Roberto Ribeiro – Todo menino é um rei
POR BRUNO VILLAS BÔAS
Taí uma coisa difícil de se encontrar. Um clipe do Roberto Ribeiro gravado em 1978 para o Fantástico. A música é “Todo menino é um rei”, uma predileta minha e favorita do amigo Thales.
Add comment Maio, 2009
O samba é o dom deles
FOTOS DE BRUNO VILLAS BÔAS
Tenho uma penca de fotos de sambistas aqui no computador. São bambas que entrevistamos nos últimos anos. Vou começar a postar as que a gente não usou nas matérias. Essa é a primeira parte.
Monarco, Wilson Moreira e Walter Alfaiate.



1 comment Abril, 2009

Wilson Batista em 78 rpm
POR BRUNO VILLAS BÔAS
O blog “Coisa da Antiga” está com um post maneiro do Wilson Batista. São 179 músicas do cara, gravadas por Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Moreira da Silva, Aracy de Almeida e por aí vai. Tudo em 78 rpm.
Ouvi quase nada ainda. É coisa pra cacete. Gostei da “A voz do sangue” (Valfrido Silva e Wilson Batista). Segundo o blog, foi gravada em 41 na Odeon. Canta Newton Teixeira. Tirei a letra de ouvido pra galera. Coloquei a música no player do blog (no menu, à direita).
A voz o sangue
Preciso mudar
O meu ritmo de vida
Mas não posso,
O samba não quer me deixar
Fico louco
Quando escuto o tamborim
É a voz do sangue
Que fala dentro de mim
Quando o coração ordena
Não há quem possa evitar
Ele manda na cabeça
Mas os pés não pode controlar
Eu sinto que a idade vem chegando
Mas tenho que morrer sambando
1 comment Abril, 2009

Para tudo começar na quarta-feira
POR THIAGO DIAS
Sempre tive raiva da Quarta-Feira de Cinzas. Mais novo, lamentava o fim do carnaval. Mais velho, reclamava de ter que voltar a trabalhar. Ainda rolava uma história de não poder comer carne. Em qualquer época, a mesma agonia à tarde: após a apuração na Globo, e depois de algum tempo na CNT, tristeza. Nenhuma maior que a de 2001, quando a União da Ilha caiu.
Sabem aquele samba do Martinho, “para tudo se acabar na quarta-feira”? Para mim era assim, sempre. Tudo acabava ali, na Quarta de Cinzas. Algumas pessoas comemoravam, a maioria nem se importava com o que saía da boca do Perlingeiro. Afinal, é apenas carnaval, certo? As escolas são só diversão de turista, lavagem de dinheiro do jogo do bicho, paraíso de popozudas e carnavalescos. O que interessa é a pegação de abadá na Bahia.
Lembro que há exatos oito anos, longe do Rio de Janeiro, tive que ouvir gracinhas de pseudo-torcedores da Viradouro, que não sabiam nem que Joãosinho Trinta já estava lá na Grande Rio. A Ilha caiu. Chorei, confesso. Em 2002, mais longe ainda, chorei de novo, quando ouvi pela primeira vez o samba sobre Caxias graças a um download, no meio da neve.
Não vi a fase de ouro da minha escola. Então, o que me restava era ouvir os sambas históricos e vibrar com eles. Como um dia, ainda na neve, em que um mineiro emplacou uma sequência de três músicas da minha União, durante um pagode improvisado com baldes e latas de lixo em uma casinha na estação de esqui. Aquilo, para mim, era um título.
Sei que fomos roubados em 1977, quando “Domingo”, na sutileza do amanhecer, encantou a Presidente Vargas. Thales Ramos, que escreve aqui no blog também, já me provocou um dia: “Você não era nem nascido e vem dizer que roubaram a Ilha, Thiago?” Amigo, fomos roubados. Pelo menos, deixa eu pensar assim. Quem é América me entende.
Um ano depois, “O amanhã”, provavelmente o samba-enredo mais gravado e cantado na história. “Bom, Bonito e Barato”, que virou expressão fácil no dia-a-dia, até no futebol. No colégio, já adolescente, um professor de Literatura meio carnavalesco me disse que “Burro na cabeça” era o hino mais bonita da União. Fui pesquisar e rui-barboseei: era o primeiro samba do Franco na escola. No ano que eu nasci, um presente: “É hoje”, aquele que vocês conhecem na voz da Fernanda Abreu, mas que entrou para a história com Aroldo Melodia. Fernanda, por que não dar o crédito na sua gravação? E se fosse da Mangueira?
Aí veio a fase do Franco, eu já tinha noção das coisas. “Festa profana”, com Quinho, e “De bar em bar, Didi um poeta”: porre 1 e porre 2, como dizia o José Lattari. Como esquecer de Franco, que muito anos depois nos deu uma amizade tão intensa e tão rápida, a mais importante na história deste blog que virou jornal e que voltou a ser blog, um tanto quanto pouco atualizado, é verdade.
Em 1994, a minha estreia no sambódromo. Setor 13, praça da Apoteose, refrigerante e quentinha no isopor. Quinho de volta à União, após ser campeão pelo Salgueiro. Vocês já sabem disso, meu sonho era ser o Quinho. Fazer o quê? O samba, de novo, era de Franco. Chiquinho Spinoza nos brindou com “Abrakadabra”. Quarto lugar, última vez no desfile das campeãs. Alegria passageira, esquecida com o apagão de 2001.
Até a Quarta de Cinzas que passou, o único título da da Ilha havia sido em 1974, “Lendas e festas das Yabás”. Um clássico de Aroldo Melodia. Trinta e cinco anos depois, outro Melodia, o Ito, ajudou a escrever o samba campeão de 2009 com “Viajar é preciso”. De novo, me peguei chorando em uma Quarta-Feira de Cinzas. Foi a reação instantânea quando veio a notícia, em ondas tão fracas de rádio. Uma apuração confusa, sem parciais e sem a certeza de que já estava no último quesito. Um silêncio interminável de 20 segundos e o anúncio: União da Ilha campeã.
Confesso que chorei, porque agora tudo recomeça na quarta-feira.
4 comments Fevereiro, 2009

Uma reedição, várias citações
POR THIAGO DIAS
Confesso que depois que o “Menina, quem foi teu mestre?” perdeu a disputa no Salgueiro, os sambas-enredo de 2009 perderam a graça para mim. Mas depois de ouvir cinco vezes cada um da nova safra, já posso falar que tenho um preferido: Imperatriz.
O CD do próximo carnaval é marcado pela série de citações a obras passadas ou compositores marcantes. Gosto disso. E talvez esta seja a razão da minha preferência pelo hino da escola da Leopoldina, que traz o enredo “Imperatriz… só quer mostrar que faz samba também”.
Apesar de ser uma referência a Noel Rosa, o tema é em homenagem aos 50 anos da agremiação. O enredo acaba envolvendo também todo o bairro de Ramos, onde passei boa parte da minha infância (estudei sete anos no Instituto Pio XI, pertinho da Rua Professor Lacê). O samba já começa com um “ei, ei ei, ei, ei”, que parece que vai continuar com um “olha, meu amor” dos velhos tempos do Cacique. Bela lembrança.
Entre citações a sambas antigos da escola, é no refrão que está a melhor sacada do carnaval 2009:
“Se você fala de mim, não sabe o que diz
Muito prazer, sou a Imperatriz”
Os compositores Josimar, Jorge Arthur, Valtenci, Di Andrade e Carlos Kind entenderam a brincadeira que Rosa Magalhães fez com o nome do enredo, ao recordar Noel Rosa, e usam um trecho da mesma “Palpite infeliz” para criar em cima da idéia original. Criatividade. Genial.
Na Portela, a parte mais bonita da música de Ciraninho, Diogo Nogueira, Júnior Escafura, Wanderley Monteiro e L.C. Máximo está no verso de Monarco:
“São vinte e uma estrelas que brilham no meu olhar
Se eu for falar da Portela não vou terminar”
A Mangueira usa o portelense Paulinho da Viola para enfeitar seu refrão e homenagear Jamelão, a “voz do samba”. A criação é de Lequinho, Gilson Bernini, Junior Fionda e Gusttavo:
“A voz do samba é verde-e-rosa
E nem cabe explicação”
Se em 2005 a Porto da Pedra copiou um samba inteiro da União da Ilha (“Festa Profana”), desta vez a escola de São Gonçalo pegou só um trechinho do histórico “O amanhã” para falar de curiosidade:
“Como será o amanhã Que
Deus me permita ser só alegria”
Por fim, há o Império Serrano, que vai reeditar o manjado “A lenda das sereias e os mistérios do mar”, que em 1976 ficou em sétimo e chamava-se “A lenda das sereias, rainhas do mar”. A nova gravação está muito acelerada, para variar. Escute no player no menu à direita a música original, em uma versão muito mais bonita por sinal…
4 comments Novembro, 2008

Luiz Carlos da Vila, o show tem que continuar
POR EQUIPE O SAMBA
Geralmente, as músicas mais bonitas nascem depois de um amor desfeito. Uma doce ironia, de como a dor pode depois causar um sorriso. É o caso de “O show tem que continuar”, uma das obras-primas que Luiz Carlos da Vila nos deixou.
O poeta, que foi embora na segunda-feira, dia 20, fez a primeira parte triste por causa de um relacionamento que não deu certo. Dizia assim:
- “O teu choro já não toca
Meu bandolim
Diz que minha voz sufoca
Teu violão
Afrouxaram-se as cordas
E assim desafina
E pobre das rimas
Da nossa canção
Se hoje somos folha morta
Metais em surdina
Fechada a cortina
Vazio o salão”
Luiz levou a letra para Arlindo Cruz e Sombrinha completarem a música. O final “Vazio o salão” encucou Arlindinho, como me conta um amigo próximo do imperiano. “O cara já deu um fim triste à história. Sombrinha, como que a gente vai meter uma segunda dando um final feliz?”, perguntou.
A solução encontrada pela dupla foi encaixar o “Se os duetos não se encontram mais” e mudar o rumo daquele amor infeliz. A música entrou para a história. E agora, sem Luiz Carlos, o show também vai ter que continuar.
2 comments Outubro, 2008

Samburá
POR THIAGO DIAS. FOTO: BRUNO VILLAS BÔAS
Com “Sambista Perfeito”, Arlindo Cruz consolidou sua carreira solo. Era o que ele esperava, como contou em conversa com O SAMBA minutos antes de subir ao palco do Teatro Rival há quase um ano para lançar o CD. O bamba tocou nas rádios, foi indicado a prêmios e confirmou o que dissemos em novembro: virou pop e vai lançar em breve um “Ao vivo MTV”. Bem diferente de 15 anos atrás, quando gravou sozinho pela primeira vez. Mas tão bom quanto.
“Arlindinho”, primeiro LP do compositor depois que saiu do Fundo de Quintal, tem algumas preciosidades de Arlindo que aos poucos vão sendo esquecidas. Uma delas é um exemplo do que o imperiano fez de melhor ao lado de Franco: “Tô a Bangu”. A letra brinca com nomes de bairros do Rio e mostra como o doutor faz falta ao mundo do samba.
Na época, Arlindo e Franco viviam fase ímpar. Sucesso no FDQ, o “Urso” decidiu se arriscar sozinho e regravou hits como “Castelo de cera” e “Só pra contrariar”. Não estava com a voz tão boa, mas com a inspiração em alta. Assim como Franco, que estava em seu auge: tricampeão de sambas na União da Ilha, incluindo as obras-primas “Festa Profana” (1989) e “De bar em bar, Didi um poeta” (1991), ou, como ele chamava, “Porres 1 e 2”.
“As melhores músicas do Arlindo foram com o Franco. Ele estudava muito, pesquisava antes de escrever. O próprio Arlindo uma vez me confidenciou que o Franco foi seu melhor parceiro. Depois, o Sombrinha”, diz o jornalista Hilton Mattos, amigo de Arlindinho e pesquisador da obra do compositor.
Também com a assinatura da dupla, com o apoio de Marquinhos PQD, o disco, carinhosamente chamado de “Da capa azul”, traz “Zé do Povo”, que também brinca com a sonoridade de palavras para sentidos diferentes. Com Geraldão, os dois fizeram “Peixe demais pro meu samburá”. Cá entre nós: “samburá” só entraria mesmo em um samba de Franco.
No “Sambista perfeito”, a última parceria dos compadres gravada por Arlindo antes da morte prematura de Franco: “Quem gosta de mim”, que conta a história do imperiano. Procurando a tal afirmação, Arlindo lembra seu passado na letra e diz saber quem são as pessoas que gostam dele. Hoje, pelo visto, todo mundo.
Escute no menu à direita “Peixe demais pro meu samburá” e “Tô a Bangu”.
Add comment Outubro, 2008
Fonte de inspiração
POR THIAGO DIAS
FOTO: BRUNO VILLAS BÔAS
Autor do samba-enredo campeão com a Portela em 1966, “Memórias de um sargento de milícias”, Paulinho da Viola passa longe das atuais disputas nas escolas. “Acho que eu não conseguiria fazer um samba para um andamento tão rápido. Nunca nem tentei. Nunca me imaginei fazendo um samba acelerado assim”, disse o mestre à edição de abril do jornal O SAMBA, que agora pode ser baixado aqui no blog pelos amantes da música.
Porém, será difícil os versos de Paulinho ficarem de fora da Marquês de Sapucaí em 2009. Em rápida pesquisa pelas parcerias concorrentes para o próximo carnaval, achamos três letras que usam trechos de músicas do craque. Duas delas na Portela. Uma de sua filha, Eliane Faria, que concorre pela primeira vez na Águia e que teve seu samba classificado para a semifinal do concurso da escola de Oswaldo Cruz. Isso sem contar a disputa na União de Jacarepaguá, que desfilará no Grupo B com o enredo “A toda hora rola uma história, com samba e chorinho de Paulinho da Viola”.
Eliane e os parceiros Alexandre Baia e Jair PQD homenageiam Paulinho no enredo “E por falar em amor! Onde anda você?”, com um verso de “Foi um rio que passou em minha vida”, a maior declaração de amor já feita à azul-e-branco:
- “Meu coração tem mania de amor
Sem a Portela não sei o que sou
Vinte uma vezes me fez delirar
És o meu rio, meu céu e o mar.”
Paulinho gostou. “Eu ouvi o samba e gostei. Dou a maior força e estou na torcida. É um desejo de pai, né? Mas eu prefiro não ir à disputa, porque não costumo mesmo acompanhar a escolha por conta das minhas atividades. Vou continuar acompanhando de longe”, afirmou o mestre ao companheiro Thales Ramos, que agora ajuda também no conteúdo do site amigo “Tudo de Samba”.
Ainda na Portela, Serginho Procópio, Bandeira Brasil, Celso Lopes, Alexandre Fernandes e Charles André buscaram inspiração no mesmo clássico do mestre para falar de amor:
- “Sou portelense, eu sou
Com muito amor
Um laço forte que não dá pra desatar
Na minha vida foi um rio que passou
E o meu coração se deixou levar.”
Até os mangueirenses se renderam ao filho de César Faria. Os favoritos Lequinho, Gilson Bernini, Clarão e Jr. Fionda beberam de “Sei lá, Mangueira”, a declaração de amor do portelense Paulinho e de Hermínio Bello de Carvalho à verde-e-rosa:
- “Sou a cara do povo, Mangueira
Eterna paixão
A voz do samba é Verde-e-Rosa
E nem cabe explicação.”
Add comment Outubro, 2008
O sensato destino de Almir Guineto
POR THIAGO DIAS, EMILIANO MELLO
E THALES RAMOS. FOTO: ARI KAYE
Tupã, município a 520 quilômetros da capital São Paulo, tem cerca de 65 mil. Um deles sabe bem o valor que tem o silêncio de uma pequena cidade: Almir Guineto, que há cinco anos trocou a batucada dos grandes centros pela paz no interior paulista. O compositor jura que agora só bebe água, tenta parar com o cigarro e que não cai mais nas tentações como antigamente.
“Ninguém é de ferro. Descobri isso com a idade”, diz o sambista, de 61 anos.
Na década de 80, Almir Guineto chegou a fazer cinco shows por noite, 67 por mês. “Era uma ignorância”, resume o sambista, que não tem a mesma badalação de 20 anos atrás, mas segue como um dos artistas mais lembrados nas rodas, com sucessos como “Pranto que chorei”, “Insensato destino”, “Caxambu”, “Mel na boca”, “Conselho”, “Lama nas ruas”, entre diversos outros.
Leia aqui a entrevista exclusiva
O exílio o afastou do público carioca, que sente falta da presença do bamba. Mas ele nem pensa em voltar a morar na terra natal. Almir deixou o Rio de Janeiro e o morro do Salgueiro cedo. Em 69, já morava em São Paulo para tocar cavaquinho com os Originais do Samba. A ida para o interior veio após o casamento com Cristina, neta de uma líder de escola de samba em Tupã.
“É a cidade dos aposentados. Todo mundo me pergunta como eu deixei a praia para morar lá. Mas a gente descobre que dá para se adaptar a qualquer lugar. Não saio mais do mato não”, afirma
Boi, amendoim e Almir Guineto. Estas são as três estrelas de Tupã. A mudança representa também o início de um novo estilo de vida do cantor. Nos anos 80, quando o pagode estourou no Brasil, ele ficou marcado por faltar a muitas apresentações. Hoje, reconhece que “ficar bêbado todo dia” não vale mais a pena.
“Tinha uma época que o pessoal só entrava no show depois que eu e o Zeca (Pagodinho) já estávamos na casa. A gente faltava muito, isso era um absurdo”, admite Almir, em entrevista exclusiva à equipe O SAMBA, em um hotel no Rio.
O compositor garante não sentir saudades do tempo em que era o maior nome do pagode no Brasil, já que “nem podia sair de casa”. Mas, em Tupã, a rotina de autógrafos continua quando anda pelas ruas. Coisa rara, por sinal. “Ele não sai muito de casa não. Fica mais trabalhando, mas parece que ele gosta muito da cidade”, conta o prefeito Waldemir Gonçalvez Lopes.
Na chácara em Tupã, nada de pagodes. Lá reina a tranqüilidade e o samba perde para o sertanejo no gosto popular. “O negócio é cantar para boi”, brinca Almir, se referindo às freqüentes festas de peão boiadeiro da cidade.
A música sertaneja pode ser a preferida na cidade, mas a presença do carioca faz o samba ser respeitado. “Sabemos da obra do Almir, de tudo que ele fez pelo samba. É uma honra tê-lo aqui, pois Tupã não tem celebridades”, diz o prefeito.
2 comments Setembro, 2008





