Buarque da Viola
outubro, 2007 at 3:56 pm 3 comentários

Por Thales Ramos
Já tratei aqui do encontro de Jovelina Pérola Negra e Clementina de Jesus. Volto aqui para tratar de mais um encontro. Não se trata de uma homenagem como a que Pérola fez para a Rainha Quelé, mas da junção de dois representativos sambistas em uma única canção: Paulinho da Viola e Chico Buarque de Hollanda.
A música é “Buarque da Viola”, de Zorba Devagar e o astuto Chico Alves, vocalista do excelente grupo Unha de Gato, originário de Niterói (RJ). Ela foi composta apenas com títulos de músicas de Paulinho e Chico, fazendo jus à obra dos dois gênios.
“Buarque da Viola” indica o grau de influência de ambos sobre variadas gerações de sambistas, já que Chico Alves e Zorba têm uma diferença considerável de idade. A letra segue abaixo. Não vamos tirar o prazer do leitor de adivinhar os títulos de músicas citados.
Ouçam no nosso player do blog “Buarque da Viola”.
Zorba faz parte da geração de compositores de Botafogo, como Walter Alfaiate, Elton Medeiros, Mauro Duarte e o próprio Paulinho, que gravou quatro músicas dele: “Coração oprimido” (com Walter Nunes), “Que trabalho é esse?” (com Micau), “Ainda que tarde” (com Paulo George) e a famosa “E a vida continua” (com Madeira).
Hoje, Zorba reside no Engenho do Mato, em Niterói, onde ainda freqüenta algumas rodas de samba e compõe.
Já Chico chama-se Ilton Alves. Como não tenho certeza do porque do “Chico”, não vou “caguetar” errado. Oriundo do Espírito Santo, não só canta, como compõe muito bem, inclusive com Ivor Lancelloti e outras com Zorba. Funcionário do Terminal Menezes Cortes, fica aqui a dica: se o busão demorar, grita “Chico!” e põe na conta dele.
Buarque da viola
(Chico e Zorba Devagar)
Hoje o samba saiu para ver as meninas
Esbarrou com a Rita no pagode do Vavá
Encontrou a Rosa com seu novo amor
Viu dona Santina com o Juca
Traindo seu Antenor
Hoje o samba saiu procurando argumento
Pro meu desalento, mas cadê a razão?!
Trocando em miúdos é um caso perdido
Um choro bandido onde a dor não tem razão
Hoje o samba saiu roendo as unhas
Procurando a banda, mas tudo se transformou
Os anos dourados de samba e amor
Tenho o pressentimento
Que a rosa dos ventos carregou
Hoje o samba saiu com tanta saudade
Pelas ruas da cidade puxando um cordão
Já pelas tabelas cantando o refrão
Pode guardar as panelas
Que hoje foi um dia de cão
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1.
Chico Alves(Grupo Unha de gato) | outubro, 2007 às 1:47 pm
Pessoal,
Obrigado pela matéria , Eu e o Zorba agradecemos pela lembrança.
Continuem sempre levando a bandeira do samba por aí que a gente vai compondo por aqui.
Um abração
2.
Luisinho | outubro, 2007 às 12:35 pm
Ficou meio estilo música do Djavan, mas está valendo. Abs
3.
Tauil | março, 2008 às 6:21 pm
E onde eu consigo a gravação dessa música?