Michelangelo
maio, 2007 at 12:09 am 4 comentários
Por Thiago Dias
Não gosto muito do Mano Brown, mas é dele uma frase que martela sempre na minha cabeça: “Michelangelo vive bem perto, em forma de samba ele é Almir Guineto”.
Para quem só conhece “Jibóia” ou “Caxambu” – que ninguém consegue entender o que o sambista da voz enrolada diz -, pode até parecer heresia comparar o irmão do Mestre Louro com Michelangelo. Mas tenho que concordar com o Brown.
A primeira pessoa que eu vi defender que Almir Guineto é gênio foi Zeca Pagodinho. “Se ele fosse americano, estaria milionário”, já o ouvi dizer. Existe também a história que Zeca se obriga a colocar sempre uma música do amigo em seus discos, como agradecimento pelos sucessos do início da carreira.
Há mais referências no mundo do samba ao talento de Almir. Como na música “Não fique assim”, gravada em um CD de Reinaldo, quando Carica improvisa: “Cante um samba pra mim, samba de Almir Guineto, o rei do partido alto, no morro, no asfalto, um sambista completo”.
Para mim, a obra-prima do compositor é “Mãos”. “Mãos se rendem a outra que tudo leva”, canta Almir com sua voz rouca e quase sumida. E ele segue, sempre pelas mãos, citando as injustiças do mundo. “Quase em extinção, mãos honestas” taca na nossa cara.
É de Mano Brown, que divide “Mãos” com Almir Guineto no CD “Todos os Pagodes”, a última citação para ilustrar a genialidade do cara que levou para o samba o banjo: “Deus usava os loucos para confundir os sábios. O poeta dos loucos: Almir Guineto”.
Mãos
(Almir Guineto)
Mãos, se rendem
Pra outras que tudo levam
Quase em extinção
Mãos honestas, amorosas
Em nossas pobres mãos
Que batem as cordas
Pago pra ver
Quei…mar em brasa
As mãos de bacharéis
Que não condenam o mal
Que inocentam reús
Em troca do vil metal
As mãos de bacharéis
Que não condenam o mal
Que inocentam reús
Em troca do vil metal
Mãos de infiéis
Revés que não contentam
Movendo a diretriz tão fraudulenta
Sem réu e sem juiz
Mãos não se acorrentam
Justiça põe as mãos na consciência
Ato que fez Pilatos
Lavando suas mãos
É o mesmo que injustiça
feita com as próprias mãos
As mãos que fracassaram
Na torre de Babel
Porque desafiaram
As mãos do céu
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1.
Bruno Ribeiro | junho, 2007 às 12:57 am
Parabéns, malandragem! Linkei o blog no meu buteco virtual. Virei sempre! E salve o samba!
2.
Marcelo Failla | julho, 2007 às 12:38 pm
É malandro….
O que é a mídia….hein?!? quem ouve o lamir de Caxambu…
Nem imagina o sambista de Perfume de Champagne, Pois É, Vai com Deus e muitas outras….
O cara é bom compositor de melodias (só melodia malandra….rs), bom letrista, até arranjador o fila é….faz partido, enredo, calango, cançao….
Sambista completo…
Nato, da gema…..e olha q
3.
Mauro Sérgio | julho, 2007 às 6:34 pm
Muita gente torce o nariz pros caras, mas o fato é que a galera do hip-hop costuma tratar os sambistas da antiga com um respeito e uma reverência que muitos sambistas não têm. Vide o D2, o Mano Brown e o Rappin Hood (que por sinal, já gravou com Leci Brandão e Arlindo Cruz).
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4.
Lana | julho, 2008 às 3:11 pm
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