Archive for novembro, 2007
Além do espelho de João

Por Thiago Dias
Foto de Thiago Tudesco
“Mas meu pai foi-se embora no cortejo
E eu no espelho chorei porque doeu
Só que olhando meu filho agora eu vejo
Ele é o espelho do espelho que sou eu”
Os versos de João Nogueira e Paulo César Pinheiro batem forte em quem já perdeu o pai. Não é diferente com Diogo Nogueira, filho de João e nova aposta de sucesso do samba carioca. A letra de “Além do Espelho” emociona. Tanto que o jovem músico, de 26 anos, evita até cantá-la em seus shows.
João Nogueira morreu em 2000. Há um ano, nasceu o primeiro filho de Diogo. Agora, ele vive a situação retratada na música, que ganhou um novo sentido em sua vida. Não podia ser diferente.
A relação com João era e ainda é estreita. O sambista tem tatuagens no braço em homenagem ao pai: uma foto, a assinatura e a partitura de “Espelho”, outro sucesso do líder do Clube do Samba. Em seu CD e DVD de estréia, “Diogo Nogueira ao vivo”, o jovem gravou seis músicas do ídolo. Mas passa longe de “Além do Espelho”. “Ela emociona mesmo, nem canto para testar. É marcante, não é mole não”, diz ao SAMBA, durante conversa para matéria no site GloboEsporte.com. “De qualquer maneira, meu amor, eu choro”, cantarola, para despistar.
Além do amor pelo samba, Portela e Flamengo, Diogo guarda mais semelhanças com o pai. A gravação do disco foi no Teatro João Caetano, um dos palcos preferidos de João. O timbre de voz dos dois é muito parecido e às vezes chega a confundir um ouvinte menos atento. Às críticas de que devia tentar se desvincular da imagem de João, o filho responde que é um orgulho ser comparado ao mestre. Assim, segue apenas o conselho de “Além do Espelho”:
“A missão de meu pai já foi cumprida
Vou cumprir a missão que Deus me deu
Se meu pai foi o espelho em minha vida
Quero ser pro meu filho espelho seu”
Já é espelho, João, já é.
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Escute “Além do Espelho” no player ali no lado esquerdo.
Samba subversivo

Por Thiago Dias
Está na versão online do dicionário Houaiss: “que ou aquele que expressa idéias, pensamentos, opiniões opostos ou profundamente diferentes dos da maioria, que, por isso, freq. se sente ameaçada; que ou aquele que prega ou executa atos visando à transformação ou derrubada da ordem estabelecida; revolucionário”. Definição de subversivo. Palavra feia, mas que mostra características de Aluísio Machado.Coroa malandro e boa praça, esse compositor da Velha Guarda do Império Serrano já foi tachado assim. Aconteceu nos anos 60, quando compôs “A humanidade”, música daquelas com letra que faz pensar e refletir por alguns minutos. Revolucionária. “Ela foi censurada, fui considerado subversivo… É mole? Só consegui gravá-la agora, no CD que lançamos pela Biscoito Fino”, diz o sambista ao blog, lembrando do disco “Império Serrano, um show de Velha Guarda”, de 2006.
No último sábado, Aluísio participou do show do Casuarina no clube Santa Luzia, no Rio, e roubou a cena. Além de sucessos como “Bumbumpaticumbumprugurumdum” (campeão em 1982 com o Império) e “Pisa como eu pisei”, o compositor fez questão de mostrar o samba subversivo. Diz assim:
A humanidade entrou em choque
Ninguém se entende mais
Os homens na face da Terra
Não querem paz, só pensam em guerra
Querem alcançar o infinito
Querem conseguir o que não está escrito
O mal suplantou a bondade
A mentira superou a verdade
Quem tem muito quer ter mais
Quem não tem resta sonhar
Quem não estudou é escravo
De quem pôde estudar
Os direitos humanos são iguais
Mas existem as classes sociais
Eu não sou de guerra, sou de paz
Quero trabalhar para poder ter
É dando que a gente pode dar
Eu quero ser livre e liberar
Eu quero estudar e aprender
Eu só quero aprender para ensinar
Aluísio subiu ao palco para cantar “Minha Filosofia”, samba gravado pelo Casuarina no disco de estréia. Não largou o microfone e avisou: “Quem mandou me chamar?”. Deu sua canja e tirou onda. “Se eu cantar mais uma, vou querer dividir o cachê”, brincou. A galera do grupo ria, mas também sabia ser séria. “Vamos aplaudir o Aluísio, esse cara é um dos maiores compositores do Brasil”, disse um dos integrantes.
O carinho da garotada deixou o coroa emocionado. “Eles me conhecem mais do que eu conheço eles. O Casuarina me gravou sem eu saber, nem conhecia o grupo”, conta. A proximidade com os mais jovens mostra que Aluísio tem afinidade com o mundo moderno. Tem e-mail e até MSN. “Não sei usar direito, mas sempre tem alguém para me dar uma ajuda”, diz, e logo depois dita o endereço virtual, com direito a “underline” e tudo.
Orgulhoso por já ter sido o braço direito do Beto Sem-Braço, seu parceiro em alguns dos 12 sambas-enredos que venceu no Império Serrano, Aluísio é daqueles bambas que não temem o futuro. Mas vai devagarzinho, pois sabe que água demais mata a planta. Mas a censura não mata a poesia.
Ouça um trecho da canção “Humanidade” no nosso player ao lado.
Um dia de partideiro

Por Thiago Dias
Tenho mania de sempre tentar inventar uma rima diferente nos partidos gravados nos discos de Zeca Pagodinho, Almir Guineto ou Arlindo Cruz. Mas meu pensamento não é tão rápido como o deles e geralmente acabo me enrolando. Em rodas de samba, sou do tipo que fica em pé, com um copo na mão, balançando a cabeça e longe do microfone. Mas já tive meu dia de partideiro. Sem caô.
Estava eu em Curitiba, a trabalho, e fui convidado a ir em um bar com nome sugestivo: Corcovado. Como atração, o grupo Combinado Silva Só arrebentava no samba, me fazendo lembrar as rodas de Galocantô ou Casuarina (escute uma música deles no player ali no lado esquerdo). Todos de branco, chapeuzinho e entoando clássicos de Noel Rosa a Nelson Cavaquinho. No intervalo, fui apresentado à banda como o “carioca”. Depois de responder às clássicas perguntas como “Tá calor no Rio?” ou “O Carnaval lá é sempre bom?”, voltei a curtir o som. E resolvi me meter.
Quando começou a roda de partido alto, um carequinha subiu ao palco e passou a rimar com final “enta”. Como se estivesse ouvindo um CD do Zeca, pensei rápido: “Todo mundo sabe há muito tempo, que o Flamengo é o primeiro penta”. Opa. Deu certo! Olhei para um lado, olhei para o outro e pedi o microfone. Todo mundo me olhou espantado.
Mais uma rima, agora provocando o Obina. Não agüentei, pedi a voz de novo. E respondi defendendo o Anjo Negro. Quando eu fui ver, já tinha rimado umas cinco vezes, num duelo sadio e que levava a adrenalina a mil. Me senti um Almir Guineto.
De volta ao Rio, olhando para o Corcovado de verdade, continuo atrás de rimas. Mas sem coragem de mostrar para alguém. Como sempre.
Acha que estou mentindo? Então clica aqui e veja o depoimento de Alex Calderari, uma das testemunhas do meu dia de partideiro.
Concorra a CDs e ingressos do Galocantô

Por Equipe O Samba
O blog O Samba irá presentear seus leitores neste mês com dois CDs “Fina Batucada”, do grupo Galocantô, e cinco pares de convites para a 4ª Festa do Galo, que ocorrerá no dia 25 de novembro no Rio. Para participar basta responder, de forma criativa, à seguinte pergunta: “Por que vale a pena ver o Galo cantar na 4ª Festa do Galo?”
Os autores das cinco melhores respostas ganham um par de ingressos para a 4ª Festa do Galo, sendo que as duas melhores respostas também levam o CD “Fina Batucada”, o primeiro de um dos melhores grupos de samba da nova geração da Lapa. O Galocantô, por sinal, foi indicado ao Prêmio Tim 2007 na categoria “melhor grupo de samba”.
A promoção começa neste domingo (11/11) e segue até 22 de novembro. Para concorrer, basta enviar a resposta para o e-mail blogsamba@gmail.com. No e-mail, é obrigatório constar as seguintes informações: nome e endereço completos, número do documento de identidade (para retirada dos ingressos) e telefone de contato.
Clique aqui para ler o regulamento
A Festa do Galo, comandada pelo grupo Galocantô, já se firmou com um dos mais importantes eventos de samba da cidade. Na última edição, em dezembro do ano passado, mais de 800 pessoas lotaram a Quadra da São Clemente para homenagear, junto do grupo, a Velha Guarda do Império Serrano.
Neste ano, a Festa do Galo homenageia o jornalista Roberto M. Moura, cuja tese de doutorado, sobre as origens do samba, virou livro e inspirou o tema da festa. O evento ocorrerá no Centro Cultural da Ação da Cidadania, a partir das 16h. O endereço é Rua Barão de Tefé, 75 – Gamboa. Mais informações no site oficial do grupo.
Concorrem aos CDs residentes de todo o território nacional. Aos pares de convites, apenas moradores do Grande Rio. Os CDs serão enviados, sem custos, pelos Correios. Já os ingressos serão retirados no local do evento, com a apresentação do documento de identidade. Essa promoção é uma parceria com o grupo Galocantô.
UPDATE: confira aqui os nomes dos ganhadores.
Terreiro Grande faz show no Rio e prepara DVD

Por Bruno Villas Bôas
Terreiro Grande é um grupo paulista de samba. Esqueça o “pagode paulista”, “sambanejo” ou “sambrega”, aquela fórmula brega-romântica que fez sucesso nos anos 90 em São Paulo. Se o leitor ainda não conhece Terreiro Grande, aliás, provavelmente torceu o nariz ao ler “grupo paulista de samba”. Esses caras são diferentes.
Formado por 15 músicos amadores, o Terreiro Grande toca basicamente sambas das décadas de 30 a 50. No repertório estão mestres como Paulo da Portela, Silas de Oliveira, Xangô da Mangueira, Anescar do Salgueiro, Manacéa, Chico Santana, Candeia, Ismael Silva. Também costuma tocar mais Portela do que de outras escolas.
Pois esse repertório será apresentado pelo grupo no Rio em 24 e 25 de novembro (Ilha de Paquetá e Trapiche Gamboa, respectivamente), parte do trabalho de divulgação do CD “Cristina Buarque e Terreiro Grande”. O CD foi lançado em setembro e tem 37 músicas divididas em quatro blocos, de até 30 minutos ininterruptos.
O tal grupo paulista era, na verdade, o Grêmio Recreativo Tradição e Pesquisa Morro das Pedras, formado por amigos que se reuniam periodicamente para homenagear nomes fundamentais da história do samba, cantando seus repertórios – em especial as músicas menos conhecidas. Trocavam CDs, vinis e músicas baixadas.
O gosto por sambas antigos é motivo, no entanto, de críticas contra o grupo, considerado por muitos como excessivamente puritano. “Não buscam a própria sonoridade”, dizem uns, “não produzem coisas novas”, afirmam outros. Recentemente, um dos integrantes do Terreiro disse que Zeca Pagodinho agride seus ouvidos, o que também não ajudou.
O fato é que tocam muito bem e tem sim um repertório excelente. Tanto que a pesquisadora Cristina Buarque saiu recentemente de sua aposentadoria – que dedicaria “aos gatos, discos e a catar preciosidades do samba” – para participar, em São Paulo, de uma homenagem dos caras a Alvaiade, compositor portelense.
De volta ao Rio, ainda inebriada por tudo o que havia visto e ouvido, Cristina sacou o caderninho de telefones e saiu a ligar para os amigos mais próximos, na tentativa de relatar o que acabara de testemunhar. Resultado saiu neste ano, com o lançamento do CD Cristina Buarque e Terreiro Grande, gravado ao vivo em São Paulo.
Depois do lançamento do disco, o Terreiro Grande espera lançar no próximo ano um DVD com o show ao vivo do teatro Fecap. O pessoal do grupo já colocou no Youtube, inclusive, uma faixa do DVD em que toca “Solidão”, de Geraldo Babão, compositor que não coincidentemente nasceu em Terreiro Grande, morro do Salgueiro.
Serviço:
Sábado, 24 de novembro – 15h
Tia Leleta Bar (Bar do Zarur)
Entrada franca
Rua Dr. Lacerda, 18 (em frente à Telemar)
Ilha de Paquetá
Domingo, 25 de novembro – 17h
Trapiche Gamboa
Couvert R$16
Rua Sacadura Cabral, 155, Pça Mauá
Rio de Janeiro
O papa do samba é pop

Por Thiago Dias e Thales Ramos
Foto de Bruno Villas Bôas
“Vamos fazer barulho!”, grita o cantor, pedindo palmas à platéia. Não, não é Marcelo D2 quem se apresenta no Teatro Rival, no Rio. O artista é Arlindo Cruz, sambista com quase 30 anos de carreira e que agora começa a virar estrela até na MTV.
Amigo de bambas do samba como Zeca Pagodinho, Almir Guineto e Jorge Aragão, o compositor precisou de amizades mais jovens para se tornar estrela pop. Circulando ao lado de Marcelo D2 e Maria Rita, Arlindo ganhou fama e mais público.
“Fiquei um pouco mais pop sim”, diz em entrevista exclusiva ao blog O Samba, antes do show de terça-feira, que marcou o lançamento do CD “Sambista Perfeito”. O nome, ele jura, não é uma forma de se definir, mas sim de buscar um artista ideal no mundo do samba.
“Tem que ter a luz de Candeia, a parte melhor de Geraldo Pereira. Ser elegante como Paulinho e cativante como Martinho. Malandro e contagiante, como Zeca Pagodinho”, cantarola Arlindo o trecho de sua primeira parceria com Nei Lopes, que dá nome ao disco.
Ele pode até não ser perfeito, mas anda beirando. Como quase todo mundo sabe, Maria Rita se rendeu ao talento do filho do Cacique de Ramos e tacou seis composições dele no último disco. Façanha que orgulha o músico:
“Fiquei lisonjeado, claro. É quase metade do repertório dela. Foi uma honra”, afirma Arlindo, um fã da mãe da cantora: Elis Regina. “Ela não tinha a ginga natural de sambista, mas cantava muito bem samba. Tinha um jeito especial, com muita técnica”, lembra.
Com Maria Rita, Arlindo virou pop e MPB. Sigla que para ele não tem muito sentido. “Não há como separar o samba disso, pois o samba é a verdadeira música popular brasileira. É o ritmo que mais representa o Brasil”, analisa. Antes da filha de Elis, o sambista já teve músicas gravadas pelo MPB 4 e Chico Buarque. Ou seja, MPB não é novidade, mas ainda falta algo em sua carreira.
Após fazer parte do grupo Fundo de Quintal, formou dupla com o amigo Sombrinha durante oito anos e segue, desde 2002, carreira solo. Arlindo faz sucesso como compositor e vê suas rodas de samba sempre cheias pelo Rio, mas sabe que não tem o devido reconhecimento comercial.
“Sou respeitado como músico, partideiro, compositor. Mas acho que com esse novo disco vou atingir um patamar que eu mereço, assim como meus amigos Almir Guineto, Sombrinha, Reinaldo… Ou seja, tocar mais, repercutir mais”, diz no camarim.
A pirataria que já o assolou no cinema (sua música “Numa cidade muito longe daqui” acabou sendo retirada da versão final do filme “Tropa de Elite”, do diretor José Padilha), também o persegue na carreira. “Hoje, ninguém vende mais nada”.
Sem o pique da juventude (“Que saudade dos meus 20 anos”, diz), Arlindo pede ajuda para levantar da cadeira para tirar fotos para o blog. Olha a capa do CD e, como se copiasse a busca do novo parceiro Marcelo D2 pela batida perfeita, diz que está procurando um sambista perfeito. E sonha que ele esteja na sua própria casa:
“Tomara que meu filho seja assim”, brinca. Arlindo Neto já segue os passos do mestre, anda compondo e participou de disputa de samba-enredo na Mocidade. Mas está devendo uma coisa ao pai. “Estou louco para ele trazer uma idéia para escrever música comigo. Se não trouxer, eu mesmo chego junto!”, avisa Arlindo.
Ouça abaixo trecho da música “Sambista perfeito”
E aqui trecho da entrevista ao blog O Samba
Maria Lata D’Água na cabeça

Por Bruno Villas Bôas
Maria Mercedes Chaves. Esse é o nome de batismo de Maria Lata D’Água, uma das mais célebres passistas da Portela, escola em que desfilou por 45 anos. Apesar de uma vida de grandes perdas e privações, Maria marcou o carnaval do Rio de Janeiro, caracterizado pelo bom humor ao lidar com as próprias vicissitudes.
Nascida em Diamantina (MG), em 1933, Maria foi morar no Rio antes de completar 13 anos. Começou a participar dos desfiles em 49, quando saiu pelo Salgueiro, ainda sem a personagem. Mais tarde, foi trabalhar em um circo, onde tudo começou. Em entrevista ao site de uma comunidade católica, que agora freqüenta, ela lembra desse começo:
“Um dia nos convidaram para trabalhar num circo, em Nova Iguaçu (RJ), para encher lingüiça até os grandes artistas chegarem, mas eles não chegaram. O circo estava cheio e o patrão não sabia o que fazer. Disse que poderia dançar com uma lata d’água na cabeça. Ele não concordou. Tinha outra Maria da Bahia, que dançava igual. Eu disse que fazia melhor. Ele pediu show de 2 horas e, no fim, deu certo”, lembra.
Pouco tempo depois do sucesso no circo, Maria foi apresentar a dança no programa do Chacrinha, que dispensa apresentações. “Eu fiquei no trono do programa dele e passei a ser conhecida na cidade. Todo mundo dizia: ‘Maria Lata D’água’. Até que um dia me convidaram para sair numa escola de samba”, lembra a passista, que já havia saído por diversas outras escolas, mas sem posição de destaque.
O convite foi feito pelo Salgueiro. A escola, contudo, inexplicavelmente, não aceitou que ela saísse com a lata d’água. Foi quando a Portela a convidou para um show. Resultado: foi aprovada e desfilou durante 45 anos na escola . “Viajei, morei na Europa durante 30 anos, mas todos os anos eu voltava e desfilava na Portela”, lembra ela.
A Maria Mercedes Chaves não desfila desde 1991, quando ingressou na Comunidade Canção Nova. Desde então, ela afirma que não teve mais coragem de desfilar. Maria Lata D’Água permanece, contudo, nas antigas imagens (como essa que resgatamos acima) e no samba “Lata D’Água”, de Luís Antonio e J. Júnior, de 1952.
Lata d’água
(Luís Antonio e J. Júnior)
Lata d’água na cabeça
Lá vai Maria
Lá vai Maria
Sobe o morro e não se cansa
Pela mão
Leva a criança
Lá vai Maria
Maria
Lava a roupa
Lá no alto
Lutando pelo pão
De cada dia
Sonhando com a vida
Sonhando com a vida
Do asfalto
Que acaba
Onde o morro principia
Zé Katimba no jornal O Samba

Por Equipe O Samba
Foto de Bruno Villas Bôas
Catorze vezes vencedor do samba-enredo na Imperatriz Leopoldinense e autor dos antológicos “Martim Cererê” e “O teu cabelo não nega (Só dá lalá)”, Zé Katimba estará no jornal O Samba, que a equipe do blog lançará em dezembro deste ano.
“A escola é de samba, não é de alegoria, adereços. Ela perdeu a identidade. O carnavalesco faz com que o jovem tenha vergonha da sua raiz. Os carnavalescos têm paladar de besouro”, afirmou Katimba, em entrevista a Emiliano Mello e Thales Ramos.
Louvemos Aniceto do Império
Por Thales Ramos
Aniceto do Império (Aniceto de Menezes e Silva Júnior) olha para o céu e conversa com Deus. Fala de suas origens e obra. No fundo, um cargueiro, cujo nome é Palmares. A cena se passa no cais do porto do Rio, onde trabalhou boa parte da vida e foi um dos líderes do Sindicato dos Arrumadores, ligado à defesa dos direitos dos negros.
O trecho é do filme “Aniceto do Império em dia de alforria…?”, de um dos atores e diretores mais importantes do cinema brasileiro, Zózimo Bulbul. O curta-metragem é um belo registro do sambista, considerado um dos maiores partideiros da história, ao lado de nomes como Candeia, Geraldo Babão e Xangô da Mangueira.
O filme começa com Aniceto – sempre muito enfático ao longo do filme – mandando brasa, exaltando o nome da escola que ajudou a fundar: “Salve a Serrinha, hoje Império Serrano”. Outras cenas históricas são do show ao lado dos jovens Wilson Moreira e Nei Lopes, com Bira Presidente (Fundo de Quintal) no pandeiro, e da rua Silas de Oliveira.
Carioca do Estácio, Aniceto compôs mais de 600 músicas. Embora seja fundador de uma escola de samba, não gostava de compor sambas-enredo. Suas músicas são rebuscadas e fundamentalmente de origem africana.
O primeiro disco veio ao lado de Nilton Campolino e chama-se “O Partido Alto de Aniceto & Campolino”. Sete anos depois, com 72 anos, lançou o segundo e último disco: “Partido Alto Nota 10”, uma obra-prima. Fundamental para o entendimento do que é partido-alto. Zezé Motta, Roberto Ribeiro, Dona Ivone Lara, João Nogueira e Martinho da Vila fortalecem nas participações.
As rimas são lindas e a voz de Aniceto convoca a levantar e sambar. Tem de tudo um pouco. Homenagem às mulheres na faixa “Mulher na presidência”, o refrão é: “Se acaso acontecer / uma mulher na presidência / é sapiência / é sapiência”.
Tem ainda referência ao pessoal da antiga com “Quando louvar partideiro”: “Quando falar de partido / Quando louva partideiro / Lembre João da Baiana / e o velho Donga primeiro”. E aos mais jovens também com “Entrevista com João Nogueira”. João rima com o mestre: “Olha aí mestre Aniceto / Se estou perto do senhor / Cada fico mais certo / Que a cor negra é um amor”.
Homenageado do mês no blog, vamos louvar Aniceto.
Blog O Samba lança jornal em dezembro

Por Equipe O Samba
Cinco mil exemplares de samba. Oito páginas coloridas e novas matérias com grandes sambistas. A equipe do blog O Samba lança no início de dezembro seu mais novo projeto: um jornal impresso. Em breve, mais informações.


