Extra, extra, extra

abril, 2007 at 4:31 am 5 comentários

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Por Thales Ramos

É comum hoje em dia as pessoas comentarem as capas de jornais estampando o bang-bang carioca e outros tipos de violência. Puxando a fila nesse tipo de notícia estão o sanguinolento “O Povo” e o saudoso “Notícias Populares”, de São Paulo. Esse tipo de cobertura ganhou espaço na tv e no rádio tendo como um dos precursores o hoje cult Carlos Alborgueti, com seu 190 Urgente, primeiramente na rádio e depois na tv paranaense.

Mas muito antes do estilo Alborgueti desdobrar genéricos como Ratinho, Wagner Montes e Datena, Roberto Silva (foto) lançava “Descendo o morro-Vol. 4” (1961), que trazia entre outras pérolas “O Jornal da Morte”(Miguel Gustavo), que indica que esse gosto de sangue nas manchetes não é fruto de nossa época. A versão original da música é bastante criativa. Antes do gogó sincopado de Roberto entrar em cena, surge o grito estridente de uma mocinha digno de filme B de terror e, logo depois, o som de sirene de ambulância ou de patrulha.

Um lindo coral feminino anuncia o teor da música cantando:

“Sangue, sangue, sangue
Sangue, sangue, sangue”

Então, entra Roberto:

“Veja só esse jornal, é o maior hospital
portavoz do bang-bang da policia central
deslocada semi-nua jogou-se do 8 andar por que o
noivo não comprava maconha pra ela fumar.”

Em 1961, falar em “bang-bang da polícia central”, “deslocada semi-nua” e noivo que negava maconha, devia soar quase como rap proibido hoje em dia. Dá vontade de bater na biblioteca e fuçar os textos dos diários da época. Deviam parecer inocentes, perto das manchetes atueis, tipo “Perdeu o ônibus e cabeça”, sobre a velhinha que além de perder o busão, ainda teve a cabeça esmagada pelo mesmo.

Segue a letra:

“Cada página é um grito
Um homem caiu no mangue
Só falta alguém espremer o jornal pra sair
Sangue, sangue, sangue”

Quantas vezes a gente não escutou dizer “Jornal O Povo se espremer sai sangue”? . O “Príncipe do Samba” como era conhecido, não era bobo, é de um tempo que o sambista garimpava nas favelas e dava vez ao sambista de morro, que como ninguém sabia versar sobre o cotidiano da cidade. Muito comum na época, essa prática, que anos depois encontrou em Bezerra da Silva um herdeiro fiel, que procurava em anotadores de jogo do bicho, cobradores de ônibus e ex-presidiários composições para seus LPs.

Baixem ae “O Jornal da morte”, que além da versão de Roberto Silva, tem por aí também na voz do Nação Zumbi.

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5 Comentários Add your own

  • 1. Andréa N.  |  abril, 2007 às 4:44 pm

    Wow, Thales, não imaginava isso não. Excelente post! Adorei esse cara, meu. E vou procurar também a versão com a Nação Zumbi, que deve ser demais. Beijo.

    Responder
  • 2. domingos junior  |  abril, 2007 às 5:06 am

    O Roberto Silva entende do riscado. Os quatro discos da série “Descendo o morro” são sensacionais!

    Responder
  • 3. Lucas Júnior  |  abril, 2007 às 12:34 am

    “Sangue, sangue, sangue”. Tá parecendo mais música do Rogério Skylab.

    Responder
  • 4. Josinaldo Januario de Mello  |  abril, 2008 às 7:28 pm

    Caros amigos, gostaria de saber se algum de vocês tem esta musica na voz de Roberto Silva, pois gostaria de te-la em minha Playlist. Agradeço a quem ajudar. Meu e-mail é: jlpro90@yahoo.com.br

    Responder
  • 5. Sangue, sangue, sangue « O samba é meu dom  |  dezembro, 2009 às 2:22 am

    [...] Ramos já fez um post sobre essa música. Ele também conseguiu bater um papo rápido com Roberto Silva depois de um show, o que deu inveja [...]

    Responder

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