Com o aval do público e dos sambistas
setembro, 2007 at 11:28 pm 5 comentários
Por Thales Ramos
Depois de o alto-falante anunciar que o show iria começar, surgiu no telão uma cena do documentário “Saravah”, no qual João da Baiana explica a Baden Powell e ao diretor Pierre Barouh as diferenças entre os cantos de candomblé e macumba. Quando o pano foi aberto, sete sambistas surgiram com muita ginga. E assim começou o show de lançamento do cd “Sorria para o samba”, o primeiro do grupo Batuque na Cozinha, no Teatro Rival BR.
André Corrêa (percussão), Paulo Roberto (pandeiro), Domingos Oliveira (cavaquinho), Dênnis Santanna (tantan), Dudu (flauta), Ary Júnior (banjo) e Álvaro Lúcio (violão) mostram já no primeiro disco que os anos de roda de samba na Lapa fortaleceram o grupo. Nesse primeiro trabalho, eles saem da mesmice das regravações de sambas antigos e apostam num repertório quase que todo inédito.
“A gente deu bastante preferência aos compositores que não estão na mídia, que estão no subúrbio, como Wantuir, um grande sambista, Marcelinho Moreira, Márcio Local”, afirma Domingos Oliveira, em entrevista ao blog O Samba. Fogem a essa regra apenas duas faixas do disco: “Batuque na cozinha” (João da Baiana), com participação de Dudu Nobre, e “Anjo Moreno” (Candeia), defendida no palco com muito coração por Ary Junior, um dos pontos altos do show.
Nas outras onze faixas que compõem o disco estão participações especiais de Beth Carvalho, Gabriel Moura, Rogê, Marcel Powell e Délcio Carvalho. No encarte do álbum, a benção de Martinho da Vila, que batizou o grupo com o sucesso de João da Baiana. “Estamos entrando nesse movimento de resistência do samba de raiz, que é difícil de fazer. Por isso, é importante ter essa gente mais tarimbada conosco”, disse André Corrêa.
Prova de que a escolha do repertório não estava equivocada foi a reação da platéia, que cantou quase todas as músicas do disco. Embora seja o primeiro do grupo, eles estão na batalha desde 94, sendo desde 98 com a atual formação. “Não fiquei tão surpreso com o pessoal cantando junto. A gente se aplicou bastante. Mas a sensação é realmente inesquecível. Estou perplexo”, disse extasiado Dênnis Santanna.
Se no álbum muita gente deu moral, no palco não foi diferente. O primeiro a subir foi Délcio Carvalho, que cantou com a letra na mão a belíssima “Melhor juízo”, parceria dele com Wanderley Monteiro. “Muito bom o show. Eu os adoro. Sou fã do André”, disse Délcio, depois de sair do palco. Dudu Nobre chegou rendendo homenagens e cantando seus conhecidos hits “Goiabada Cascão” e “Tempo de Dondon”.
Marcel Powell , filho de Baden Powell, também deu sua contribuição. Perfeito como sempre, dedilhou seu violão em “Oxóssi” (Marcio Local) e demonstrou sua admiração pelo trabalho do grupo. “Para mim, foi um prazer participar tanto do cd quanto do show de lançamento. É mais um grupo da nova geração que está levantando a bandeira do samba, que é maior produto da música popular brasileira”, disse.
Antes de executarem “Tempo do vovô”, os rapazes do Batuque avistaram Tia Nérinha, uma senhora de cabelos brancos e compositora da música. Ela levantou-se e dançou. Por duas vezes saudou e foi saudada com furor pela platéia que encheu o reformado Teatro Rival BR. O ijexá “Sorria com o samba” levantou o público. Junto com a coreografia das bailarinas, foi possível ver as cabrochas no salão “remando” com os braços.
A recepção que o trabalho do Batuque na Cozinha teve na noite da última terça-feira mostra que fazer o fácil nem sempre é a única solução. Apostando em uma nova geração de compositores, o Batuque faz o feijão com arroz, mas coloca um ovo frito em cima. Fazem vibrar gente da antiga, como Walter Alfaiate, que assistiu ao show acompanhado de Dorina e fez questão de frisar a importância da renovação no samba:
“Eu só fico feliz mesmo quando vejo essa rapaziada nova mandando ver no samba. Tem gente que ainda diz que o samba vai morrer. Morre nunca. Cresce cada vez mais”, afirmou Alfaiate. Aprovados por quem conhece. O grupo se apresenta tradicionalmente, às segundas-feiras, na Pedra do Sal, às 17h. O endereço é Rua Argemiro Bulcão, no Largo João da Baiana, na Gamboa.
Entry filed under: Matérias. Tags: .
5 Comentários Add your own
Deixe uma resposta
Enviar trackback para este post | Subscribe to the comments via RSS Feed



1.
vagalú* | setembro, 2007 às 1:46 am
queria mt ter ido neste show…
Mas…segunda em Gamboa né?!
valeu a dica!
o blog tá cada vez mais interessante e charmoso…parabéns!!!
bjs*
2.
Paulo Henrique | setembro, 2007 às 7:52 pm
Mto bom esse blog…Valeu galera precisamos disso, qto mais informações melhor.
3.
Karine | setembro, 2007 às 11:26 pm
Esse show foi emocionande, parabéns a esse grupo maravilhoso!
4.
rosane | outubro, 2007 às 3:30 pm
Parabéns ao show de lançamento do Batuque na Cozinha no Rival, show pensado, com inïcio, meio e fim.
Trabalho de gente “profissa” e responsável pela manutenção do samba de raiz e de terreiro.
Boa sorte !!!!
5.
Tiberio | outubro, 2007 às 1:56 pm
Queria muito! Só que não foi possivel ir esse show, mas tive o prazer de ve-los tocar 2ª feira (15/10/2007) na “Pedra do Sal”.
A rapaziada do “O Samba é Meu Dom” está certissima… os caras do “Batuque na Cozinha” são muito bons mesmo!!!! Repertório e melodias exelentes!!!