Meu medo maior é o espelho se quebrar

Por Thiago Dias

Das 100 maiores músicas brasileiras, escolhidas pela revista Rolling Stone, 32 nasceram no samba. Ou são sambas autênticos ou de gêneros que se relacionam com ele, como choro, marchinha e bossa nova. Ou seja, na terra do carnaval, até uma revista com nome gringo e inspiração rock`n roll se rende ao ritmo criado no quintal da Tia Ciata.

Destaque para as duas páginas que abrem a matéria: os primeiro, segundo e terceiro lugares do ranking são de Chico Buarque, Tom Jobim e Pixinguinha, representantes de três gerações de sambistas geniais que circularam por todos os lados da MPB.

A lista tem ainda Jorge Ben, Cartola, Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa, João Bosco, Aldir Blanc, Caetano Veloso, Noel Rosa, Martinho da Vila, Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Mas há uma grande – e imperdoável – injustiça: faltou a dupla João Nogueira/Paulo César Pinheiro.

Havia espaço no ranking para pelo menos uma composição dos dois: Espelho. A história da vida de João está entre os maiores sambas da história. Não há quem não se arrepie ao pensar no pai de anel no dedo e dedo na viola. Sorria e parecia mesmo ser feliz.

Confira os sambas e sambistas da lista da Rolling Stone:

1 – Construção (Chico Buarque)

2 – Águas de março (Tom Jobim)

3 – Carinhoso (Pixinguinha/Braguinha)

5 – Mas que nada (Jorge Ben)

6 – Chega de saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)

9 – Canto de Ossanha (Baden Powell/Vinicius de Moraes)

12 – Aquarela do Brasil (Ary Barroso)

13 – As rosas não falam (Cartola)

14 – Desafinado (Tom Jobim/Newton Mendonça)

15 – Trem das Onze (Adoniran Barbosa)

17- O mundo é um moinho (Cartola)

18 – Sinal fechado (Paulinho da Viola)

27 – Garota de Ipanema (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)

34 – Brasil pandeiro (Assis Valente)

36 – O bêbado e a equilibrista (João Bosco/Aldir Blanc)

41 – Manhã de carnaval (Luis Bonfá/Antônio Maria)

42 – Sampa (Caetano Veloso)

53 – Brasileirinho (Waldir Azevedo/Ruy Pereira Costa)

57 – Conversa de botequim (Noel Rosa/Vadico/Francisco Alves)

58 – Apesar de você (Chico Buarque)

67 – A banda (Chico Buarque)

73 – Wave (Tom Jobim)

75 – Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)

76 – Samba de verão (Marcos Valle/Paulo Cesar Valle)

84 – Rosa (Pinxinguinha/Otávio de Souza)

85 – O barquinho (Bôscoli/Roberto Menescal)

86 – Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues)

89 – A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito/Alcides Caminha)

91 – Felicidade (Lupicínio Rodrigues)

94 – O mar (Dorival Caymmi)

95 – Último desejo (Noel Rosa)

96 – Disritmia (Martinho da Vila)

2 comments Novembro, 2009

Quer mais samba? Sugira uma reportagem

Por Equipe O Samba

Galera, o blog está querendo retomar reportagens bacanas. Queremos sugestão de vocês, leitores. Matérias curiosas, entrevistas com sambistas. Também estamos com umas ideias na cabeça. Vamos botar O Samba pra tocar. Sugiram nos comentários!

9 comments Novembro, 2009

Toca do Rato: recanto do samba

Toca do Rato 1

Por Thales Ramos
Foto Rodrigo Peixoto

Ao chegar a pergunta da cabrocha: “É aqui mesmo? Tem Certeza? Não tem nada escrito.” De fato, nada indica que no número 110 da rua Conselheiro Agostinho, Engenho de Dentro, na primeira sexta-feira do mês e na última quarta, se transforma na Toca do Rato, roda de samba organizada por Ratinho, compositor de sucessos como “Vai vadiar” e “Coração em desalinho”.

“Hoje em dia eu não divulgo tanto, ficava muito lotado. Saía nos jornais, internet. Mas os vizinhos começaram a reclamar do barulho, aí já viu”, lamenta.

Ratinho nasceu Alcino Correia e foi criado em Pilares. Pela Caprichosos, escola do bairro, ganhou sete sambas-enredo incluindo um estandarte de ouro em 78, “Festa da uva, no Rio Grande do Sul”. Tem mais de dez músicas gravadas com o parceiro Zeca Pagodinho e outras por Roberto Ribeiro, Jovelinha Pérola Negra, Jorge Aragão, Almir Guineto, Fundo de Quintal, Dorina, Beth Carvalho, Fátima Guedes, Revelação e Ivete Sangalo. Entre os parceiros mais famosos estão Monarco, Mauro Diniz e Zé Luiz do Império. Desde 2004 ele organiza a Toca do Rato, ao lado da sua esposa Dê, que toca a cozinha.

Lá a porta fica aberta e toda boa intenção é bem vinda. Passando pela garagem logo se vê um quadro de Lima Barreto e Guilherme de Brito, indicando que ali é lugar de quem gosta de samba. Seguindo o cheiro do feijão (sexta), do peixe (quarta) e o batuque, chega-se aos fundos da casa onde ocorre o pagode que começa às 14h.

“Horário de vagabundo, não é?”, brinca o anfitrião. Uma placa atrás da bancada do bar tem dizeres que fazem coro com ele: “Se um dia você pensar em trabalhar, senta, pensa, que a vontade passa”. A se reparar também a uma galeria de 10 retratos pintados por Bartholo meu Junior, com sambistas ilustres.

Nas duas vezes em que eu compareci Délcio Carvalho e Luísia Dionísio deram canjas, mas por lá muita gente boa já cantou.”Roberto Silva cantou aqui. Wilson Moreira também. Os maiores públicos foram Luiz Carlos da Vila, que era muito meu amigo, e Marquinhos Santana (ou Satã). No dia do Marquinhos tinha gente em tudo que é lugar”, confirma o dono da casa que também dá suas canjas. Tudo isso registrado nas paredes com grande número de fotos.

A Toca do Rato é um lugar onde se é bem recebido, a comida é muito boa e o clima é informal e tranquilo. Literalmente uma casa de samba, com todos os predicados e um pagode feito por músicos excelentes. A luta de Ratinho agora é transformar o recanto em ponto cultural.

“Isso aqui é um lugar de cultura onde grandes nomes da música passaram. Estou tentando transformar isso aqui em ponto cultural, caso contrário fica difícil continuar”, conclui.

Top 5 de Ratinho:

Coração em Desalinho (com Monarco): Cantada por Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela.

Meiguice Descarada (com David Correa): cantada por Reinaldo.

Vai Vadiar (com Monarco): clip de Zeca Pagodinho

Parabéns pra você (com Sereno e Mauro Diniz): por Alcione e Fundo de Quintal

Loucuras de uma paixão (com Mauro Diniz): Ivete Sangalo e Jorge Aragão

3 comments Setembro, 2009

Daniel Pereira lança seu “Ganha Pão”

Por Thales Ramos

Quem gosta de samba bom e procura sempre ouvir coisa nova, não pode perder o lançamento do cd “Ganha Pão”, de Daniel Pereira, quinta-feira no Asa Branca. Eu já escutei e afirmo: é muito bom.

Conheci Daniel há dois anos atrás numa roda de samba do Feijão de Corda, em Niterói. Fiz um amigo. Sempre enfrentei as rodas de samba em busca de aprendizado e entretenimento. Com o repertório dele conheci muita coisa boa e voltei escutar outras tantas, que não ouvia há muito tempo. Suas canjas e shows sempre foram corajosas nesse quesito, com sambas de breque e muito Bezerra da Silva.

Em janeiro do ano passado o cantor-jornalista (ou seria o contrário) nos concedeu uma entrevista e com um texto matreiro do camarada Emiliano Mello, foi recorde de comentários no blog. Leiam aqui.

É com felicidade e respeito que indico a vocês “Ganha Pão”. Quinta-feira lugar de bamba é no Asa Branca. Sucesso, meu velho!

Serviço: Espaço Cultural Asa Branca
Av. Mem de Sá, 17 – Lapa
Ingressos: R$12 (antecipado)
R$20 (na hora)

*O cd “Ganha Pão”, custa R$7. Para escutar a bolachinha envie email para danielpereira.blog@gmail.com ou compareça nos shows, onde sai por R$5.

Add comment Agosto, 2009

O samba por ele mesmo

Por Thales Ramos

De repente estou enganado, mas acho que o samba é o gênero musical mais auto-referente. São inúmeras as canções que têm as rodas, pagodes, sambistas como assunto principal.

Várias histórias de dor, amor e confusão têm o samba como pano de fundo. Sendo assim, separei algumas músicas mais representativas. Acrescentem outras nos comentários.

E vocês, concordam que o samba é o estilo musical mais auto-referente?

O samba é meu dom (Wilson das Neves/Paulo Cesar Pinheiro): A canção que dá nome ao nosso blog tem uma pá de referências. A letra em sí serve de pontapé inicial para qualquer inciante no assunto. O verso: “O samba é meu dom/Aprendi cantar samba com quem dele fez profissão/Mário Reis, Vassourinha, Ataulfo, Ismael, Jamelão/Com Roberto Silva, Sinhô, Donga, Ciro e João Gilberto”, é um exemplo.

A Batucada dos Nossos Tantãs (Adilson Gavião / Sereno / Robson Guimarães): Sambista que se preze tem essa do Fundo de Quintal na ponta da língua. “Samba, eterno delírio do compositor. Que nasce da alma, sem pele, sem cor”, todo mundo sabe cantar. Marcelo D2 não perdeu tempo e sampleou.

14 anos (Paulinho da Viola): Esse samba não é só auto-referente, mas também uma auto-referência, composta por Paulinho da Viola. Ele fala sobre a decisão que tomou ao optar pela vida de sambista em vez da de doutor. Uma das famosas e líricas canções de Paulinho.

Argumento (Paulinho da Viola): Agora Paulinho manifesta contra as modificações feitas no samba, falando a favor “do cavaco/de um pandeiro/e de um tamborim”. Rezava a lenda que era um recado a Benito de Paula e seu piano. Violentamente, Benito respondeu com “Não me importa nada”. Em entrevista ao nosso jornal, Paulinho desmentiu e deu fim a pendenga. Leiam aqui.

Poder da Criação (Paulo César Pinheiro/João Nogueira): Mais um sucesso que todo mundo canta, “Poder da criação” atenta para o processo de confecção do samba e as nuances da inspiração.

Isso é Fundo de Quintal (Zé Mauricio/Leci Brandão): Leci Brandão louva os integrantes do Fundo de Quintal e o samba revolucionário do Cacique de Ramos. Como diz a letra: “é pagode pra valer”.

Agoniza mas não morre (Nelson Sargento): O velho Sargento exalta a veia guerreira do samba. Apesar das dificuldades e obstáculos, o samba permanece vivo. Enquanto houver quem ouça e batalhe por ele, nunca morrerá.

Não deixe o samba morrer (Édson/Aloisio): Alcione gravou em 1975 no LP “A voz do samba”, se tornando mais um sucesso da Marrom. O sambista da antiga dialoga com um possível sucessor e pede que mantenha a mística do samba intacta: “Antes de me despedir/Deixo ao sambista mais novo/O meu pedido final/Não deixe o samba morrer/Não deixe o samba acabar”.

Sambista Perfeito (Arlindo Cruz/Nei Lopes): Essa canção dá nome ao disco que coincidiu com a arrancada pop na carreira de Arlindo Cruz. É mais uma canção que tem um punhado de referências, onde Nei e Arlindo esboçam a receita para o sambista perfeito. “Elegante do jeito Paulinho/Cativante do jeito Martinho/Ser malandro e contagiante do jeito Zeca Pagodinho”. Utopia da dupla?

Samba de uma nota só (Newton Mendonça/Tom Jobim): Tinhorão que nos perdoe, mas o samba do maestro é bom demais. Simples e genial, gostoso pacas de ouvir. “Eis aqui este sambinha feito numa nota só/Outras notas vão entrar, mas a base é uma só”.

9 comments Agosto, 2009

Julgamento mais justo no grupo especial

Por Bruno Villas Bôas

O desfile das grandes escolas de samba deve voltar a ter uma antiga e mais justa regra: a Liga das Escolas deve aprovar a volta do modelo no qual duas notas – a maior e a menor – são descartadas. Se isso vingar, o número de jurados aumentaria de quatro para cinco no carnaval.

Add comment Agosto, 2009

O Samba é meu dom no twitter

Por Equipe O Samba

Pois é, papo vai, papo vem e aderimos ao twitter. O blog resolveu fazer barulho também no terreiro “twitteiro”. Sendo assim, apareçam e nos acompanhem também por lá.

Confesso que chegamos lá escaldados, mas como bons malandros, pisando na ponta do pé. Logo avistamos gente nossa, como Ana Costa e Leci Brandão. Ao leitor amigo, pedimos que sejam uma espécie de alcaguetes do bem, informando os sambistas que andam por aquelas bandas.

Aguardamos vocês: http://twitter.com/OSamba

Add comment Agosto, 2009

Feitiços da Vila

Por Thiago Dias

Em matéria de samba-enredo, sou conversador. Pode me chamar de velho, pode me chamar de ultrapassado. Mas prefiro “Domingo” a “Peguei um Ita no norte” e todos os sambas de Martinho da Vila a qualquer um da Vila Isabel desde 1994. Por isso, quero ver a Vila cantando Noel Rosa com música do Martinho em 2010.

Como disse o professor Luis Carlos Magalhães em sua coluna no site “Carnavalesco”, o samba feito por Martinho para o carnaval de 2010, que entrará na disputa da escola, é bem parecido com a música “Presença de Noel”, lançada pelo compositor no disco “Butiquim do Martinho”.

Os inícios são bem parecidos, com apenas algumas palavras diferentes. Alguns dizem que é plágio de si mesmo. Eu não. Acho maneiro. Gosto disso, adoro citações de sambas bons em outros, que podem ser ainda melhores. “Presença de Noel” é um clássico, que arrepia. Assim como o samba de Martinho para 2010 pode se tornar. Com ele, a Vila já entraria favorita na avenida.

O samba do Martinho está aqui para download.

Compare as letras:

Samba de Martinho para 2010

Se um dia na orgia me chamassem
E com saudades perguntassem
Por onde anda Noel?
Com toda minha fé responderia
Vaga na noite e no dia
Vive na terra e no céu
Seus sambas muito curti
Com a cabeça ao léu
Sua presença senti
No ar de Vila Isabel
Com sedutor não bebi
Nem fui com ele ao bordel
Mas sei que está presente
Com a gente nesse laurel

Veio ao planeta nos auspícios do cometa
Naquele ano da Revolta da Chibata
A sua vida foi de notas musicais
Seus lindos sambas animavam carnavais BIS
Brincava em blocos com boêmios e mulatas
Subia o morro sem preconceitos sociais

Foi um grande chororô
A Lindaura soluçou
A Dama do Cabaré não dançou
Ôôô
Nosso mestre descansou
Todo samba lamentou
Poesia que ficou
E a voz do povo eternizou

Fez a passagem pro espaço sideral
Mas está vivo neste nosso carnaval
Também presentes Cartola, Aracy e os Tangarás
Lamartine, Ismael e outros mais
E a fantasia que se usa para sambar com o menestrel

Tem a energia da nossa Vila Isabel BIS

Presença De Noel
(Martinho da Vila e Gracia do Salgueiro)

Se um dia
A boemia me chamasse
Com saudade e perguntasse
Por onde anda Noel
Com o meu sorriso responderia
O autor de “Filosofia”
Anda na terra e no céu
Eu não sambei com Noel
Com ele eu não cantei
Porém um dia sonhei
Que eu era o seu menestrel
Eu não bebi com Noel
Eu não vivi com Noel
Mas sei que ele está presente
Com a gente em Vila Isabel
E na avenida
Se me vêem como espelho
Eu sou o seu aparelho
Num transe de carnaval
E a fantasia que se usa
Já tem os tons de lá do céu
Que são as cores
Da nossa Vila Isabel

4 comments Agosto, 2009

‘Fases do coração’, melhor cd de samba deste ano

Divulgação

Por Bruno Villas Bôas

O cd novo do Moyseis Marques ficou bom demais. O cara realmente canta muito e escolhe repertório como poucos. Já tem por aí na internet pra baixar, mas vale comprar para incentivar o trabalho dele, que ficou show de bola.

Algumas músicas me chamaram mais a atenção:  “Entre os girassóis”, “Oitava cor” (aquela do Fundo de Quintal…), “Cartas do metro”  e “Fases do Coração”. Tem outras, mas essas me prenderam aqui. Estou ouvindo direto.

Se quiser uma palhinha para conferir antes de comprar, tem no Myspace dele (http://www.myspace.com/moyseismarques).

O nome do cd é “Fases do coração”.

Esse cd do Moyseis Marques está um pouco mais pagode, sem nenhum demérito. O primeiro cd tinha mais gafieiras e aquela música do Paulo César Pinheiro, “Nomes de favelas”. Excelente, por sinal. Quem ouviu o “Lamento do samba” do Paulinho Pinheiro certamente foi tragado por essa faixa.

Pra mim, o melhor cd de samba do ano até aqui.  Discorda? Então comenta.

3 comments Julho, 2009

O samba é o dom deles – Parte 2

Fotos de Bruno Villas Bôas

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2 comments Maio, 2009

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