Archive for junho \30\UTC 2007
Uma tarde com Fidélis

Por Thale Ramos
A caravana saiu com lotação máxima. No banco detrás do Fiat-Uno, havia quatro cabeças. Verdadeira lata de sardinha. Piloto e co-piloto na frente, mapa impresso. Foi assim que o time saiu jogando, rumo à quadra do “Quilombo”, na Fazenda Botafogo, a fim de curtir a primeira roda de samba da retomada da escola.
Enfermo, Mestre Paulinho, responsável pela bateria da escola, não compareceu. Fora isso, o toró que caiu à tarde no Rio de Janeiro minou de vez os planos da atividade quilombola. Como os poucos que compareceram não vieram no mundo a passeio, foi improvisada uma roda de samba na varanda de um bar.
Pimenta na garrafa surrada de Pirassununga, angu e cachaça pra proteger do frio e forrar o estômago. Um repique frouxo, um banjo e a palma da mão era todo o instrumentário, e quem sabia acompanhava no gogó. Nada demais, se o bandolinista não fosse Fidélis Marques, um dos compositores da retomada do Quilombo. Era o canhoto primo de Arlindo Cruz que ditava o ritmo da mesa, amparado com um caderninho cheio de clássicos do samba e algumas composições de sua autoria.
Alguém me cutuca e diz: “Escuta isso”. Era um arranjo lindo e pertencia a “Sorriso de um banjo”, de Fidélis com Bira da Vila e Melodia Costa, um sucesso da voz potente de Jovelina Pérola Negra. No dia da gravação da música ele não foi encontrado, sendo assim, o arranjo esmerado ficou de fora da introdução.
A parceria com Bira é prolífera, os dois têm vários sambas juntos. “Geralmente eu faço a letra e dou ao Bira. Às vezes até esqueço, aí do nada ele vem e aparece com a música”. Fidélis conta que tocou “Sorriso de um banjo” em vários festivais, principalmente no Espírito Santo e conta que a Cassiana, filha de Jovelina voltou de lá impressionada, pois a platéia capixaba cantava animada sua canção.
Fidélis ali, sentado à mesa, era o compositor de uma canção que eu considero um dos clássicos da história recente do samba. Despido de estrelismo e limpo de importância, que compôs uma canção que eu cantarolei muitas vezes aos berros em casa e escuto num volume maior ainda.
É porque as coisas boas do samba são assim, como as da vida, simples e facinhas, facinhas.
Add comment junho, 2007
PC Pinheiro na TV Cultura
Por Bruno Villas Bôas
Paulo César Pinheiro, autor da letra do samba que dá nome a este blog, em apresentação recente na TV Cultura. Ele manda ver em “Canto das três raças”, música consagrada na voz de Clara Nunes.
O Samba conversou algumas vezes com o poeta, na tentativa de marcar uma entrevista, mas não foi possível compatibilizar agenda: ele está finalizando o livro “Cem sonetos sentimentais pra violão e orquestra”, que sai pela 7 Letras.
Em uma dessas conversas pelo telefone, o repórter contou que o nome do blog faz homanagem à música “O samba é meu dom”, parceria de Paulinho com o mestre Wilson das Neves, rei das bateras. Ele achou graça e garantiu: “Não tem nenhum problema não. Pode usar.”
Canto das três raças
(Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)
Ninguém ouviu um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro e de lá cantou
Negro entoou um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares, onde se refugiou
Fora a luta dos inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou
E de guerra em paz, de paz em guerra,
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar,
Canta de dor
E ecoa noite e dia: é ensurdecedor
Ah, mas que agonia
O canto do trabalhador…
Esse canto que devia ser um canto de alegria
Soa apenas como um soluçar de dor
1 comment junho, 2007
Bons de bola, ruins de samba
Por Thiago Dias
Bons de bola, Robinho e Júlio Baptista também gostam de samba. O ex-santista geralmente fica com o pandeiro na roda, enquanto o ex-são-paulino gosta mais do cavaquinho.
Quem dera que eles só tocassem nesse vídeo. Os dois se arriscam a cantar e as imagens acabam ficando até engraçadas, de tanto que desafinam na música “Agenda”, já gravada por Leci Brandão.
Os dois cantam bem naquele estilo paulista, da década de 90, que nos faz lembrar Soweto, Negritude Jr., Pixote, etc. Mais gritos que notas.
1 comment junho, 2007
