunta ao e-mail blogsamba@gmail.com: qual música do compositor Aluísio Machado, membro da Velha Guarda do Império Serrano, foi gravada pelo Casuarina em seu primeiro disco? A resposta está aqui pelo site, é só procurar em posts anteriores.
O respeito por Aluísio Machado é apenas um exemplo da relação da garotada com os bambas. “A geração da Lapa, como ficamos conhecidos, era muito criticada por ser saudosista. E essa crítica era pertinente”, lembra Gabriel. O primeiro CD, lançado em 2005, foi só de regravações. “Se há samba bom sendo feito ao nosso redor, temos que mostrar. Agora, nosso disco é mais autoral”, completa, falando sobre o repertório do recém-lançado “Certidão”.
É fácil perceber as influências dos bambas no som, e na estética, do grupo. Há um designer, Diogo Montes (irmão de Daniel), responsável pela identidade visual deles, desde o site aos discos. O que surpreende é o discurso aberto sobre a geração de sambistas dos anos 90, que é criticada na mesma proporção que tocou nas rádios.
“Ouvíamos muito, ninguém aqui renega”, revela João Fernando (bandolim). “Acho que foram até fundamentais para a minha formação musical. As letras geralmente não eram das melhores, mas havia arranjos e melodias muito bons”, analisa João Cavalcanti, principal compositor da banda e filho do consagrado Lenine.
Gabriel cita ainda uma história curiosa para mostrar que deles não parte o preconceito que um dia já sofreram. “O Anderson Leonardo tocou com a gente uma vez. E ficou receoso, não sabia como ia ser a reação do público. Preparou até um repertório de clássicos, e ele sabe coisa pra caramba! Quando chegou no palco, a galera foi à loucura quando cantou Dança da Vassoura. Ele se soltou e mandou a gente esquecer o que tinha combinado”, conta, aos risos.
Misturando passado com presente, na esperança de ser lembrado do futuro, o Casuarina só quer fazer o seu batuque. Seja na Zona Sul, na Zona Norte, fora do Rio ou até na Cidade do Samba, onde a banda está presente no projeto de Zeca Pagodinho dividindo o histórico “Aquarela Brasileira” com Leci Brandão. O que prova que o preconceito sofrido algum dia veio de quem não importava.
“A galera que toca samba, que vive do samba, sempre nos recebeu muito bem”, diz o cavaquinista Rafael Freire, dono da casa na rua Casuarina. Nome que já está escrito no samba.
Ouça abaixo trecho da música Certidão, do Casuarina


