Cocada boa
setembro, 2007 at 3:24 am 3 comentários

Por Thales Ramos
“Jesus não quer atrasar o lado de ninguém não”, disse Bezerra da Silva, ao entrar para a Igreja Universal do Reino de Deus. Quando ele se converteu, cheguei a temer. Pensei que Bezerra deixaria de lado seus sambas humorados, irônicos e de forte crítica social para se dedicar à música gospel. Estava enganado. Sempre abençoado, ele continuou a cantar suas canções narrando os cidadãos comuns, como trocadores de ônibus, anotadores de jogo do bicho e presidiários.
Anos depois, fiquei novamente preocupado com a conversão de outro ídolo: Carlinhos Cocada. Ele não era famoso ou reconhecido como Bezerra, mas tinha em mim um grande fã. Carlinhos Cocada vestia a camisa 7 do Araribóia, time de futebol do Rio do Ouro, bairro de Niterói. Adolescente e freqüentador de escolinhas de futebol, eu alimentava o sonho de um dia ser jogador, defender o tricolor das Laranjeiras e, embora fosse fã incondicional de Romário, Bebeto e Renato Gaúcho, preferia ser igual ou parecido ao Carlinhos Cocada.
Sempre que conto sobre Carlinhos, me perguntam com qual jogador ele parece. Costumo dizer que com nenhum. Tinha o estilo dele, único, assim como os três craques que citei. Vi Carlinho fazer gols antológicos, acabar com defesas inteiras.
Pois bem, o tempo passou e soube por terceiros que Carlinhos tinha parado de jogar depois que entrou para a igreja. Não cheguei a ficar “de mal com Deus”, como escreveram João Nogueira e Paulo César Pinheiro na emocionante “Espelho”. Mas fiquei triste, chateado. Adulto, ainda tinha esperança de rever meu craque, meu ídolo. Queria levar meus amigos para vê-lo e comprovarem que não havia exagero nos relatos das façanhas do atacante do azul e branco de Rio do Ouro.
Meses atrás, estava no aniversário do meu afilhado no bairro onde me acostumei a vê-lo brilhar. Em conversa com um amigo, sobre a situação do Araribóia, ele me disse que Carlinhos, depois que parou de jogar, virou técnico da equipe. Sendo assim, ele não parou de jogar por conta da conversão. Carlinhos também estava na festa. Lembrei-me de quando me apresentaram a ele dez anos atrás e me deixaram roxo de vergonha. Disseram: “Aí Carlinhos, o garoto é seu fã.” Apertei a mão dele. Tudo que me dizia, eu só balançava a cabeça dizendo sim e não, encabulado e com medo de falar besteira.
No fim de tudo, o velho sambista estava mais certo que nunca. Longe de Jesus querer atrasar o lado de alguém. Bezerra da Silva e Carlinhos Cocada, dois homens que foram muito bons no que fizeram. Um na música, outro no futebol. Tinham uma coisa em comum: eram irmãos em Cristo, como os evangélicos costumam dizer.
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1.
Romulo Toledo | setembro, 2007 às 7:31 pm
e olha que eu odeio samba ein…abraçãooo….
2.
Anônimo | setembro, 2007 às 6:10 pm
SEUS SAMBAS NÃO É BEM ASSIM BEZERRA CANTAVA SAMBAS DE AUTORIA DE TERCEIROS….
3.
Cleidson da Silva de Araujo | outubro, 2008 às 6:13 pm
Queri saber se Bezerra da Silva gravou algum disco depois que ele se converteu. Se gravou, informa o nome dilco pra galera curtir.
valeu!!!