Archive for outubro, 2007

Maracanã na avenida

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Por Thiago Dias

Por causa do temporal em 1986, o futebol ainda não teve a homenagem que merece na Sapucaí. Há 21 anos, a Beija-Flor trouxe “O mundo é uma bola” e pintava como favorita, mas a forte chuva estragou seu desfile. Mesmo assim, ficou em segundo lugar. Depois, Estácio de Sá e Unidos da Tijuca cantaram os centenários de Flamengo (1995, sétimo lugar) e Vasco (1998, rebaixada) sem brilho.

No ano que vem, o Maracanã poderá ser uma das estrelas da festa: o Salgueiro negocia com o governo do Estado a presença de um carro alegórico do estádio no enredo “O Rio de Janeiro continua sendo…”.

Eduardo Paes, secretário estadual de Esporte e presidente da Suderj (administradora do campo), tenta manter em sigilo a conversa com a escola da Tijuca. O político está em campanha para revitalizar o estádio, depredado pela gestão Garotinho/Rosinha, e o colocou em condições de receber jogos da seleção brasileira.

Sua próxima meta é ter o Maraca como sede da final da Copa do Mundo de 2014. A presença no carnaval seria mais uma forma de divulgar o velho “maior do mundo”.

O carnavalesco Renato Lage está empolgado com a idéia. Originalmente, o futebol carioca apareceria no enredo apenas como uma ala, formada por 125 pessoas da comunidade vestidas com fantasias de Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense e América.

“Seria interessante ter o Maracanã no desfile, pois é uma das maravilhas do Rio e um dos pontos turísticos mais famosos do mundo. Está havendo um interesse grande do Eduardo Paes e talvez haja um carro”, revela o artista durante conversa para matéria no site GloboEsporte.com e o blog O Samba.

Como o Rio de Janeiro é sinônimo de futebol, samba e mulher bonita, não poderia faltar uma beldade no carro do Maracanã. A escolhida é a bandeirinha Ana Paula de Oliveira, capa da Playboy e dublê de modelo. Pena que a bela mal conhece o carnaval carioca.

Recentemente, disse que “a-do-ra” o Salgueiro por causa de “Sonhar não custa nada nas asas da imaginação” (leia no Globoesporte.com), misturando dois sambas que nunca foram da escola tijucana. É mole?

outubro, 2007 at 1:39 am 4 comentários

Buarque da Viola

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Por Thales Ramos

Já tratei aqui do encontro de Jovelina Pérola Negra e Clementina de Jesus. Volto aqui para tratar de mais um encontro. Não se trata de uma homenagem como a que Pérola fez para a Rainha Quelé, mas da junção de dois representativos sambistas em uma única canção: Paulinho da Viola e Chico Buarque de Hollanda.

A música é “Buarque da Viola”, de Zorba Devagar e o astuto Chico Alves, vocalista do excelente grupo Unha de Gato, originário de Niterói (RJ). Ela foi composta apenas com títulos de músicas de Paulinho e Chico, fazendo jus à obra dos dois gênios.

“Buarque da Viola” indica o grau de influência de ambos sobre variadas gerações de sambistas, já que Chico Alves e Zorba têm uma diferença considerável de idade. A letra segue abaixo. Não vamos tirar o prazer do leitor de adivinhar os títulos de músicas citados.

Ouçam no nosso player do blog “Buarque da Viola”.

Zorba faz parte da geração de compositores de Botafogo, como Walter Alfaiate, Elton Medeiros, Mauro Duarte e o próprio Paulinho, que gravou quatro músicas dele: “Coração oprimido” (com Walter Nunes), “Que trabalho é esse?” (com Micau), “Ainda que tarde” (com Paulo George) e a famosa “E a vida continua” (com Madeira).

Hoje, Zorba reside no Engenho do Mato, em Niterói, onde ainda freqüenta algumas rodas de samba e compõe.

Já Chico chama-se Ilton Alves. Como não tenho certeza do porque do “Chico”, não vou “caguetar” errado. Oriundo do Espírito Santo, não só canta, como compõe muito bem, inclusive com Ivor Lancelloti e outras com Zorba. Funcionário do Terminal Menezes Cortes, fica aqui a dica: se o busão demorar, grita “Chico!” e põe na conta dele.

Buarque da viola
(Chico e Zorba Devagar)

Hoje o samba saiu para ver as meninas
Esbarrou com a Rita no pagode do Vavá
Encontrou a Rosa com seu novo amor
Viu dona Santina com o Juca
Traindo seu Antenor

Hoje o samba saiu procurando argumento
Pro meu desalento, mas cadê a razão?!
Trocando em miúdos é um caso perdido
Um choro bandido onde a dor não tem razão

Hoje o samba saiu roendo as unhas
Procurando a banda, mas tudo se transformou
Os anos dourados de samba e amor
Tenho o pressentimento
Que a rosa dos ventos carregou

Hoje o samba saiu com tanta saudade
Pelas ruas da cidade puxando um cordão
Já pelas tabelas cantando o refrão
Pode guardar as panelas
Que hoje foi um dia de cão

outubro, 2007 at 3:56 pm 3 comentários

Deu samba

Por Emiliano Mello

Os militares podiam mandar no Brasil durante os anos de chumbo, mas na TV quem ditava as regras era Flávio Cavalcanti, um apresentador franzino porém de porte napoleônico. Falo das décadas de 1960/70, quando a TV Tupi era a maior rede brasileira e Silvio Santos não passava de um empregado de Roberto Marinho.

“Isso deu samba” era um dos quadros do seu programa. Flávio levava ao palco um popular cuja tarefa se resumia a contar uma história pessoal. Inspirados na desventura do participante, dois compositores consagrados deveriam fazer um samba em poucos minutos. Ao final da composição, um intérprete o cantaria ali mesmo, ao vivo, e o júri escolheria a melhor canção.

Um senhor de cara engraça e voz idem conta sua história: “Seu Flávio, meu nome é Alcides, mas meu apelido é ‘Quindim de mulher’. Eu não sei por que toda mulher que olha pra mim se liga e gama. É loura, morena, é furta-cor… todas!”

Na disputa, os inacreditáveis Adelino Moreira e Lupicinio Rodrigues.

Flávio dá uma ordem. A competição começa. Adelino põe-se a cantar num tom claudicante. Emílio Santiago, logo atrás, galante como um astro Blaxploitation, observa atento. A cantora Cláudia Regina dá continuidade.

No júri, a jornalista Marisa Raja, de cabelos curtíssimos como Elis Regina, entre a névoa branca que escapa do cigarro do maestro Erlon Chaves, demonstra real interesse. Maysa, séria, de sobrancelhas finíssimas quase inexistentes, parece entediada. Fernando Lobo rói a unha e, súbito, quebra a munheca.

Entra Lupicínio Rodrigues, casaquinho de lã e óculos de armação preta como os de Jânio Quadros. Chega de mansinho, já fazendo sinal para diminuir o andamento da música. Não adianta. No primeiro verso, perde o fio da meada. Pára, retoma o fôlego e recomeça. Emílio Santiago, exibindo um sorriso tão alvo quanto a camisa que veste, aguarda sua vez de entrar. É ele quem defende a música feita por Lupicínio minutos antes. Abraçando o compositor, chega soltando o gogó.

O radialista Humberto Reis dá um trago profundo no cigarro, o resto do júri se encanta com a música e a platéia não se contém. Aplausos entusiasmados. Maysa, olhos semicerrados, observa séria com o cigarro ardendo entre as falanges. Fumar, como se nota, era elegante. Emílio continua a sua interpretação, cheio de ginga, do samba instantâneo. A câmera flagra Maysa esboçando um sorriso rápido, a diva parece ter se rendido à composição de Lupicínio. Mais aplausos.

Flávio Cavalcanti se antecipa: “Assim nasceram dois grandes sambas hoje”, e joga em seguida a decisão para os jurados.

Uma disputa finíssima.

O vencedor? É só clicar aqui.

outubro, 2007 at 2:04 am 5 comentários

Salve a Portelinha

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Por Thiago Dias

A TV Globo geralmente é acusada de favorecer alguma escola de samba. Às vezes, a escolhida é a Mangueira, que ganha destaque no Jornal Nacional. Em outras, mais perto da festa, é a Grande Rio, com suas rainhas de bateria saídas diretamente do plim-plim. Eis que surge a novela “Duas Caras”, que tem como cenário principal a favela Portelinha. Uma homenagem do autor Aguinaldo Silva à Portela.

“Ia ser Mangueirinha, mas acho que a Mangueira já tem mídia demais”, diz Aguinaldo Silva ao blog O SAMBA, enquanto conversava para uma matéria do site Globoesporte.com sobre a paixão do personagem Juvenal Antena (Antonio Fagundes) pelo Botafogo (leia aqui).

A explicação sobre Portela e Botafogo serem escolhidos, no lugar de Mangueira e Flamengo, é a mesma: apesar de tradicionais, estão perdendo espaço para aqueles que têm mais torcida e apelo popular.

Neste ponto, o autor de “Duas Caras” surge como um “justiceiro”. “Eu sempre relaciono as coisas à teoria da conspiração (risos). E a Portela é uma escola tão tradicional, teve enredos lindos nos últimos 20 anos, e mesmo assim não tem o mesmo espaço. Acho que é porque nunca teve um bicheiro muito forte por trás”, afirma.

outubro, 2007 at 11:34 pm 1 comentário

Desfile da Portela de 1968

Por Bruno Villas Bôas

Galera, um vídeo produzido pela equipe do blog O Samba. É o primeiro que fizemos, mas parece ter ficado bem legal. Optamos por usar o samba “Se tu fores a Portela”, mais flexível para a edição, em vez de o samba-enredo de 1968. O que vocês acharam? Comentem.

outubro, 2007 at 4:49 am 5 comentários

O dia em que Cartola desafiou Leci Brandão

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Por Thales Ramos
Foto de Bruno Villas Bôas

Nas antigas rodas dos partideiros de Mangueira, quando um sambista citava o nome de outro, o desafiado precisava responder versando. Certa vez, Cartola citou o nome de Leci Brandão na roda. Na época, a cantora era aspirante à ala de compositores da verde e rosa e queria ser aceita. Era a chance de mostrar serviço.

“Consegui responder na roda e passei a ser notada. Naquele tempo, para fazer parte da ala de compositores, era preciso passar por uma espécie de estágio”, lembra Leci Brandão. O resto todo mundo sabe: ela foi aceita pela nata de Mangueira e se tornou a primeira mulher a entrar para a seleta ala de compositores.

Vestida com as cores da escola, Leci Brandão foi a última convidada do programa “Palco MPB”, promovido pela MPB FM, a subir ao palco do Teatro Rival, no Rio. O show era justamente uma homenagem ao mestre Cartola, que completaria 100 anos em 2008. Ela cantou “Acontece” (Cartola) e “Corra e olha o céu” (Cartola e Dalmo Castello), além de contar sua história em Mangueira.

Bem-humorado, Elton Medeiros foi o primeiro a subir ao palco. Fez piada e cantou duas parcerias com Cartola, “Peito Vazio” e “O sol nascerá”. Ela explicou que a segunda música foi composta após os dois serem desafiados por um amigo a compor um samba na hora. “Em quarenta minutos o samba estava pronto”, afirmou Elton. Indagado sobre como definiria o parceiro, ele foi enfático: “Cartola foi meu mestre”.

O grupo “Anjos da Lua” foi, no entanto, o encarregado de tocar os maiores sucessos do mestre. O primeiro foi “Alvorada” (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho), que segundo a cavaquinista Mariana Bernardes é música mais pedida nos shows. Os outros “anjos” foram Sandrinho (percussão), Pedro Holanda (violão), Jade (pandeiro), Marcelo Bernardes (flauta) e Galotti (cavaquinho).

Seguiram-se outros convidados. Antes de uma deslumbrante Nilze Carvalho cantar emocionada “As rosas não falam” e “Tive sim”, Nilcimar Nogueira, neta de Cartola, confirmou algumas homenagens que serão feitas ao avô no centenário dele ano que vem, como a da escola Unidos do Tuiuti, Unidos de Jacarepaguá e Viradouro.

Nilcimar também lembrou a história da música “As rosas não falam”: “Meu avô cultivava rosas no quintal e tinha uma muda muito bonita, que crescia rápido. Minha avó perguntou por que elas cresciam tanto e ficavam tão bonitas. Ele respondeu: ‘sei lá, as rosas não falam’”, explicou ela, arrancando risos da platéia que lotou o Teatro Rival.

O mineiro Vander Lee proporcionou à platéia um dos momentos mais emocionantes. Ele é o mais novo parceiro de Cartola. A iniciativa da parceria póstuma ocorreu depois da leitura do livro “Cartola: os Tempos Idos”. “Eu abri o livro e dei de cara com o poema Obscuridade”, lembrou. Sendo assim, Vander musicou (e bem) os versos.

Parceiro de Cartola em dez músicas, entre elas “Corra e olha o céu”, Dalmo Castelo lembrou contou da sua convivência com o cantor no morro da Mangueira e cantarolou algumas canções. Depois o jovem Mauricio Pessoa deu sua contribuição cantando “Minha”. Ele disse que conheceu a obra do mestre aos 17 anos, quando ele escutou Cazuza cantando “O mundo é um moinho”.

Nelson Sargento subiu ao lado de Agenor de Oliveira, que por pouco não é xará de Cartola (ele era Angenor). Nelson disse, entre outras coisas, que só chamava Cartola de senhor, assim como fazia com Geraldo Pereira e Babaú da Mangueira. Cantou “Homenagem ao mestre Cartola”, linda canção só com títulos de “Cartolianas”.

O show confirmou a genialidade de um dos maiores poetas da história da música popular brasileira, nascido Angenor de Oliveira. Para encerrar, nós do blog O Samba, que estamos prestando homenagem a Cartola neste mês de outubro, fazemos nossas as palavras de Nelson Sargento: “Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve”.

outubro, 2007 at 12:50 am 3 comentários

O Alfaiate, na linha do samba

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Por Emiliano Mello, Thales Ramos e Thiago Dias
Foto de Bruno Villas Bôas

“Pode deixar a porta aberta, aqui todo mundo me respeita”. A voz veio lá de dentro, enquanto o bamba deitava os jornais do dia na grande mesa de madeira coberta de tecidos finos. O relógio marcava 10h30 da manhã quando entramos no atelier de Walter Alfaiate, no oitavo andar de um prédio em Copacabana, sobre um centro comercial popular. “Isso é um verdadeiro zoológico, vocês precisam ver as figuras que moram aqui”, diria o compositor em seguida, referindo-se à “fauna” de tipos cariocas que circula diariamente pelo edifício.

Os melhores, no entanto, estavam colados à parede do pequeno conjugado. A história do samba contada em fotografias. Entre os registros, mestres como Paulinho da Viola, Nei Lopes, Paulo César Pinheiro e toda uma constelação de notáveis sambistas. Havia também um Clóvis Bornay orgulhosíssimo ao lado de Alfaiate.

“Rapaz, como o pessoal caçoa dessa foto! Mas não tem problema”, cai na gargalhada e, rápido, aponta para outra foto em que aparece abraçado a uma Luciana Gimenez exuberante em peitos, lábios escarlates rematando os 34 dentes de porcelana. Ele não é bobo.

Walter Alfaiate faz uma leitura rápida do jornal – havia saído duas matérias sobre ele naquele dia. Escaldado, certifica-se de que não há erros como de outra feita, quando um jornalista foca pôs-lhe palavras absurdas na boca. Tudo certo. Matéria aprovada, mas faz a pequena confidência ao blog O Samba:

“Esse lance de estar aparecendo na televisão, no jornal, está me prejudicando um pouco. Veja bem, não estou reclamando. Eu gosto, mas o pessoal começa a ligar achando que você está com dinheiro no bolso. As pensionistas pedem uma grana; se eu dou cem, elas querem trezentos. Aí fica complicado.”

Entre ternos e calças – que faz para clientes ilustres como Paulinho da Viola, Monarco, Nelson Sargento e o deputado Chico Alencar – o compositor tem se dedicado ao projeto do novo disco, o terceiro de sua carreira, ainda sem nome e linha de repertório definidos. No entanto, é com calma de monge que ele tem encarado o novo trabalho, que aos poucos vai tomando forma através da parceria com o grande Wilson Moreira, com quem divide as composições.

Alfaiate não crê em inspiração divina. Apesar de católico praticante (ele mantém em seu atelier um altar com diversos santinhos de papel colados à parede), acredita que a inspiração advém de um bom momento vivido: “Tenho que estar de bem comigo mesmo, com a namorada, com dinheiro, do contrário não sai porra nenhuma”, confessa, pedindo desculpas em seguida pelo palavrão.

Pois a idéia é lançar o novo disco somente no meio do ano que vem. Enquanto isso, segue trabalhando seu último álbum, “Tributo a Mauro Duarte”, lançado em 2005. O compositor não quer cometer os erros do passado, quando, talvez desacreditando do próprio talento, não batalhou a carreira com muito afinco.

“Fui crooner, na década de 60, de boate em Copacabana (bolero) e lá havia uma cantora, Alzirinha Brandão, que queria me levar pra radio, mas eu tremi no alicerce, a verdade é essa”. Fato que passou a mudar em 1998, quando finalmente gravou seu primeiro cd.

O respeito inconteste dos bambas do mundo do samba o ajudou a superar as inseguranças do passado. Seu primeiro disco, “Olha aí”, foi lançado direto em cd quando ele já contava 68 anos, o que o torna, de certa maneira, um filho da era digital.

Hoje, aos 77 anos, Walter Alfaiate encara com admiração as novas tecnologias disponíveis para a música sem qualquer preconceito. Recentemente dividiu o palco com laptops e outros equipamentos eletrônicos no projeto Multiplicidade, do qual saiu entusiasmado.

“Foi ótimo, gostei pra caramba! Não tenho preconceito. A música é um idioma, só fiz questão de ensaiar, não sou como o Romário. Se alguém falou mal, foi por trás. E se vier falar comigo, digo que sou dono do meu nariz. Se eu fosse mais jovem entrava de cabeça nesse troço”, confessou o sambista ao blog.

Sobre o funk, a mesma admiração, mas deste somente o balanço e a energia lhe interessam: “Não sou contra o funk, só contra as letras que fazem apologia às drogas, à violência. Se eu não estivesse velho, caía dentro. Mas se eu descer, pra subir de novo fica difícil, né?!”, concluiu rápido, arrancando risos da equipe do blog.

Ao final do bate-papo de quase três horas, pouco antes de posar para a foto que ilustra a matéria, fez a derradeira confidência:

“Adivinha com quem eu gravei no projeto Cidade do Samba, do Zeca Pagodinho? Negra Li, é mole?! Então baba, malandro! Cantei Jura, de Sinhô. Cantei para ela ‘jura, jura / de coração / para que um dia / eu possa dar-te o amor / sem mais pensar na ilusão’. Quando cantei os versos, falei a sério mesmo.” Não é à toa que o mestre é conhecido como o magnata supremo da elegância.

Walter Alfaiate não dá ponto sem nó. Salve!

outubro, 2007 at 7:05 am 20 comentários

Vôo da águia quarentona da Portela

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Por Bruno Villas Bôas e Thiago Dias

O carnaval de 1968 seria apenas mais um dos 18 vencidos pela Mangueira não fosse um detalhe: pela primeira vez na história, a Portela trazia em seu carro abre-alas a escultura de uma águia. O quarto lugar da escola de Natal pouco importa hoje, já que a maior tradição dos desfiles completará 40 anos em 2008. A data não deverá ser motivo, no entanto, para uma homenagem na Marquês de Sapucaí.

“Sabemos dessa data, mas não pensamos em nada ainda para o desfile, por causa do enredo. Atualmente, as escolas buscam a modernidade acima de tudo, o uso da tecnologia. Tem que ter impacto”, diz Cahê Rodrigues, carnavalesco da Portela, ao blog O Samba.

Segundo ele, os 40 anos da águia não serão totalmente ignorados pela azul-e-branco de Madureira: “Deverá haver alguma comemoração na quadra, durante os ensaios”, completa.

Em 1968, a escola cantou o enredo “O Tronco do Ipê”. A águia, símbolo da Portela desde a sua fundação, veio no carro abre-alas, bem menor dos que estamos acostumados a ver na avenida nos dias de hoje. Em seu arquivo pessoal, o blog O Samba conseguiu uma foto daquele momento.

No ano que vem, Cahê Rodrigues levará para a Sapucaí o tema “Reconstruindo a Natureza, recriando a vida: o sonho vira realidade”. Como sempre, a Portela faz mistério de como será a águia. Esconder o abre-alas é a grande tradição da escola. “Ela já veio de todos os jeitos”, lembra o carnavalesco. Até sem asa, quando em 2005 tudo deu errado no desfile e culminou com a Velha Guarda barrada na avenida.

Ele lembra, contudo, da tradição do símbolo maior da escola de Madureira. “A águia tem uma participação especial na história da Portela. A escola sem ela é inaceitável. O portelense não admite ver a Portela entrar na avenida sem a águia”, acrescenta Cahê, que irá realizar no próximo carnaval seu primeiro trabalho solo na Portela.

Quarentona, a águia voará mais uma vez na Sapucaí atrás do título que não vem desde 1984. Campeã ou não, uma coisa é certa: o carnaval não seria o mesmo se, em 1968, a Portela não tivesse levado para a Candelária a escultura feita por Bira Sargento em seu abre-alas.

outubro, 2007 at 3:29 am 7 comentários

Marrento ou gênio?

Por Thiago Dias

É difícil achar alguém como Leandro Sapucahy por aí. Produtor do novo disco de Maria Rita, amigo de Marcelo D2, ex-músico do Bokaloka, funkeiro e sambista. Tem um monte de tatuagem, mas não fala palavrão. Compara o pagode dos anos 90 ao fenômeno dos Beatles. E faz um som de primeira, como mostrou em seu CD de estréia “Cotidiano”, lançado em 2006.

Em entrevista ao amigo Daniel Pereira, do blog “Samba de Rede” (http://odia.terra.com.br/blog/sambaderede/), Leandro falou de tudo. Há quem o ame, há quem o odeie. Leia as seguintes declarações e faça a sua escolha:

“Posso dizer que nunca mais, na história da música, vai acontecer um fenômeno como o pagode. Foi maior que os Beatles. Nunca ninguém conseguiu explicar como pôde se vender tanto disco em tão pouco espaço de tempo.”

“Depois de São Paulo, o Sul é a melhor praça para shows. Aqui no Rio o povo quer curtir e tomar uma cerveja, quer cantar junto … não está tão preocupado em quem está cantando. O paulistano está disposto a pagar R$ 30, mas o carioca reclama de qualquer couvert e tem uma cultura de que mulher tem que pagar menos.”

“O Arlindo é o grande poeta vivo da música brasileira … ele está no nível de Cartola, de Nelson Cavaquinho e de tantos outros que fizeram um trabalho genial. Acontece que gostam muito de exaltar quem já morreu, mas eu reconheço o talento das pessoas em vida.”

“O funk é a coisa mais contagiante que eu vi nos meus últimos dez anos de vida. Eu faço música para o favelado. Tenho ligação com o funk sim, e daí!? O grande lance é juntar a inteligência do funkeiro com a do sambista e colocar num só evento, por que não? É uma arrogância achar que só o samba é bom.”

“Parei de produzir o gênero romântico porque a gravadora queria impor tudo… e ainda me chamam de marrento.”

E aí, o cara é marrento?

outubro, 2007 at 3:05 am 13 comentários

O Samba agora com domínio próprio

Por Equipe O Samba

O blog O Samba passou a ter domínio próprio na internet: www.osamba.net. O novo endereço, mais simples de memorizar, visa facilitar a vida dos nossos leitores e marcar a nova fase do blog, que registrou, apenas no mês de setembro, quase 5 mil visitas. Tudo graças aos amantes do samba, que nos lêem, elogiam e criticam.

outubro, 2007 at 1:49 pm 2 comentários


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