Rubem Confete, documento do samba


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Por Thales Ramos
Foto de Bruno Villas Bôas

No centenário armazém entre as ruas Gomes Freire e Senado, no bairro da Lapa, o pessoal do Centro Popular de Cultura Aracy de Almeida dobra os últimos panfletos a respeito da roda de samba realizada no local. Vassouras penduradas e uma infinidade de azeites e aguardentes ocupam as antigas prateleiras. Sentado à mesa da calçada, um senhor de camisa azul e calça branca pede uma cerveja. De cinco em cinco minutos, é abordado com uma mesma saudação: “Fala Confete!”

Rubem dos Santos, conhecido como Rubem Confete, completou 70 anos em dezembro do ano passado. Fala muito, mas não fala demais. Tudo o que diz é absolutamente relevante e essencial. Durante quase duas horas de entrevista e, posteriormente, outras tantas mais ao lado dele, fica claro que se está próximo de alguém que fez e ainda faz diferença no samba e na cultura carioca.

“O grande problema das rodas é que, quando você está com público muito grande, o cara só quer cantar samba que o pessoal conhece”, afirma Confete, acrescentando, contudo, que existem espaços para novas composições. “Tem uma juventude compondo. Antigamente, a juventude só cantava as músicas antigas, de rádio. Hoje não, eles já cantam suas próprias composições.”

Leia aqui a entrevista completa com Rubem Confete

Dentro do Armazém do Senado, duas panelas de arroz carreteiro são colocadas à disposição da freguesia. O cheiro gostoso vem cá fora. Confete, depois de beber um copo de cerveja, pede uma dose de cachaça, sendo prontamente atendido. “Sambista, antigamente, para estourar, tinha que ficar velho. Paulinho da Viola foi uma exceção, assim como Martinho da Vila. O sambista ficava lá no morro, nas escolas.”

E quem fala começou no samba ainda menino, nos blocos de carnaval. Foi passista da Mangueira e viu o nascimento do Império Serrano. Conviveu nas escolas de samba com bambas como Natal da Portela e Mestre Fuleiro. Foi ele, inclusive, quem indicou o cantor Roberto Ribeiro e Dicró às gravadoras.

Confete está com um grave problema de visão, mas não se deixa abalar. Além de comandar, ao lado de Dorina, um programa na Rádio Nacional, das segundas às quintas-feiras, das 13h às 15h, planeja lançar o seu segundo disco solo. Ele também quer gravar um dvd que irá chamar de “Tributo a Zumbi dos Palmares”, com seis ou sete músicas de sua autoria, além de parcerias com Nilze Carvalho e Délcio Carvalho.

Confete também atuou como jornalista. Foi foca da revista do “Museu da Imagem e do Som”, escreveu na Tribuna da Imprensa (onde fez a primeira entrevista com a ainda criança Nilze Carvalho) e nos jornais de esquerda Pasquim e Lampião. Foi comentarista de carnaval na TV Globo, TVE e Rede Manchete, além de radialista nas rádios Roquete Pinto e Nacional (sua casa há 27 anos).

Depois de um longo e histórico bate-papo, Confete explica que precisa marcar presença no Bar Paulistinha, que fica a poucos quarteirões do Armazém do Senado. Pouco tempo depois, para a surpresa de quem permaneceu no Armazém, ele reapareceu para dar uma canja. E prova que tem uma belíssima voz, encerrando a palinha com “Sublime Pergaminho”, samba-enredo da Unidos de Lucas, de 1968.

5 Respostas para “Rubem Confete, documento do samba

  1. Acompanho o Confete na Nacional desde 81. Muito do que sei de samba devo a ele e aos seus comentarios. Belo material com este bamba.

  2. Acompanho o Confete na Nacional desde 81. Muito do que sei de samba devo a ele e aos seus comentarios. Belo material com este bamba.

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