Terreiro Grande faz show no Rio e prepara DVD
novembro, 2007 at 3:25 pm 7 comentários

Por Bruno Villas Bôas
Terreiro Grande é um grupo paulista de samba. Esqueça o “pagode paulista”, “sambanejo” ou “sambrega”, aquela fórmula brega-romântica que fez sucesso nos anos 90 em São Paulo. Se o leitor ainda não conhece Terreiro Grande, aliás, provavelmente torceu o nariz ao ler “grupo paulista de samba”. Esses caras são diferentes.
Formado por 15 músicos amadores, o Terreiro Grande toca basicamente sambas das décadas de 30 a 50. No repertório estão mestres como Paulo da Portela, Silas de Oliveira, Xangô da Mangueira, Anescar do Salgueiro, Manacéa, Chico Santana, Candeia, Ismael Silva. Também costuma tocar mais Portela do que de outras escolas.
Pois esse repertório será apresentado pelo grupo no Rio em 24 e 25 de novembro (Ilha de Paquetá e Trapiche Gamboa, respectivamente), parte do trabalho de divulgação do CD “Cristina Buarque e Terreiro Grande”. O CD foi lançado em setembro e tem 37 músicas divididas em quatro blocos, de até 30 minutos ininterruptos.
O tal grupo paulista era, na verdade, o Grêmio Recreativo Tradição e Pesquisa Morro das Pedras, formado por amigos que se reuniam periodicamente para homenagear nomes fundamentais da história do samba, cantando seus repertórios – em especial as músicas menos conhecidas. Trocavam CDs, vinis e músicas baixadas.
O gosto por sambas antigos é motivo, no entanto, de críticas contra o grupo, considerado por muitos como excessivamente puritano. “Não buscam a própria sonoridade”, dizem uns, “não produzem coisas novas”, afirmam outros. Recentemente, um dos integrantes do Terreiro disse que Zeca Pagodinho agride seus ouvidos, o que também não ajudou.
O fato é que tocam muito bem e tem sim um repertório excelente. Tanto que a pesquisadora Cristina Buarque saiu recentemente de sua aposentadoria – que dedicaria “aos gatos, discos e a catar preciosidades do samba” – para participar, em São Paulo, de uma homenagem dos caras a Alvaiade, compositor portelense.
De volta ao Rio, ainda inebriada por tudo o que havia visto e ouvido, Cristina sacou o caderninho de telefones e saiu a ligar para os amigos mais próximos, na tentativa de relatar o que acabara de testemunhar. Resultado saiu neste ano, com o lançamento do CD Cristina Buarque e Terreiro Grande, gravado ao vivo em São Paulo.
Depois do lançamento do disco, o Terreiro Grande espera lançar no próximo ano um DVD com o show ao vivo do teatro Fecap. O pessoal do grupo já colocou no Youtube, inclusive, uma faixa do DVD em que toca “Solidão”, de Geraldo Babão, compositor que não coincidentemente nasceu em Terreiro Grande, morro do Salgueiro.
Serviço:
Sábado, 24 de novembro – 15h
Tia Leleta Bar (Bar do Zarur)
Entrada franca
Rua Dr. Lacerda, 18 (em frente à Telemar)
Ilha de Paquetá
Domingo, 25 de novembro – 17h
Trapiche Gamboa
Couvert R$16
Rua Sacadura Cabral, 155, Pça Mauá
Rio de Janeiro
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1.
Wagner Freire | novembro, 2007 às 5:02 am
O cd é impecável! Já faz um bom tempo que eu não ouvia nada igual.
Estou ansioso pra prestigiar esse “paulistas” por aqui, ao vivo.
Será uma honra receber esse pessoal em nossa cidade.
Salve o Terreirão paulista!
2.
blogdosall | novembro, 2007 às 9:10 pm
Salve, Equipe d’O Samba!
Bom, como sempre, adoro visitar esse espaço e ler as matérias sobre o nosso querido samba, mas lendo essa sobre o Terreiro Grande, percebi que ainda exite uma certa resistência, ou talvez seja apenas falta de curiosidade e mais empenho jornalístico, para conhecer o samba paulista, que nada mais é do que o samba feito em São Paulo, ou seja, continua sendo samba. Sou paulista, adoro samba, admiro muitos músicos cariocas e reconheço a importância do RJ em todo esse processo musical, mas resumir o samba feito em SP a “sambanejo”, “sambrega” e outros títulos, é limitar o conhecimento musical e distorcer o trabalho de muita gente boa que vive do samba por aqui, e acho que a equipe deste renomado blog anda super apurada e antenada o suficiente para evitar esse tipo de gafe.
Vou continuar lendo o blog aqui em SP, mas espero que essa visão musical possa ser menos bairrista nas próximas edições.
Grande abraço!
Sall
3.
Marcelo Correia | novembro, 2007 às 1:09 pm
Ainda não conheço o trabalho por completo. Não ouvi o Cd. Porém já ouivi algumas coisas pela internet. O trabalho é excelente e o Terreiro Grande está de Parabéns!
Infelizmente, talvez eu não possa comparecer no trapiche no dia 25. Mas como estarei ali ao lado, vou tentar dar uma escapadinha pra conhecer um pouco mais desse trabalho. E, é claro, apreciar.
um forte abraço a todos! Tamo junto! Parabéns, Terreiro Grande!
4.
Bruno Villas Bôas | novembro, 2007 às 12:53 pm
Sall, sabemos que o samba produzido em São Paulo não se resume a “sambanejo”, “sambrega”, embora essa seja a imagem q tenha ficado para muita gente que gosta de samba. Por sabermos que não se resume a isso, fizemos essa matéria com Terreiro Grande. Abs
5.
Luiz Carica | dezembro, 2007 às 11:53 am
Trabalho lindoque entra para a posteridade da Cultura Sambística, simples e inexplicávelmente maravilhoso..`.É uma pena que a cortina do preconceito bairrista, iniba perceber a realidade, o Rio sempre foi o maior berço representativo do Samba, porém este Samba autêntico sem conservantes e agrotóxicos (como fala Mestre MOnarco)vem migrando demasiadamente…basta andar pelos Terreiros do interior de MInas, SP, Salvador, RG e outros mais… Axé pra todos!!!
6.
sambista | julho, 2009 às 11:21 pm
Pô vc falou mal do samba de sp da déc de 90, mas esqueceu de falar das bombas que vcs fabricam – molejão, sorriso maroto, água na boca, etc, etc, etc. Acho que vc tá generalizando tem muita gente boa, mas muita gente boa mesmo nesse estilo que embalou e embala até hoje o país. Melhor que esses 15 babacas sem personalidade que, ao invés de cantar (pelo menos) a história de sp, se propõem a cantar a tradição falida do Rio de Janeiro. Essa tradição imposta institucionalmernte e tombada anti-democraticamente. Esses caras vão ficar como muitos outros “sambistas” de sp – servindo de mão de obra barata para artistas cariocas decaídos. Nós vivemos uma crise na qualidade da produção artística nacional, com um monte de estado vivendo de passado, e vc vem falar de sp. Tem muita gente que se deixa iludir pelo canto da sereia, ou por um sapato bico fino ou ainda um chapéu de bamba, mas a encenação termina com a primeira obra musical que colija um amontoado de sambas de terceiros. Esses caras incorporaram o discurso dominte, isso sim, e estão fazendo samba pra elite ( a mesma que sempre desqualificou esse tipo de samba), pras comunidades universitárias, nos bairros chiques e nos grandes teatros. Porque o povo humilde de sp e do rj estão lá nas periferias e nos morros (que é de onde vem esses caras) curtindo pagode da déc de 90 e funk (carioca).
Os sambistas “tradicionais” e os apreciadores de samba deviam aprender com a crônica social de seus mestres imortais, e descrever a realidade social dos morros e favelas de hoje. Se o homem miserável e ignorante , em tempos idos, nunca fora atacado com brutal violência pelos grandes mestres – mas, contraditoriamente, tivera as suas representações e símbolos tornados a mais pura matéria prima para a formação inclusive de uma tradição -, é inconcebível que os sambistas e apreciadores tradicionalistas o façam agora, porque isso põe em xeque a lógica da própria tradição.
Respeitem o imaginário popular, ataquem o sistema e não os indivíduos e suas crenças e representações sociais. Não cabe ao sambista qualificar o tipo de pobreza ou de miséria, ele só tem que ter talento para descrevê-las.
Essa lógia permite coisa maravilhosas, como por exemplo mesmo: “Alvorada lá no morro que beleza, ninguém chora não há tristeza, ninguém sente dissabor”
Agora, é verdade, tem certos tipos de pobreza que dão mais dinheiro que outras. E tem muito sambista tradicionalista que descobriu isso. Mesmo não tendo 1/3 do talento do Cartola, Talismã, Tuniquinho Batuqueiro ou Geraldo Filme.
7.
Elmira | agosto, 2011 às 3:56 pm
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