Na Gamboa
fevereiro, 2007

Por Bruno Villas Bôas
Do balcão de seu boteco, na Gamboa, Nilson aponta para o alto de uma velha geladeira, marca Continental, onde está a bem lustrada taça de 1º lugar do Campeonato Sinuca da Lapa. Enquanto lava e seca, sem muita atenção, um copo de vidro de cerveja, ele conta como venceu o campeonato de um dos mais tradicionais salões de bilhar da cidade: “Paulinho da Viola bem que se esforçou, mas eu sou bom mesmo nesse negócio.”
Nilson serve as mais geladas cervejas da Zona Portuária do Rio de Janeiro. Magro, de óculos e bigode, geralmente sério, ele atende diariamente de jornalistas a estivadores. Seu estabelecimento, localizado ao lado da antiga fábrica da Colombo, tem uma modesta mesa de sinuca, amplamente disputada pelos freqüentadores. “O campeonato, lá na Lapa, é muito difícil. Tem muita gente boa. E eles usam bolas levinhas, daquelas que espalham muito”, explica.
Diariamente desafiado a entrar nas longas rodadas de sinuca, normalmente vencidas pelo baixinho bigodudo, ele prefere permanecer atrás do balcão de seu bar. Serve joelho, sanduíche de mortadela, ovo cozido. O “Bar do Nilson”, como é conhecido na Gamboa, é um exemplo de boteco tradicional da cidade, assim como o Português, na Rua Antônio Lage, também na Gamboa.
Lá o risoto de camarão e o churrasquinho, acompanhado de arroz, batata e farofa, estão entre os pratos prediletos dos fregueses. O dono é português e, claro, vascaíno.
Mas os cariocas estão trocando os bares tradicionais, com suas histórias e curiosidades, pelos falsos botecos da cidade. O crescimento da rede Devassa é um exemplo disso. As gracinhas do cardápio, como “quantas devassas você pega em três horas”, fazem parte de um novo perfil pasteurizado da boemia carioca. É como a Veneza construída dentro de um hotel em Las Vegas. Ou como o templo egípcio instalado dentro do museu Metropolitan, em Nova Iorque. O Nova Capela, tradicional na Lapa, anda vazio.
O jornalista Joaquim Ferreira dos Santos vendeu recentemente, em sua coluna, que “ser carioca” é comer sardinha frita em Bonsucesso, ou coisa do gênero. Não é essa a questão. O historiador Antônio Edmilson Martins Rodrigues, autor de biografia sobre João do Rio, explica que o “ser carioca” não está relacionado ao lugar que se freqüenta, mas o que o leva a freqüentar. E o que leva o carioca a freqüentar o Devassa? E como “ser carioca” também é não discutir o que é “ser carioca”, assunto absolutamente chato, termino aqui esse textinho bobo sem apresentar absolutamente nenhuma conclusão.
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1.
almir rogerio | setembro, 2007 at 11:57 am
parabens este site tem q ser mais divulgado é muito bom ………….